NÃO DÁ PRA SER FELIZ!

Não é possível mais viver por aqui com o mínimo de tranquilidade. O número de ladrões, armados e desarmados, de falsários, de quadrilheiros, de corruptos, de abusadores, de assassinos, de delinquentes, de golpistas, está transbordando as estatísticas. Ninguém mais tem segurança de viver nesse lugar e nesse país. Rouba-se de tudo, de dia e de noite, nas ruas e nas casas, nos bairros ricos e pobres, na presença física e virtual. Rouba-se desde celulares até contas bancárias, passando por carros, joias e equipamentos. Roubam-se os sonhos, a esperança e o sossego. Roubam-se vidas. O Brasil, em cada canto, transformou-se num grande caldeirão de safadeza, corrupção, violência e criminalidade. Roubam a paz, minimamente necessária para se viver. Há muitas narrativas para essa explosão de criminalidade. A abissal desigualdade social do país, certamente é uma das causas principais. Mas a lassidão das leis, a morosidade do judiciário, a impunidade, a corrupção dos poderes públicos e privados, os exemplos deploráveis dos governantes são “multicausas” dessa situação. Também existe o histórico de formação do Brasil como Nação, desde seu descobrimento, colonização, império e república, com seus episódios repetidos de falcatruas e exploração. Somos um país grande, populoso, diverso, criativo, operoso, produtivo. Somos um povo afetivo e solidário em muitas ocasiões. Mas a violência e a morte têm explodido em cada esquina. Viver no Brasil de hoje se tornou perigoso, pelo volume de ameaças à segurança e à vida, principalmente nos grandes centros urbanos. A frouxidão dos governos ao tratar do assunto e a cumplicidade de muitos agentes públicos com as quadrilhas do crime organizado, refletem-se diretamente na ausência de políticas eficientes para garantir tranquilidade ao povo brasileiro. Infelizmente essa incompetência e inoperância está contida em todas as correntes ideológicas e políticas do país. Vai ser difícil sairmos dessa situação. Será preciso um choque de coragem, de moralidade, de participação popular para consertar o Brasil, dentro dos limites da Democracia. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O FRIO DAQUI E O CALOR DE LÁ

Está fazendo um frio mais intenso por aqui, que começou mesmo antes do inverno, principalmente no sul sudeste do Brasil, com temperaturas às vezes abaixo dos 10°C. E a previsão é de chegada de nova frente fria, que vai derrubar ainda mais a temperatura. Fazia tempo que não víamos isso. Por outro lado, nos EUA e na Europa, uma onda de calor intenso está adoecendo e matando gente. Na França, temos notícia da morte de 1.300 pessoas diretamente relacionada ao calor extremo. O Norte da Europa também se aqueceu bastante. A Ciência afirma, e nós sabemos, que essas variações atípicas do tempo se devem as mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global. As previsões futuras não são animadoras. Os fenômenos climáticos extremos caracterizados pelo calor, ondas de frio intenso, chuvas violentas e destruidores, secas prolongadas que devastam os cursos d’água, a agricultura, a segurança hídrica, e também ventos de alta velocidade, entre outros eventos. Esse é o “novo normal” do clima. O mais desesperador, é que, apesar do alerta, dos modelos de mitigação e adaptação que o mundo vem tomando, as emissões de gases de efeito estufa, principalmente pelo CO2, aumentam a cada ano. A transição energética, tão almejada e necessária, não tem conseguido diminuir a queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) pelo mundo afora. A velocidade das medidas praticadas pela humanidade para a precaução e prevenção das mudanças climáticas têm sido mais lenta do que o avanço da temperatura média do Planeta. Esse é o fato! Diante da ameaça concreta de degradação ambiental e colapso climático, cabe a cada um de nós tomarmos nossas medidas individuais, e fazermos a devida pressão na sociedade e nos governos para avançarmos na transição energética, na proteção e recuperação do meio ambiente, em nosso território e em todo mundo Portanto, passar da a consciência para a ação concreta é uma tarefa de cada um, em nome da preservação da vida. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
Democracia, soberania e vida com dignidade para os venezuelanos !!!

O povo da Venezuela tem sofrido muito com ditaduras, com intervenções estrangeiras, e agora com esse terremoto terrível. Merece todo o nosso apoio e solidariedade. Democracia, soberania e vida com dignidade para os venezuelanos !!!
O PAPA ME SURPREENDEU!

É inegável a tradição, o tamanho e a influência da Igreja Católica de Roma sobre a humanidade. Mesmo os que não estão entre os 1,2 bilhão de católicos, têm a influência direta ou indireta dessa potência histórica fundada por Pedro. Já mandou mais, muito mais! Mas mantém um poder político e religioso imenso. Eu admirava o Papa Francisco pelo seu jeito de pensar e agir. Revelava sensibilidade humana e não tinha medo de enfrentar os descaminhos da “vida moderna”, do poder e do dinheiro. Quando ele morreu, eu, mesmo não sendo católico, senti muito. E pensei: foi-se um papa progressista e antenado com seu tempo. Como é de praxe, a cúpula da igreja se reuniu e escolheu o novo papa, Leão IV. Eu não o conhecia. Nunca tinha ouvido falar dele. Era americano e pouco expressivo pelo menos na minha opinião. Assumiu o trono, e começou manso, tímido, falando baixo, quase inaudível. Pensei: vai ser um papa inexpressivo. Confesso que me enganei. Aos poucos, Leão IV, (que nome!!!) foi levantando a voz, e na sua pouca estatura foi ficando de pé, alcançando um tamanho enorme no mundo católico e fora dele. Sua voz vai sendo ouvida nos quatro cantos do Planeta, suave e firme, em favor das boas causas. Primeiro enfrentou Trump, o aloprado do mal, seu compatriota, que dirige de forma estabanada e agressiva os EUA. Trump reagiu com baixaria, como sempre, e Prevost retrucou com classe e galhardia. O Papa fala firme contra as guerras, os preconceitos sociais e a pobreza. Fala do meio ambiente e do clima com precisão. Diz do desespero dos imigrantes e dos excluídos. O Papa aponta o dedo para os autocratas, condena os ditadores, os senhores das guerras e os rentistas parasitas. Gosto de ouvi-lo falar e cobrar uma consciência humana dos humanos. E eu, que não tenho fé religiosa, estou gostando da postura desse líder religioso. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
TRUMP PERDEU A GUERRA!

Esse Donald Trump acredita ser o xerife do mundo. Montado no império econômico e militar americano ele tem tumultuado a ordem mundial com atitudes e ações dignas de um maluco empoderado, num vai e vem aloprado, com ameaças, blefes, bazófias e intervenções políticas e militares em outros países. Dentro dessa tática, Trump declarou a guerra ao Irã argumentando uma ameaça nuclear, mas principalmente pela disputa do petróleo local. A ditadura teocrática dos aiatolás estava sendo balançada pelos protestos do povo iraniano, que clama por liberdade. A ação bélica de Trump foi um fracasso. Além de não vencer no campo de batalha, o americano conseguiu ter o mundo contra ele, e pior, deu um folego ao regime dos poderosos do Irã com sua ditadura sanguinária. Um fiasco da geopolítica. Agora, Donald Trump vem “pianinho”, trazendo com falsa arrogância um “tratado de paz”, que é desrespeitado a todo instante pelo facínora Netanyahu e pelos atos terroristas do Hezbollah. O mundo passa por grave crise política, econômica e ambiental. O momento é de muito bom senso e soluções dialogadas, que respeitem o multilateralismo a sustentabilidade e a convivência pacífica. Esse é o caminho a ser construído para a governança global. E o atual presidente dos EUA vai na contramão da história. Sua derrota no Irã, apesar da destruição e da trapalhada já feitas, é um alerta contra novas aventuras. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
A DUPLA FACE DA VIDA

Somos um bicho muito esdrúxulo. Ao mesmo tempo carinhosos e violentos, criativos e destrutivos, pacíficos e belicosos, sinceros e mentirosos. Nós, os bichos humanos. Podemos dizer que somos um com a luz acesa e outro com a luz apagada, sendo os mesmos. Ao mesmo tempo que vivemos e convivemos em grupos sociais, podemos ser radicalmente individualistas. Já vimos gente que em instantes passa da mais pacata pessoa para uma agressividade fatal. Essa dualidade de ser está entre nós, rompendo os dias, os séculos e os milênios, e por mais que se evolua no tempo a dupla face humana permanece igual. O bem e o mal, o bom e o mau estão na mesma pessoa. As fantasias e os sonhos de vida enfeitam, convivem, entrelaçam o comportamento de cada um, mas não modificam a essência dualista que nos abriga. Nunca conseguiram explicar o porquê dessa contradição. Apenas é constatada e legitimada. Que assim seja!! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O CELULAR NO METRÔ!

Ando em São Paulo de transporte coletivo, na grande maioria das vezes. Emite menos poluição. Desse, o Metrô é o preferido. Bem lotado, quase sempre, é rápido, eficiente e limpo. E como sou 60+, tenho a carteira da gratuidade. Nos ônibus, fico vaidoso quando pego um “verdinho”, os elétricos que são consequência da Lei 16802 de 2017, de nossa autoria. Um sucesso!! Dentro do metrô, observo que a quase totalidade das pessoas estão com o celular na mão. De cabeça baixa, olhos na telinha e os dedos teclando freneticamente, muitas com fone de ouvido, tudo ao mesmo tempo. Mal olham para o lado, pouco falam ou quase nada, entretidos que estão com suas mensagens eletrônicas, seus sonhos à distância, suas alegrias e angustias solitárias. É uma cena estrambólica. Tirando os poucos que estão dormindo, e que vão enfrentar a longa jornada de mais um dia de vida sofrida, e os pouquíssimos que ainda ousam trocar algumas palavras, aquele aglomerado humano e metropolitano está imerso na telinha do celular no metrô. Fico imaginando o que os absorve quando o sinal fica cego, ou quando reaparece dentro do túnel escuro e subterrâneo. Logo me convenço, e confesso, sem espionar a tela de ninguém, que aquelas pessoas estão viajando pelo planeta, desde este vagão de trem, conversando com suas famílias, discutindo com seus desafetos, curtindo seu amores e desamores, comprando e vendendo coisas, jogando, perdendo ou ganhando dinheiro, fazendo ou desfazendo negócios, estão sonhando realidades virtuais num mundo infinito da tecnologia da informação. Estão sendo mais felizes ou infelizes, na solidão dos circuitos de seus celulares no metrô. Daí me bate uma dúvida, um sentimento não de felicidade ou sofrimento, mas de interrogação: o que será de nós? Mergulhar numa telinha de 10x15cm, ficar horas por ali, até os dedos e os braços doerem de tendinite e os olhos arderem de secura. Então vem outra pergunta: quo vadis homo sapiens? A tecnologia e a solidão cibernética falam mais alto. Espero que esse caminho traga mais calor humano. Será? Então, para não ficar um pato fora d’água, ligo meu celular e sigo viagem. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O Menino Travesso

Há um menino rondando por aí. Seu nome, El Niño ou “o menino”, em espanhol, foi definido por pescadores sul-americanos como uma referência ao menino Jesus, já que por volta do Natal, notavam o aquecimento incomum das águas do Pacífico. É justamente disso que se trata: o El Niño resulta do aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e, consequentemente, os regimes de chuva e temperatura em diversos cantos do planeta. As agências que monitoram o clima já anunciaram a sua chegada. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) estima em cerca de 60% a chance de o fenômeno se formar a partir de meados de 2026. O cenário mais provável, hoje, é o de um El Niño de forte intensidade, ainda que sua oficialização só deva ocorrer ao longo dos próximos meses. No Brasil, os efeitos do El Niño costumam se dividir conforme a geografia: tendem a agravar a estiagem no Norte, no Nordeste e em partes do Centro-Oeste, ao mesmo tempo em que favorecem o excesso de chuvas no Sul. Tal situação gera um alerta para a população quanto aos riscos à saúde provenientes de potenciais ondas de calor ou eventos catastróficos. Mas há uma boa notícia para quem temia uma virada brusca: o menino ainda está engatinhando. Matéria da imprensa publicada em 2 de junho mostra que, embora o El Niño esteja em fase inicial de formação, ele ainda não deve influenciar de forma significativa o clima brasileiro neste mês. Junho marca a transição do outono para o inverno e mantém sua característica de mês mais seco em boa parte do país, com temperaturas em geral acima da média. Segundo os meteorologistas, os efeitos mais expressivos do fenômeno só tendem a aparecer mais adiante do ano. Por isso, vale levar o fenômeno a sério. Somado ao aquecimento global, se reforça a importância da prevenção, individual e coletiva. Conhecer o fenômeno, acompanhar as previsões e agir com antecedência é o que transforma a ameaça em desafio administrável. Na verdade, as condições ambientais e climáticas são cada vez mais agressivas. A degradação do meio ambiente, os fenômenos climáticos extremos, potencializado pelo El Nino, são desafiadores para a saúde, a qualidade de vida e a nossa sobrevivência no planeta. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
ELEIÇÕES NO BRASIL: O Roto e o Esfarrapado

A democracia brasileira segue seu rumo. Por caminhos tortos e pouco republicanos, mas vai caminhando. Em outubro teremos as eleições gerais no país. Eleições são um dos indicativos dos regimes democráticos. Mas tem suas limitações. Nossa democracia, após 1985 vem se movendo por veredas tortuosas, no que diz respeito à equidade social, à ética e a moralidade pública. O número de escândalos escabrosos que acontecem por aqui agride o coração da república. São supra ideológicos, suprapartidários e interinstitucionais. São um tapa na cara da nação. Para agravar a situação criaram uma tal polarização, que domina o cenário do Brasil há vários anos no campo político e social. Tem feito muito mal ao povo brasileiro. Uma “esquerda” apodrecida de um lado e uma “direita” da barbárie do outro. Agora, nas próximas eleições, essas “forças políticas” se erguem com suas bandeiras rotas e esfarrapadas em riste, sobrepondo-se aos interesses legítimos da população. De um lado um candidato presidente que ficou 500 dias preso por práticas de corrupção gravíssimas. Em contraposição o filho de outro presidente que está preso por tentar usurpar o poder no cargo. Esse próprio candidato hoje é acusado de participar do escândalo da vez. Entre eles estão alguns candidatos que participam do jogo de cena como figurantes da polarização. Isso vai transformando nossa democracia num circo de horrores. Temos insistido muito, já há algum tempo, que é preciso organizar o caminho do Centro, livre dessa polarização tóxica e nefasta, em consonância com a vontade da maioria do povo brasileiro. Porém, isso tem sido difícil, por causa da atitude dos polos que se apoiando um no outro, precisando um do outro, se alimentando um do outro, combatem ferozmente as iniciativas de despolarização do país. Reafirmamos que não vemos outro caminho a não ser avançar em nossa democracia com uma proposta de Centro, pacificadora, agregadora, ética e progressista. Havemos de caminhar assim! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
CALOR EXTREMO CAUSANDO MORTE

Uma das piores consequências do aquecimento global, e das suas mudanças climáticas, é o calor extremo. Isso se podemos falar que há uma pior. Mas as ondas de calor, que vem se repetindo no mundo e por aqui, com mais frequência e mais intensidade, causam estragos muito maiores do que a desconfortável sensação térmica existente. O corpo humano é feito para funcionar dentro de uma variação limitada de temperatura, entre o limite do frio e do calor. Tanto o frio excessivo como o calor excessivo causam prejuízos aos tecidos do corpo humano (e dos outros seres vivos), que podem ser fatais. Acima de 35°C, nosso organismo começa a sentir os efeitos deletérios, que produzem o desconforto térmico, o desarranjo funcional dos órgãos, e até, nos casos extremos, a morte. Os termômetros têm registrado em várias ocasiões de cada ano, acontecendo em regiões cada vez mais abrangentes, valores que ultrapassam os 40/45°C, com sensação térmica que tem chegado a 50°C. Os resultados disso ainda são pouco conhecidos pelas pessoas. Mesmo os médicos e os cientistas ainda sabem pouco sobre isso e tratam do assunto. O fato é que o calor extremo tem sido o pior fenômeno climático, o que mais tem atingido, afetado e matado pessoas. Ao chegar acima de 35°C, a temperatura causa profundas alterações na homeostase corporal dos seres vivos, produzindo e desenvolvendo alterações fisiológicas no sistema cardiorrespiratório, nervoso, e em outros órgãos de nosso corpo. Assim, principalmente em crianças e idosos, causa perda de água, desidratação, alterações de pressão arterial, e de viscosidade do sangue. Em pessoas com doenças preexistentes, aumenta a incidência de infarto, AVC, insuficiência renal, e efeitos neurológicos, podendo chegar a um desfecho fatal. É preciso esclarecer e alertar as pessoas para que se previnam e se tratem dessas moléstias. Está provado cientificamente que durante as ondas severas de calor, o número de infartos e derrames aumentam bastante. E muitos óbitos que acontecem nesse período têm relação direta com as altas temperaturas. Assim, é preciso evitar a exposição ao sol nesses momentos, evitar praticar exercícios físicos nas horas críticas, hidratar-se muito, mesmo que não tenha sede, e também ter atenção redobrada para qualquer sintoma físico diferente. Os ambientes arejados e refrigerados são indicados no calor intenso, na medida das possibilidades. As sombras das árvores são providenciais. E em caso mais agudos, deve-se procurar um serviço de saúde. Os médicos e demais profissionais de saúde são agentes fundamentais no esclarecimento, e na mobilização da população para ações concretas na prevenção e combate às consequências do calor extremo. Todos esses cuidados individuais devem ser acompanhados de medidas coletivas para prevenir o aquecimento global. Cada pessoa tem um papel muito importante para ajudar a evitar uma trágica marcha do Planeta rumo a temperaturas mais altas, que estão alterando todo o equilíbrio do clima. Em próximos artigos abordaremos como cada um pode e deve ajudar. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista