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Gilberto Natalini SP

O Brasil é campeão mundial de feminicídios.

É vice-campeão de mortes por assassinatos.

É campeão mundial de carros blindados.

E disputa o campeonato global de desigualdade social.

Mas não vou falar sobre o Brasil. Vou falar sobre São Paulo, a Cidade.

Tenho conversado com muitas pessoas sobre a vida por aqui.

Com todos que eu falo, sempre tem uma notícia, um episódio, um caso de vítima da violência urbana. Ou é a própria pessoa, um parente, um amigo, um conhecido.

O fato é que ninguém vive mais tranquilo por aqui.

Um celular roubado aqui, um dinheiro tomado ali, um roubo de carro acolá, uma invasão de casa mais pra lá, um crime sexual, um feminicídio, um assalto a mão armada, um golpe virtual mais pra frente.

É assim que o paulistano está vivendo. Uma pandemia de crimes de grande, médio e pequeno porte.

A pandemia do medo e da insegurança caminha junto.

Não temos paz durante o dia, e a noite o medo é gigante.

São quadrilhas de todos os tipos e tamanhos, e também ladrões e espertalhões avulsos que aterrorizam a vida dessa Cidade, nas ruas, no transporte, nas casas, nos espaços públicos e privados, nas redes sociais.

Todas as medidas tomadas pelos poderes públicos parecem ser insuficientes. As pessoas vivem com medo cotidiano, e tomando cuidados individuais severos, para sua própria segurança.

Sabemos que as causas dessa explosão criminosa são várias e complexas.

Sabemos também que os exemplos dados pelas autoridades, nos escândalos de roubalheira e corrupção, servem de estímulo para as práticas ilícitas.

Sabemos que parte dos órgãos de segurança tem envolvimento com práticas condenáveis.

O fato é que enquanto o crime organizado cresce e aparece, o cidadão comum vive apavorado no seu dia a dia, e não há horizonte de melhora a curto e médio prazo.

Como dizia João Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”!

Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista