E o show deve continuar!

A eleição passou! E nós ficamos! Temos um Presidente eleito, escolhido pela maioria dos votos válidos, como manda os preceitos democráticos da Constituição.

Eleição acirrada, esquentada, dividida e apaixonada. Mas estamos no tempo seguinte. O Brasil se contorceu, e escolheu.

A realidade concreta do país é muito difícil.

Após anos de desmandos e lambanças de governos fisiológicos, corruptos e incompetentes, o Brasil mergulhou nisso, que deve ser a pior crise de sua história, surgindo a soma de todas as crises e a pior de todas: a crise civilizatória.

Nosso país caiu de joelhos, e na revolta emocional de grande parcela da população, dividiu-se em dois extremos e escolheu-se um deles, que se cacifou como antítese de tudo que esta aí. Agora é o “day after”.

Um país com um abismo social, onde 8 brasileiros mais ricos detém a riqueza de 100 milhões de patrícios.

Um país onde o sistema financeiro leva em torno de quase metade do orçamento da Nação com pagamento, não da dívida pública, mas dos juros e serviços dessa dívida.

Um país que tem 63 mil assassinatos por ano.

Um país onde o Sistema Público de Saúde- SUS, que atende 150 milhões de pessoas, tem menos recursos que o privado que atende 50 milhões de pessoas. E ainda vem sendo asfixiado mortalmente por desfinanciamento e  má gestão.

Um país onde a Educação, seja básica ou superior, é de péssima qualidade.

Um país onde o crime organizado se expandiu e se infiltrou em todo território nacional, e nas instituições, como uma poderosa força econômica e política, armada e perigosa.

Um país onde a pauta ambiental tão presente no Planeta, é a última que fala e a primeira que apanha.

Um país onde o folclórico “jeitinho brasileiro” foi transformado em quadrilhas públicas e privadas, produzindo o maior conluio entre empresas – governos, que realizou o maior escândalo de corrupção da história do país, e quiçá do mundo.  

Um país onde a economia parou por ações de política econômica, desvios e gastanças, que criaram 13 milhões de desempregados e jogou grande parte de nosso povo na penúria.

Enfim um país onde os agentes políticos se tornaram um caso de Polícia, e os partidos políticos se encarquilharam na falta de ideologia e na busca do dinheiro fácil.

Esse é o retrato real e triste do Brasil que tanto amamos!

Assim, quem estiver achando que a bonança voltou está redondamente enganado. Para desenrolar esse embrulho vai ser necessária uma árdua jornada.

As bandeiras continuarão as mesmas:

– Moralidade na coisa pública e privada.

– Retomar o desenvolvimento, porém sustentável, com respeito aos recursos naturais e à biodiversidade.

– Diminuir o abismo social e avançar na equidade social.

– E garantir, com o risco da própria vida as liberdades democráticas e o respeito à Constituição.

Essa é a tarefa dos democratas e patriotas, dos homens e mulheres de bem desse imenso e sofrido país!

Gilberto Natalini –Médico, Ambientalista  e Vereador (PV/SP)