Gilberto Natalini SP

A Cidade de São Paulo sempre inovando.

Agora, foi criado o chamado Orçamento Climático, e esse ano está consolidado em 28 bilhões de reais. Esse orçamento é distribuído em diversas Secretarias Municipais e diz respeito aos gastos com ações de mitigação e adaptação nos fenômenos das mudanças climáticas.

Assim, estão previstos para 2026 como alguns exemplos: drenagem pluvial e áreas de riscos geológicos – 10 bilhões de reais; manutenção e implantação de parques, arborização urbana – 5 bilhões; eletrificação da frota de ônibus, corredores de transporte público e modernização semafórica – 39 bilhões; regularização e urbanização de favelas, programa mananciais – 16 bilhões de reais.

O orçamento total da Cidade é de 130 bilhões de reais. A destinação de 25% disso para ações climáticas é uma inovação positiva no caminho de uma São Paulo mais resiliente e mais sustentável.

É claro que ainda não é suficiente diante de todo o enorme desafio que vulnerabilidade climática exige. E também é preciso seguir com detalhes a execução desses recursos carimbados para as políticas ambientais.

Mas, sem dúvida, a metrópole paulistana sai na frente mais uma vez.

A Lei Municipal das Mudanças Climáticas de 2009, foi pioneira no Brasil, assim como a Lei de Reuso da Água e a eletrificação da frota urbana de ônibus, entre muitas outras legislações.

Quase 80% da população do mundo vive nas cidades. Assim, esses aglomerados de pessoas, as vezes gigantescos, são os mais vulneráveis diante dos eventos climáticos extremos, como chuvas violentas, calor intenso, ciclones e tornados, e escassez hídrica.

Em várias partes do globo, vivemos essas agressões da natureza.

Aqui no Brasil temos os exemplos do Rio Grande do Sul, da Serra Fluminense, do Litoral Norte Paulista, e agora, várias cidades em Minas Gerais.

Existem cerca de 10 milhões de brasileiros morando em áreas de risco, sujeitos a deslizamento e enchentes. No ano passado muitos milhares de pessoas morreram em consequência de ondas de calor, que desencadeiam doenças como AVC e infarto do miocárdio.

No Paraná, uma cidade inteira foi destruída por um tornado.

São Paulo tem muitas áreas de vulnerabilidade social, ambiental e climática. E tem sido realizadas várias iniciativas para diminuir esse risco.

Mas é preciso dar mais velocidade nessas ações, pois o tempo não para.

O Orçamento Climático é uma boa iniciativa para avançarmos.

Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista