Inverno: tempo seco e doenças respiratórias

A poluição é o agravante principal que problematiza a estação atual: o inverno. O paulistano vem acompanhando desde o mês de junho este dilema, com temperaturas altas em grande parte dos dias, o que se torna contraditório e, sem um pingo de chuva o que agrava ainda mais a situação.


O Centro de Gerenciamento de Emergências da Prefeitura de São Paulo (CGE) constatou no último mês, que a cidade está há 34 dias sem chuva e com baixa umidade do ar. Na última segunda, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou para 18%, o nível de umidade local. Um estado já preocupante. 
Dentre os principais poluentes do ar que são os protagonistas destes problemas, estão a fumaça, partículas inaláveis, dióxido de enxofre, ozônio, dióxido de nitrogênio e monóxido de carbono. Essas substâncias podem causar sérios danos à saúde. A OMS relaciona estes componentes a problemas de saúde, como câncer no pulmão, acidente vascular cerebral (AVC), isquemia cardiovascular e infecções agudas do sistema respiratório (pneumonia).
Como médico e ambientalista, venho agindo há tempos. Na mesma semana dessa constatação do CGE, a Lei 16.802/ 2018 que ajudamos a articular, a qual discorre sobre o uso de fontes motrizes de energia menos poluentes e menos geradoras de gases do efeito estufa na frota de transporte coletivo urbano, foi regulamentada, através do Decreto 58.323, que define as competências, a composição e o funcionamento do Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frota por Alternativas Mais Limpas.
Ônibus e caminhões são responsáveis por cerca de metade da poluição atmosférica da região metropolitana de São Paulo, apesar de representarem apenas 5% da frota veicular. Segundo a lei, no caso do dióxido de carbono (CO2), a redução da emissão deve ser de 50% até 2028 e de 100% até 2038. Já o óxido de nitrogênio e o dióxido de nitrogênio (NO2 e Nox) devem ser reduzidos em 80% nos próximos 10 anos e, em 95%, em até 20 anos. Por fim, a lei ainda determina a diminuição na emissão de material particulado (incluindo fuligem) em 90%, até 2028, e em 95%, até 2038.
Poluição mata! De acordo com a médica especialista em Patologia e Saúde Ambiental, doutora Evangelina Vormittag, morrem, ao ano, em torno de cinco mil pessoas por conta da poluição na cidade. Na região metropolitana de São Paulo, são oito mil pessoas. No estado todo, são mais de 17 mil, dados de junho de 2017. Uma situação gravíssima que precisa ser resolvida.
Gilberto Natalini- Médico e Vereador PV/SP

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