Contradição nefasta

O Brasil é um grande país, em território e em população. Não é dos mais velhos, mas já viveu bastante.

Um país miscigenado, em princípio por brancos, negros e índios, e depois por povos de todo o mundo.

Um país que teria tudo para dar certo. E por que não deu?

O surgimento do Brasil, com sua condição inicial de colônia extrativista predatória, depois seu regime de escravidão e sempre sua submissão como colônia de vários países.

Tudo isso produz dependência, desigualdade, exploração, relação de corrupção entre as pessoas e os setores sociais, que persistem até os dias de hoje.

O Brasil nunca se livrou dessa herança.

Somos um país de economia rica, mas profundamente desigual.

Somos um país de grande diversidade cultural e artística, mas com quase 9% de analfabetos, e com enorme número de analfabetos funcionais.

Somos um país de muita fé, sentimental, capaz de ser solidário, mas também altamente violento e criminoso.

Somos um país com grandes cérebros na ciência, na tecnologia, na literatura, no esporte, mas vergonhosamente dependente do pensamento exterior.

Essa é a contradição do Brasil.

E agora, para arrematar nossa sina, vem a contradição política.

A “esquerda” que comandou o país por quatro governos, com seus programas sociais surfando numa economia razoável, gastou tanto, mas tanto, corrompeu tanto, mas tanto, que perdeu o poder para uma “direita” que parece ter saído de um tempo pré-histórico.

Nenhuma dessas duas alas, “esquerda” e “direita”, tem preparo, estofo, projeto ou moral para lançar o Brasil no grande desafio ideológico e tecnológico do século 21.

E ficam regurgitando birras, apequenando o Brasil em guetos medíocres.

O Brasil precisa sair dessa contradição, dessa falsa questão.

Temos de deixar para trás essa disputa “direita” versus “esquerda”, ideologias que ficaram no século passado, fantasmas de uma era que assombram nosso país.

O Brasil é maior do que isso. Construí-lo é o nosso desafio.

Gilberto Natalini- Vereador PV-SP

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