O CLIMA E A SAÚDE GLOBAL

Faz pelo menos meio século que as perturbações antrópicas (sempre perseguindo incansavelmente o desenvolvimento material) sobre o planeta que nos acolhe geram muito desequilíbrio ecológico; e provocam rupturas; e alteram o funcionamento dos ecossistemas naturais. Dessa perspectiva, pesa reconhecer, nós, os modernos, temos mantido uma relação tão crítica com a biosfera que, seguindo William Ripple e colegas, “grande parte da estrutura da vida na Terra está em perigo”. Seja como for, pela primeira vez na história, quando se evoca o aquecimento global, se quer anunciar, de fato, a ocorrência de um sintomático desequilíbrio com consequências irreversíveis. Ocorre que, combinado a isso, com a nossa Pegada Ecológica (Human Footprint) colocamos o mundo natural na rota do caos ambiental e caos climático. Gradativamente, vendo a questão assim, evidenciam-se os benefícios econômicos, mas ocultam-se os prejuízos ambientais, cada vez mais desfavoráveis à vida. No horizonte crítico, firma-se o padrão habitual, quer dizer, a lógica dominante que acelera os processos predatórios, sem se importar com os danos da interferência antrópica no meio ambiente. Ou mesmo se haverá ecocídio generalizado. Ou ainda se os ecossistemas serão fragmentados; ou, em última análise, a se o clima em transe nos trará para perto dos eventos extremos. No enredo dessa crise atual – especialmente a ecológica e a do clima – o planeta, como um todo, tem sido levado ao colapso pelas forças dominantes que priorizam o lucro, por isso, em larga medida, estimulam o consumo de massa, e fazem uso inadequado dos limitados recursos do mundo natural. Em meio a essas ocorrências, com o pendor de desestabilizar, cabe perguntar: como começou a crise mais perigosa desses tempos modernos que compromete a boa qualidade de vida das pessoas? Como resposta, Rita Carelli escreve pontualmente aquilo que Ailton Krenak lhe disse em conversa reservada: “a crise ambiental que estamos enfrentando teve origem no dia em que começamos a dizer às crianças que a terra é suja”. Tomando parte dessa narrativa e procurando ainda ampliar o horizonte da resposta, há, aqui, um fato inescapável: para cada novo impacto humano no Sistema Terrestre decorrente da expansão da produção material, pior para a regulação climática e as condições químicas para a reprodução do sistema vida. Aliás, num cenário assim, distópico, em que as temperaturas globais estão cada vez mais quentes, tanto mais a sociedade humana, cedo ou tarde, se aproxima de novas e perigosas enfermidades. Portanto, de qualquer maneira, num cenário em que ainda (nós, sociedade civil) debatemos o conceito de desenvolvimento sustentável, o aquecimento da atmosfera bate seguidos recordes (a temperatura média global já é cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais). Nesse enquadramento, podemos dizer abertamente que a crise climática, pela dimensão que alcança, jamais poderá ser resolvida dentro do sistema capitalista que se alimenta da crise e de crises. Tampouco a crise do clima. Essas crises, para reiterar o óbvio, agora sabemos, custam vidas. Donde mortes e colapso (do meio ambiente, do clima, da ecologia profunda) se intercalam. Assim, vejamos mais um ponto importante: em relatório organizado em conjunto pela University College London e a Organização Mundial da Saúde, lê-se que “milhões de pessoas morrem todos os anos devido à inação diante do aquecimento global”. Sem novidades, até o fim do século, em 2100, a segurança entre o planeta e as pessoas, aponta em relatório a ONU, tende a permanecer na berlinda, uma vez que o aquecimento global pode matar cerca de 40 milhões de pessoas. Seja como for, diante do que já aconteceu, vale lembrar que, apenas entre 2012 e 2021, a média de óbitos no mundo relacionada às altas temperaturas globais foi de 546 mil por ano. Em todo o planeta, em apenas três décadas, quase 800 mil pessoas morreram em decorrência de eventos extremos. Conta simples de fazer, de acordo com o Índice de Risco Climático, da ONG Germanwatch, foram mais de 9.400 desastres climáticos impactando a saúde global. No Brasil, a cada ano, são registradas 6 mil mortes por doenças respiratórias relacionadas a temperaturas extremas, calor ou frio. Assim sendo, vamos insistir: o agravamento das mudanças climáticas, a inaceitável erosão de biodiversidade, a destruição excessiva de vegetação nativa, o mau uso da terra, a pilhagem de recursos naturais e o alto gasto energético e, por último, mas não por fim, os insuportáveis níveis de poluição do ar, do solo (estima-se que 52% das terras agrícolas no mundo são afetadas pela poluição), das águas etc, deixam, como é fácil supor, o sistema vida estruturalmente incompatível diante do desajuste planetário. Nesses termos, é bom dizer que a Terra está enfrentando abusos ecológico-ambientais porque está esquentando mais rápido do que era previsto (enfrentando assim o chamado estresse térmico). Desde 1850, o mundo já avançou ao menos 1,1°C na média da temperatura global. Agora, colhemos os resultados amargos: 70% da população mundial está sujeita a pelo menos três meses de calor severo por ano. Enquanto os eventos extremos assustam pela dimensão que alcançam, a Europa, nesse momento em que escrevemos essas linhas, arde com temperaturas acima de 45 graus Celsius. Em particular, mais ocorrências de eventos climáticos extremos significa mais vidas em risco. Assim, notar-se-á que estamos diante de uma enfermidade planetária que polariza todas as atenções. Em todo o caso, não surpreende que, quase uma década atrás, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) tenha anunciado uma verdade incômoda: “não estamos no caminho para cumprir metas de mudanças climáticas e conter aumentos de temperatura”. Desse fundo histórico, vê-se que ainda hoje sequer conseguimos encontrar uma resposta definitiva para as nossas ações contrárias ao bom desempenho da nossa Casa Comum, isto é, o nosso planeta, sempre hostilizado pela sobrecarga da economia-mundo. Objetivamente, sem as mínimas condições de bancar o equilíbrio do sistema climático e planetário, e longe ainda da proposta emancipatória e transformadora representada na experiência latino-americana do bem-viver, nossa civilização balança. E balança notadamente por conta de transformações que, a rigor, se convertem em ameaças trazidas pela concepção de modernidade capitalista dominante, baseada num sistema de acumulação (o oxigênio do capitalismo). Enquanto esse sistema – e essa concepção –
AR SECO, PULMÕES SECOS, VIDAS SECAS!

