Meio Ambiente: último que fala, o primeiro que apanha

Há décadas temos trabalhado intensamente para tornar São Paulo uma cidade mais sustentável, mais humanizada e com mais qualidade de vida. O passivo ambiental de São Paulo é enorme.

O desenvolvimento urbano da cidade foi desordenado e predatório, devastando áreas verdes inteiras, invadindo, poluindo e obstruindo cursos d´água e nascentes, poluindo o ar e o solo com resíduos industriais e domésticos.
Há algumas décadas ocorrem tentativas insuficientes de recuperar esse passivo ambiental.
Mas essas iniciativas são insuficientes, diante do tamanho do problema.
O período de 2005 a 2012 foi o mais produtivo no sentido da recuperação ambiental da cidade, com múltiplas iniciativas e investimentos. Em 2012, para exemplificar, o orçamento da Secretaria do Verde chegou a 1,1% do orçamento geral da cidade. Nos anos seguintes voltou ao patamar de 0,3/0,4%.
A partir de 2013 a situação voltou a se deteriorar, com o abandono de programas importantes, como a Operação Defesa das Águas e a Operação Córrego Limpo.
Muitas das conquistas anteriores se perderam pelo abandono das políticas públicas.
A situação se agravou com o abandono dos parques, das áreas de mananciais, dos cursos d’agua e das áreas verdes, entre outras questões.
Nos últimos tempos tem acontecido um ataque cruel às áreas verdes de São Paulo.
Há uma emergência ambiental em São Paulo que afeta diretamente a vida dos paulistanos.
E, apesar de nossos apelos, ainda não houve uma reação coletiva contra essa política predatória, que agride o ambiente e a sustentabilidade da cidade.
É preciso agir, reagir e interagir, antes que não tenhamos mais o que defender.
Gilberto Natalini – Ambientalista, Médico e Vereador

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