Está rolando as eleições majoritárias e parlamentares no Brasil.
Para Presidência da República temos inúmeros candidatos, mas pela polarização infeliz que o país vive, somente duas candidaturas parecem se impor. São os “ ícones da polarização”. De um lado, Lula do PT, e do outro Flavio do clã Bolsonaro.
Mas, acompanhando as falas de todos os pretendentes, inclusive dos dois polarizados preferidos, não vemos uma só palavra, umazinha sequer, sobre sustentabilidade, clima e meio ambiente. Nenhuma análise, avaliação ou referência ao que mais ameaça a humanidade e os brasileiros; os fenômenos extremos das mudanças climáticas.
Para esses candidatos, parece que esse problema não existe, sendo que ele é o problema dentro dos problemas.
É certo que a situação econômica do Brasil é catastrófica, com 90 milhões de endividados, falências se multiplicando, crescimento econômico ameaçado, juros escorchantes e uma dívida externa que já passa de 10 trilhões de reais.
É certo que a situação social aqui é vergonhosa. Somos campeões, ou vice, de desigualdade social e campeões mundiais de feminicídios. Disputamos o campeonato mundial de mortes por assassinatos e outras tantas por acidentes de trânsito.
É certo que o Brasil está no ranking mundial dos países mais corruptos.
É certo que os dois principais candidatos visitaram as cadeias e tem, cada um, mais de 50% da rejeição popular.
Mas com todo esse quadro sombrio, sobrepõe-se as imensas ameaças, já sendo concretizados, das catástrofes climáticas e da degradação ambiental.
Assim, vemos todos os dias, chuvas destrutivas e ventos uivantes no sul, estiagens terríveis no norte e centro-sudeste e calor extremo aqui e acolá.
Vemos também uma agricultura insustentável, o ar das cidades poluído, a escassez hídrica nas metrópoles, a Amazônia e Mata Atlântica sempre ameaçadas.
Vemos despejarem 50% do esgoto humano nos cursos d’água, a existência de cerca de 1800 cidades com lixões, e a “farra do boi” dos plásticos no solo e nos oceanos.
Portanto, qualquer candidatura presidencial ou parlamentar decente, deveria abordar, além dos problemas políticos, econômicos e morais que são imensos, a questão da sustentabilidade, o clima e o meio ambiente.
E isso nós não temos visto por aqui.
Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista