No Brasil, a democracia conquistada a duras penas em 1985 e reafirmada pela Constituinte de 1988 dá sinais explícitos de adoecimento.
A República brasileira expõe, cada dia mais, o apodrecimento de suas estruturas, carcomidas por graves desvios políticos, econômicos, sociais e morais.
A cada momento surgem fatos e notícias do processo de degeneração de nossas instituições e lideranças.
Assim, todos os poderes da República, Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, e muitas entidades empresariais, organizações da sociedade civil, igrejas, sindicatos, partidos políticos e pessoas individuais, caíram na teia imensa e perigosa da polarização política tóxica, do fisiologismo, do populismo, do corporativismo e da incompetência, levando o Brasil para um perigoso lugar que coloca em risco a Democracia.
Os poderes públicos brigam entre si, não pelas boas causas, mas defendendo privilégios e seus desvios morais e éticos.
Ministros e Juízes, acumulam fortunas obtidas de condutas que envergonham suas togas.
Parlamentares, atuam no seu interesse pessoal, produzindo um circo de horror, com escândalos que se repetem há décadas.
O Poder Executivo desde o Federal, até os municípios perderam o pudor e desviam o suado dinheiro do imposto pago pelo povo, que se manifestam em mega escândalos, como o Mensalão, o Petrolão, o Emendão, o Descontão e agora o Masterzão.
Os acordos políticos são usados para blindar as bandalheiras das “dignas” autoridades da República brasileira.
Muitas empresas, instituições e organizações sociais entram nessa ciranda macabra de corrupção e de patrimonialismo participando como atores principais nesse teatro do absurdo que se instalou no Brasil.
Parcela importante de nossa população naturalizou essa situação trágica em que nosso país se afundou. Não é raro ouvirmos das pessoas do povo a frase: “se eu estivesse lá, eu também roubava”.
É preciso aqui registrar um agravante a toda essa situação, que é o crescimento e a infiltração em todas as regiões e instituições do Brasil do crime organizado.
As quadrilhas do tráfico de drogas, de armas e de pessoas, hoje fazem parte da vida brasileira, tendo representantes eleitos e indicados nos poderes públicos, inclusive nos órgãos de segurança pública, diversificando suas ações e tornando-se uma “holding dos negócios do crime”. Funcionam como empresas. Já é a 8ª máfia do mundo, movimentando bilhões de reais. Uma praga que cresceu na sociedade brasileira.
Mas, um país jamais será uma nação, se não tiver o interesse público republicano em primeiro lugar. Não tem sido nossa realidade.
Portanto, coloca-se diante de nós uma tarefa gigantesca de agregar as forças e as pessoas que tem o compromisso de aprofundar e sanear nossa Democracia, no caminho da liberdade política, do desenvolvimento sustentável, da equidade social e da moralidade pública.
A vida dos verdadeiros democratas e patriotas brasileiros nunca foi fácil. E a tarefa que nos é colocada é hercúlea.
Mas o Brasil merece o esforço e a dedicação de todos nós.
Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista