Gilberto Natalini SP

Uma das piores consequências do aquecimento global, e das suas mudanças climáticas, é o calor extremo. Isso se podemos falar que há uma pior.

Mas as ondas de calor, que vem se repetindo no mundo e por aqui, com mais frequência e mais intensidade, causam estragos muito maiores do que a desconfortável sensação térmica existente.

O corpo humano é feito para funcionar dentro de uma variação limitada de temperatura, entre o limite do frio e do calor.

Tanto o frio excessivo como o calor excessivo causam prejuízos aos tecidos do corpo humano (e dos outros seres vivos), que podem ser fatais.

Acima de 35°C, nosso organismo começa a sentir os efeitos deletérios, que produzem o desconforto térmico, o desarranjo funcional dos órgãos, e até, nos casos extremos, a morte.

Os termômetros têm registrado em várias ocasiões de cada ano, acontecendo em regiões cada vez mais abrangentes, valores que ultrapassam os 40/45°C, com sensação térmica que tem chegado a 50°C. Os resultados disso ainda são pouco conhecidos pelas pessoas. Mesmo os médicos e os cientistas ainda sabem pouco sobre isso e tratam do assunto.

O fato é que o calor extremo tem sido o pior fenômeno climático, o que mais tem atingido, afetado e matado pessoas.

Ao chegar acima de 35°C, a temperatura causa profundas alterações na homeostase corporal dos seres vivos, produzindo e desenvolvendo alterações fisiológicas no sistema cardiorrespiratório, nervoso, e em outros órgãos de nosso corpo. Assim, principalmente em crianças e idosos, causa perda de água, desidratação, alterações de pressão arterial, e de viscosidade do sangue.

Em pessoas com doenças preexistentes, aumenta a incidência de infarto, AVC, insuficiência renal, e efeitos neurológicos, podendo chegar a um desfecho fatal.

É preciso esclarecer e alertar as pessoas para que se previnam e se tratem dessas moléstias.

Está provado cientificamente que durante as ondas severas de calor, o número de infartos e derrames aumentam bastante. E muitos óbitos que acontecem nesse período têm relação direta com as altas temperaturas. Assim, é preciso evitar a exposição ao sol nesses momentos, evitar praticar exercícios físicos nas horas críticas, hidratar-se muito, mesmo que não tenha sede, e também ter atenção redobrada para qualquer sintoma físico diferente.

Os ambientes arejados e refrigerados são indicados no calor intenso, na medida das possibilidades. As sombras das árvores são providenciais.

E em caso mais agudos, deve-se procurar um serviço de saúde.

Os médicos e demais profissionais de saúde são agentes fundamentais no esclarecimento, e na mobilização da população para ações concretas na prevenção e combate às consequências do calor extremo.

Todos esses cuidados individuais devem ser acompanhados de medidas coletivas para prevenir o aquecimento global.

Cada pessoa tem um papel muito importante para ajudar a evitar uma trágica marcha do Planeta rumo a temperaturas mais altas, que estão alterando todo o equilíbrio do clima.

Em próximos artigos abordaremos como cada um pode e deve ajudar.

Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista