Água nossa de todo dia. Ninguém vive sem água! Vira graveto!!
A região metropolitana de São Paulo tem quase 22 milhões de habitantes, sendo 12 milhões na capital.
Cerca de 4 milhões são abastecidos pela água da Represa de Guarapiranga (garça vermelha), que fica na Zona Sul da Cidade. Esse grande reservatório é formado por 12 córregos e centenas de nascentes que brotam do que ainda existe de mata atlântica remanescente na região.
O espelho d’água da Guarapiranga que tem 27 Km² de extensão, e sua bacia hidrográfica possui 638 Km².
A represa tem 118 anos e foi inaugurada em 1908. É cercada pelas Subprefeituras de Capela do Socorro, M’Boi Mirim e Parelheiros.
No decorrer do tempo foi sendo ocupada por sítios e pequenas fazendas, depois por imobiliárias clandestinas, que lotearam bairros, até hoje ilegais, ocupações por movimentos populares de moradia, invasões formiguinhas e por último uma devastação feita pelo crime organizado que derrubou 1,5 milhão de árvores e assoreou 1000 nascentes.
Assim, hoje a região do reservatório é densamente povoada, até as margens lindeiras ao espelho d’água. São cerca de 1 milhão de habitantes na bacia hidrográfica da Guarapiranga, desses 70% são da Cidade de São Paulo. São 207 mil desses morando em favelas.
Esse imenso espelho d’água, vem morrendo aos poucos no decorrer do tempo, principalmente nos últimos 30 anos.
A causa para esse “assassinato” é multifatorial, e tem se agravado a cada dia.
A ocupação desordenada e predatória, seja qual for, é a principal causa.
A imensa pressão social por moradia, somada à fraqueza e desleixo dos poderes públicos fizeram das áreas de mananciais grandes conglomerados de bairros, que destruíram a mata nativa, assorearam nascentes e trouxeram grandes massas de poluentes que feriram mortalmente o corpo da Represa Guarapiranga, a caixa d’água da Região Sul de São Paulo.
Cerca de 50% do esgoto coletado de 1 milhão de moradores lindeiros à represa é devolvido ao espelho d’água, sem nenhum tipo de tratamento. Há também a poluição difusa, levada pelas chuvas e ventos de milhares de ruas e calçadas que circundam a área.
E ainda temos o lixo doméstico despejado nos córregos e nas margens, que se depositam dentro do reservatório.
Somada à toda essa agressão, temos ainda à alteração do regime de chuvas, que em período de longas estiagens, produz enorme redução do volume de água reservado.
Por tudo isso, a situação da Represa de Guarapiranga é muito grave, havendo um grande risco de sua inviabilização.
Pouca coisa vem sendo feita pelos governos e pela empresa que retira a água e deveria tratar os esgotos despejados lá.
A eutrofização e o assoreamento da represa são assustadores. O tratamento dessa água se torna inviável. A continuar assim, Guarapiranga caminha para a morte, deixando de ser um manancial para 4 milhões de pessoas que ficarão sem água em suas torneiras, pois não há outra fonte que substitua Guarapiranga.
Diante dessa trágica situação, nós estamos propondo uma corrente de lideranças e entidades que estejam dispostas a cobrar soluções urgentes para tentar salvar a Represa de Guarapiranga.
Convido você para participar de reunião de organização do movimento “Salvemos a Guarapiranga”.
Será no dia 23 de setembro de 2026, às 16 horas, no Sindicato dos Engenheiros, Rua Genebra, número 25.
Compareça!
Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista