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Gilberto Natalini SP

Ninguém vive sem ar!

Alguns minutos sem respirar podem causar a morte de uma pessoa.

O oxigênio, que compõe cerca 21% da atmosfera, é um elemento da natureza fundamental à vida.

É claro que o ar é composto de muitos outros gases. Também contém elementos  em suspensão, como pólen, micro-organismos e material particulado, alguns deles muito nocivos à saúde humana, como a fuligem e os compostos de enxofre, geralmente presentes na poluição das grandes cidades.

Mas há um componente do ar do qual pouco se fala e que desempenha um papel estratégico na respiração humana: o vapor d’água.

Sabemos que, para ser saudável, o ar que respiramos deve apresentar umidade relativa em torno de 60% ou mais.

O vapor d’água desempenha um papel fundamental na fisiologia dos pulmões, umidificando e hidratando os brônquios, bronquíolos e alvéolos, além de ajudar a remover impurezas inaladas.

É aí que mora o perigo!

Nos períodos de pouca chuva, especialmente durante o inverno, o ar fica muito seco e a sua humidade cai bem abaixo dos níveis ideais para o sistema respiratório.

Com as grandes estiagens provocadas pela crise climática, a umidade do ar pode atingir índices inferiores a 30%.

Isso compromete o funcionamento dos pulmões, além de provocar irritação nas mucosas dos olhos, do nariz e da boca.

Essa situação se agrava com a intensa poluição do ar nas grandes cidades e com a fumaça das queimadas florestais.

O resultado dessa combinação nefasta é o aumento exponencial das doenças respiratórias, como as bronquites e as pneumonias.

Por isso, durante os invernos secos e poluídos, especialmente nas grandes cidades, os serviços de saúde ficam abarrotados de pacientes, em grande parte devido à poluição gerada pela frota de veículos.

As principais vítimas dessa situação são as crianças e idosos, mas os adultos também sofrem.

Com as mudanças climáticas, as estiagens prolongadas tornaram-se mais frequentes. Ao mesmo tempo, as queimadas se repetem, liberando grandes quantidades de fuligem na atmosfera.

É a receita perfeita para o aumento das doenças respiratórias, muitas vezes agravadas pela presença de micro-organismos patogênicos que causam as infecções pulmonares.

A solução para esse problema não é simples. Ela exige desde cuidados pessoais e mudanças de comportamento até políticas públicas de longo alcance.

Mas isso deixaremos para um próximo artigo.

Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista