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Gilberto Natalini SP

Estamos em franco processo eleitoral para os cargos majoritários do país.

Mais uma vez as eleições estão polarizadas por duas forças políticas produzidas artificialmente nos últimos tempos, que dominaram a agenda política nacional, de forma tóxica e nociva: os chamados “direita” e “esquerda”. Entre aspas mesmo.

E porque entre aspas?

Na verdade, estas dominações históricas, que vem da revolução francesa e que hoje não condiz mais com a realidade mundial, no Brasil, tomaram formas caricatas e falsas.

Esses polos políticos aqui se caracterizam por semelhanças nocivas.

Ambos, representados pelo bolsonarismo e pelo lulopetismo, têm histórico trágico de corrupção, de ligações com grupos da criminalidade, com um fisiologismo gigantesco, com formas demagógicas e populistas de governar.

Ambos estão envolvidos com grandes escândalos de corrupção e roubalheira, e denúncias contra seus líderes e seus familiares, e com prisões vexatórias de um lado e de outro.

Nenhum desses dois grupos pode apontar o dedo para o outro, com acusações morais, sem mostrar seu próprio rabo sujo por escândalos escabrosos,

Além disso, no campo da política econômica, ambos são leais serviçais dos rentistas nacionais e internacionais, que drenam a metade da riqueza produzida no Brasil, com juros e serviços da dívida pública.

Tanto a “direita”, quanto a “esquerda”, convivem com isso.

No campo das liberdades democráticas, esses arautos da polarização atuam de forma diferente.

Enquanto o bolsonarismo ameaça de forma aberta a nossa frágil Democracia, levantando a sombra da espada da ditadura a cada momento, e pregando o atraso nas políticas sociais e de costumes, o lulopetismo flerta com ditadores facínoras do mundo inteiro, falando o tempo inteiro de Democracia, mas aparelhando os órgãos da República, intimidando as lideranças populares, num processo de cooptação/exclusão de quem pensa diferente deles.

As verdadeiras forças democráticas do Brasil se desorganizaram e se apequenaram diante do processo político.

A busca de um Centro Democrático e Ético como alternativa política ainda não conseguiu acumular forças para se apresentar ao país, com nomes e plataformas competitivas. Isso é absolutamente necessário e urgente.

Enquanto não acontece, entramos em mais uma eleição polarizada por dois lados, que se auto alimentam, que se dependem e que detém a rejeição da maioria do povo brasileiro.

Na verdade, o que estamos presenciando é um processo eleitoral, em que os dois principais candidatos são rejeitados por enorme parcela do povo brasileiro: o petista tem 53% de rejeição, e o bolsonarista tem quase 50% também.

Daí, ao invés de ouvirmos propostas de governo de ambos, ouvimos uma saraivada de acusações mútuas, e pior, uma enxurrada de denúncias nas condutas morais dos candidatos, familiares e correligionários.

Confirma-se assim a profecia de Stanislaw Ponte Preta, no “Festival de Besteiras que Assola o País”. O famoso FEBEAPA.

Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista