Áreas Verdes II : a devastação continua

Acabamos de ver no Rio de Janeiro o desabamento de dois prédios construídos ilegalmente em áreas verdes. Tudo sem autorização, no bairro da Muzema, devastando a mata da cidade.

Uma indústria de construção clandestina e criminosa, chefiada por facções criminosas, conhecidas como milícias.

Na cidade de São Paulo também vivemos o fenômeno da devastação de áreas verdes que, como verdadeira epidemia, vai destruindo as matas e bosques urbanos, num ritmo cada vez maior.

Na capital paulistana, assim como no Rio, o poder público, como numa falência de múltiplos órgãos, de forma inerte e complacente assiste, passivamente, ou com poucas ações, essa destruição nefasta do verde da cidade.

Nas duas cidades, o processo de desmatamento, na forma de loteamentos irregulares, é liderado pelo crime organizado.

Em São Paulo, “empreendimentos” espalham-se por Parelheiros, Capela do Socorro, M’Boi Mirim e outras áreas de mananciais.

Também acontecem na Zona Leste, em Itaquera, São Matheus e outros bairros, como se não houvesse lei e nem governo.

Além disso, existem devastações provocadas por incorporações imobiliárias, sem ou com “licenças ambientais”.

Na Zona Norte, na borda da Serra da Cantareira, as invasões clandestinas sobem pelas encostas da mata do Parque Estadual da Cantareira.

A derrubada das áreas verdes em São Paulo é agressiva, volumosa, ilegal e criminosa. Sob olhar sonolento e compassivo do poder público.

Do ponto de vista ambiental, a derrubada de árvores e os aterros clandestinos de entulho, provocam feridas na cidade. Isso não tem volta, o que traz um imenso prejuízo para a qualidade de vida do paulistano.

Quando a cidade acordar, talvez seja tarde para reverter o estrago já feito.

Não desistiremos e, com as forças que temos, continuaremos a defender as áreas verdes de São Paulo.

Gilberto Natalini- Ambientalista, Médico e Vereador (PV/SP)