Estamos em franco processo eleitoral para os cargos majoritários do país.
Mais uma vez as eleições estão polarizadas por duas forças políticas produzidas artificialmente nos últimos tempos, que dominaram a agenda política nacional, de forma tóxica e nociva: os chamados “direita” e “esquerda”. Entre aspas mesmo.
E porque entre aspas?
Na verdade, estas dominações históricas, que vem da revolução francesa e que hoje não condiz mais com a realidade mundial, no Brasil, tomaram formas caricatas e falsas.
Esses polos políticos aqui se caracterizam por semelhanças nocivas.
Ambos, representados pelo bolsonarismo e pelo lulopetismo, têm histórico trágico de corrupção, de ligações com grupos da criminalidade, com um fisiologismo gigantesco, com formas demagógicas e populistas de governar.
Ambos estão envolvidos com grandes escândalos de corrupção e roubalheira, e denúncias contra seus líderes e seus familiares, e com prisões vexatórias de um lado e de outro.
Nenhum desses dois grupos pode apontar o dedo para o outro, com acusações morais, sem mostrar seu próprio rabo sujo por escândalos escabrosos,
Além disso, no campo da política econômica, ambos são leais serviçais dos rentistas nacionais e internacionais, que drenam a metade da riqueza produzida no Brasil, com juros e serviços da dívida pública.
Tanto a “direita”, quanto a “esquerda”, convivem com isso.
No campo das liberdades democráticas, esses arautos da polarização atuam de forma diferente.
Enquanto o bolsonarismo ameaça de forma aberta a nossa frágil Democracia, levantando a sombra da espada da ditadura a cada momento, e pregando o atraso nas políticas sociais e de costumes, o lulopetismo flerta com ditadores facínoras do mundo inteiro, falando o tempo inteiro de Democracia, mas aparelhando os órgãos da República, intimidando as lideranças populares, num processo de cooptação/exclusão de quem pensa diferente deles.
As verdadeiras forças democráticas do Brasil se desorganizaram e se apequenaram diante do processo político.
A busca de um Centro Democrático e Ético como alternativa política ainda não conseguiu acumular forças para se apresentar ao país, com nomes e plataformas competitivas. Isso é absolutamente necessário e urgente.
Enquanto não acontece, entramos em mais uma eleição polarizada por dois lados, que se auto alimentam, que se dependem e que detém a rejeição da maioria do povo brasileiro.
Na verdade, o que estamos presenciando é um processo eleitoral, em que os dois principais candidatos são rejeitados por enorme parcela do povo brasileiro: o petista tem 53% de rejeição, e o bolsonarista tem quase 50% também.
Daí, ao invés de ouvirmos propostas de governo de ambos, ouvimos uma saraivada de acusações mútuas, e pior, uma enxurrada de denúncias nas condutas morais dos candidatos, familiares e correligionários.
Confirma-se assim a profecia de Stanislaw Ponte Preta, no “Festival de Besteiras que Assola o País”. O famoso FEBEAPA.
Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista