Gilberto Natalini SP

Ando em São Paulo de transporte coletivo, na grande maioria das vezes. Emite menos poluição.

Desse, o Metrô é o preferido. Bem lotado, quase sempre, é rápido, eficiente e limpo. E como sou 60+, tenho a carteira da gratuidade.

Nos ônibus, fico vaidoso quando pego um “verdinho”, os elétricos que são consequência da Lei 16802 de 2017, de nossa autoria. Um sucesso!!

Dentro do metrô, observo que a quase totalidade das pessoas estão com o celular na mão. De cabeça baixa, olhos na telinha e os dedos teclando freneticamente, muitas com fone de ouvido, tudo ao mesmo tempo.

Mal olham para o lado, pouco falam ou quase nada, entretidos que estão com suas mensagens eletrônicas, seus sonhos à distância, suas alegrias e angustias solitárias.

É uma cena estrambólica. Tirando os poucos que estão dormindo, e que vão enfrentar a longa jornada de mais um dia de vida sofrida, e os pouquíssimos que ainda ousam trocar algumas palavras, aquele aglomerado humano e metropolitano está imerso na telinha do celular no metrô.

Fico imaginando o que os absorve quando o sinal fica cego, ou quando reaparece dentro do túnel escuro e subterrâneo.

Logo me convenço, e confesso, sem espionar a tela de ninguém, que aquelas pessoas estão viajando pelo planeta, desde este vagão de trem, conversando com suas famílias, discutindo com seus desafetos, curtindo seu amores e desamores, comprando e vendendo coisas, jogando, perdendo ou ganhando dinheiro, fazendo ou desfazendo negócios, estão sonhando realidades virtuais num mundo infinito da tecnologia da informação.

Estão sendo mais felizes ou infelizes, na solidão dos circuitos de seus celulares no metrô.

Daí me bate uma dúvida, um sentimento não de felicidade ou sofrimento, mas de interrogação: o que será de nós?

Mergulhar numa telinha de 10x15cm, ficar horas por ali, até os dedos e os braços doerem de tendinite e os olhos arderem de secura. Então vem outra pergunta: quo vadis homo sapiens?

A tecnologia e a solidão cibernética falam mais alto.

Espero que esse caminho traga mais calor humano. Será?

Então, para não ficar um pato fora d’água, ligo meu celular e sigo viagem.

Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista