Envelhecer, viver e conviver

A Humanidade está ficando mais velha. As pessoas estão vivendo cada vez mais e a expectativa de vida no mundo que era de 65 anos em 1980, passou a ser de 80 anos, nos dias de hoje.

No Brasil esse envelhecimento está sendo bem mais rápido, e na cidade de São Paulo também.

Assim, São Paulo, tem hoje 1 milhão e 800 mil pessoas com mais de 60 anos e estima-se que em 2050 essa população vai triplicar.

Aí vem a pergunta: a cidade, o Governo, as instituições, as famílias, todos nós, estamos preparados para receber esse contingente de idosos que vai tomando o cenário da sociedade?

A resposta é NÃO! Não estamos preparados.

Começo pela Previdência Social. O rendimento da maioria dos aposentados é absolutamente insuficiente para garantir uma boa sobrevivência. E às vezes, na crise social, o salário do aposentado é a única renda de toda a família.

Os atendimentos sociais, culturais, médicos, educacionais e outros são muito diferentes para o jovem, adulto e para o idoso.

O idoso tem várias necessidades especiais, inclusive de saúde, psicológicas e de mobilidade.

Definitivamente a cidade não está preparada para lidar com essas necessidades.

O transporte, a segurança, a saúde, a educação, a cultura, a convivência, o bem estar deixam muito a desejar na cidade, para todos, mas muito mais para os idosos.

Em que pesem os esforços legais, urbanísticos, assistenciais para receber cada vez um maior contingente de idosos na cidade, os esforços ainda são insuficientes.

São Paulo não é uma cidade amiga do idoso. O que nós queremos é que ela passe a ser, o mais rápido possível.

Muita gente, muitos grupos, Igrejas, muitas entidades e órgãos de governo se dedicam a promover o bem estar dos idosos.

Isso envolve uma grande rede de serviços, voluntário ou não, que alcança milhares de pessoas com mais de 60 anos.

Esse trabalho ainda é muito pouco coordenado entre si, e o resultado ainda é muito difícil mensurar.

De nossa parte, desde que entramos na Câmara Municipal, trabalhamos fortemente com o tema.

Assim, criamos na Prefeitura em 2005 a Coordenadoria do Idoso da cidade.

Aprovamos várias Leis, como a que cria o Programa de Envelhecimento Ativo, a que cria o Programa de Cuidadores de Idosos, Agita Sampa, a que permite idosos e mulheres a descer fora do ponto de ônibus das 22h às 5h, dentre tantas outras. Também sou autor do projeto de lei para melhoria das calçadas da cidade.

Promovemos desde 2013, mensalmente, em parceria com o grupo Apoio, o Curso para Cuidador de Idoso, por onde já passaram quase 6 mil pessoas. Também fazemos muitos Encontros Temáticos.

E realizamos quatro grandes Congressos de Envelhecimento na Câmara Municipal, junto com mais de 30 parceiros, onde participaram aproximadamente 1000 pessoas por evento.

Várias atividades e serviços na cidade foram implantados por essas iniciativas, como por exemplo, a academia ao ar livre, cuja primeira foi inaugurada no Parque das Bicicletas pela Secretaria de Esportes, a nosso pedido, em 2005.

Preparar São Paulo para muitos milhões de idosos é uma tarefa gigantesca. Estamos nela!

Gilberto Natalini
Médico e Vereador (PV/SP)