Câmara sediou Encontro Sampa e seus animais silvestres

O tráfico de animais silvestres foi o principal tema discutido durante o Encontro Sampa e seus Animais Silvestres, nesta segunda-feira (15/4), na Câmara Municipal de São Paulo.

O evento, realizado pelo vereador Gilberto Natalini (PV), teve a participação de representantes da administração municipal, que também apresentaram ações e debateram políticas públicas de preservação e proteção ao meio ambiente da cidade.

De acordo com Ângela Maria Branco, diretora da Divisão de Defesa e Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, os órgãos municipais de proteção ambiental realizaram 10.392 resgates de animais vítimas de tráfico, entre dezembro de 2014 e março de 2019. Em média, foram cerca de 2,5 mil resgates ao ano.

A situação é considerada grave, uma vez que se estima existirem 1.121 espécies de animais silvestres registradas no inventário da biodiversidade municipal, distribuídas principalmente em 135 áreas verdes e cinco corpos hídricos mapeados. Segundo Ângela Maria, São Paulo é o maior receptor e principal destino da fauna silvestre vítima de tráfico no país.

Para lidar com o problema, a Divisão de Defesa e Vigilância Ambiental coordena o serviço de resgate de animais silvestres, através do sistema SigVig Fauna. Também atua de forma integrada – complementar à GCM (Guarda Civil Metropolitana) Ambiental – no planejamento, avaliação de resultados e demonstração dos dados sobre os resgates. “E participamos do Comitê Municipal de Enfrentamento ao Tráfico de Animais Silvestres, que é a forma como a prefeitura vem se estruturando para enfrentar o tráfico”, disse Ângela Maria.

A divisão monitora os animais resgatados por um sistema de rastreamento, deixando arquivadas todas as informações dos resgates e da sua destinação. Também são apuradas denúncias de vendas irregulares em feiras e pet shops.

O objetivo é desestimular o tráfico. “Queremos saber exatamente onde está aquele animal resgatado, caso não tenha sido reintegrado à natureza ou tenha morrido. Queremos acompanhar para qual instituição de acolhimento ele foi destinado, como ele está e a partir daí fazer o monitoramento desse animal”, ressaltou a diretora da Divisão de Defesa e Vigilância Ambiental.

Mas o problema com os animais silvestres não se restringe ao tráfico, como apontou Juliana Summa, coordenadora da Divisão de Fauna Silvestre da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Acidentes, maus-tratos e abandonos também impactam diretamente a fauna silvestre da cidade.

De dezembro de 2014 a dezembro de 2018, segundo Juliana, a Divisão de Fauna Silvestre realizou 14 resgates ao dia, em média. Foram registrados 84.520 animais (74.714 silvestres), incluídos vítimas de tráfico, maus-tratos, abandono (principalmente de filhotes), traumas, eletrocussão, atropelamentos, agressões, doenças ou mortos.

Diante desse cenário, comentou Juliana, a conscientização da sociedade é essencial. “Buscamos preservar as espécies que vivem na cidade e mostrar para as pessoas o quanto elas são importantes. Também queremos mostrar que podemos conviver com esses animais no ambiente urbano”, reforçou a coordenadora da Divisão de Fauna Silvestre.

Durante o evento, foram apresentadas alternativas à diminuição dos acidentes com animais silvestres. Uma das experiências destacadas por Fábio Ferrão, biólogo e subtenente do Centro Médico da Polícia Militar, foram as técnicas de ligação de fragmentos florestais: passarelas feita de cordas e PVC, que funcionam como uma ponte, ligando diferentes fragmentos florestais acima do nível das ruas.

De acordo com Ferrão, essas ligações diminuem a possibilidade de atropelamentos e acidentes com eletricidade, uma vez que os animais podem se deslocar entre os trechos de matas, sem transitar por vias públicas. “A cidade necessita de uma política preventiva, com planejamento ambiental eficiente e adequado, que contribua para minimizar os malefícios causados pela crescente ação humana e essa proposta vai ao encontro dessa demanda”, destacou o subtenente.

Para o vereador Natalini, o encontro pode abrir caminho para a melhoria das políticas públicas voltadas à fauna silvestre do município. “Nosso evento é o primeiro da Câmara sobre isso. Busca levantar as ações já existentes relacionadas aos animais silvestres, com o objetivo de melhorar a atuação nessa área. Precisamos transformar a realidade e fazer com que a relação dos humanos com os animais silvestres melhore”, concluiu Natalini.