A psoríase não tem cura, mas o preconceito tem

A psoríase é uma doença inflamatória, sistêmica da pele caracterizando-se por lesões avermelhadas, normalmente em placas, que aparecem no geral, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos, parecidas com caspa, alergias. Acomete não só a pele, mas também, nas articulações, tendões e outros sistemas, podendo levar ao desenvolvimento da síndrome metabólica. Não é contagiosa e por ser um tanto quanto rara nos grupos familiares, gera um certo preconceito das outras pessoas, perante esta fisionomia distinta do “padrão” da maioria, dando outros complementos ruins a este adoecimento.

De acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a psoríase acarreta uma inflamação crônica que não atinge apenas o físico do paciente, mas também, pode afetar o organismo, em especial o próprio coração. Ele, responsável por bombear o sangue e fazer parte das sensações humanas, é muito importante e, diga-se de passagem, o semeador para os sintomas não evoluírem. Esta não é considerada uma doença emocional, porém, pode causar constrangimentos, levando ao isolamento ou depressão.

Todo este aglomerado de fatores pode chegar à obesidade, artrite, hipertensão, diabetes, infarto e AVC. A doença surge principalmente antes dos 30 anos de idade e após os 50 mas, em 15% dos casos, pode aparecer ainda na infância, de acordo com o cientista, escritor e doutor Drauzio Varella (dados de março de 2018). Por isso, a importância e atenção considerável que se deve conceber a este trauma dermatológico.

Entre 30% e 40% dos pacientes, têm histórico familiar desta enfermidade, conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Os tratamentos são individualizados, pois cada caso é distinto de um para outro.

Em 2014 aprovamos uma Lei que cria o programa de apoio às pessoas com psoríase (PL 286/07- Lei 15.987/2014), resultado dos nossos Encontros realizados na Câmara Municipal de São Paulo, em parceria com o Dr. Cid Sabbag. A partir dessa lei tivemos diversas conquistas, entre elas a criação de alguns Centros de Psoríase na cidade (PAM Maria Zelia- Belenzinho, UBS Maurice Pate- Penha, UBS Jd. Ibirapuera, UNIFESP), a publicação de um protocolo sobre a doença preparado pela Secretaria Municipal de Saúde, a inclusão de medicamentos na rede pública de saúde, impressão de cartilha educativa, entre tantas outras.

Psoríase não tem cura, apenas o tratamento constante, mas o preconceito tem. Não há como preveni-la, mas há possibilidade de controlar a sua reincidência. Casos leves a moderados, em torno de 80%, podem ser monitorados com o uso de medicação local, hidratação da pele e exposição ao sol. Para quem não tem disponibilidade para exposições diárias ao sol, são recomendados fototerapia em clínicas especializadas e sob rigorosa orientação médica. Esses banhos de luz não são recomendados para crianças.

Gilberto Natalini- Médico e Vereador PV/SP