Ninguém vive sem ar! Alguns minutos sem respirar podem causar a morte de uma pessoa. O oxigênio, que compõe cerca 21% da atmosfera, é um elemento da natureza fundamental à vida. É claro que o ar é composto de muitos outros gases. Também contém elementos em suspensão, como pólen, micro-organismos e material particulado, alguns deles muito nocivos à saúde humana, como a fuligem e os compostos de enxofre, geralmente presentes na poluição das grandes cidades. Mas há um componente do ar do qual pouco se fala e que desempenha um papel estratégico na respiração humana: o vapor d’água. Sabemos que, para ser saudável, o ar que respiramos deve apresentar umidade relativa em torno de 60% ou mais. O vapor d’água desempenha um papel fundamental na fisiologia dos pulmões, umidificando e hidratando os brônquios, bronquíolos e alvéolos, além de ajudar a remover impurezas inaladas. É aí que mora o perigo! Nos períodos de pouca chuva, especialmente durante o inverno, o ar fica muito seco e a sua humidade cai bem abaixo dos níveis ideais para o sistema respiratório. Com as grandes estiagens provocadas pela crise climática, a umidade do ar pode atingir índices inferiores a 30%. Isso compromete o funcionamento dos pulmões, além de provocar irritação nas mucosas dos olhos, do nariz e da boca. Essa situação se agrava com a intensa poluição do ar nas grandes cidades e com a fumaça das queimadas florestais. O resultado dessa combinação nefasta é o aumento exponencial das doenças respiratórias, como as bronquites e as pneumonias. Por isso, durante os invernos secos e poluídos, especialmente nas grandes cidades, os serviços de saúde ficam abarrotados de pacientes, em grande parte devido à poluição gerada pela frota de veículos. As principais vítimas dessa situação são as crianças e idosos, mas os adultos também sofrem. Com as mudanças climáticas, as estiagens prolongadas tornaram-se mais frequentes. Ao mesmo tempo, as queimadas se repetem, liberando grandes quantidades de fuligem na atmosfera. É a receita perfeita para o aumento das doenças respiratórias, muitas vezes agravadas pela presença de micro-organismos patogênicos que causam as infecções pulmonares. A solução para esse problema não é simples. Ela exige desde cuidados pessoais e mudanças de comportamento até políticas públicas de longo alcance. Mas isso deixaremos para um próximo artigo. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
A PANDEMIA DE CRIMES!

O Brasil é campeão mundial de feminicídios. É vice-campeão de mortes por assassinatos. É campeão mundial de carros blindados. E disputa o campeonato global de desigualdade social. Mas não vou falar sobre o Brasil. Vou falar sobre São Paulo, a Cidade. Tenho conversado com muitas pessoas sobre a vida por aqui. Com todos que eu falo, sempre tem uma notícia, um episódio, um caso de vítima da violência urbana. Ou é a própria pessoa, um parente, um amigo, um conhecido. O fato é que ninguém vive mais tranquilo por aqui. Um celular roubado aqui, um dinheiro tomado ali, um roubo de carro acolá, uma invasão de casa mais pra lá, um crime sexual, um feminicídio, um assalto a mão armada, um golpe virtual mais pra frente. É assim que o paulistano está vivendo. Uma pandemia de crimes de grande, médio e pequeno porte. A pandemia do medo e da insegurança caminha junto. Não temos paz durante o dia, e a noite o medo é gigante. São quadrilhas de todos os tipos e tamanhos, e também ladrões e espertalhões avulsos que aterrorizam a vida dessa Cidade, nas ruas, no transporte, nas casas, nos espaços públicos e privados, nas redes sociais. Todas as medidas tomadas pelos poderes públicos parecem ser insuficientes. As pessoas vivem com medo cotidiano, e tomando cuidados individuais severos, para sua própria segurança. Sabemos que as causas dessa explosão criminosa são várias e complexas. Sabemos também que os exemplos dados pelas autoridades, nos escândalos de roubalheira e corrupção, servem de estímulo para as práticas ilícitas. Sabemos que parte dos órgãos de segurança tem envolvimento com práticas condenáveis. O fato é que enquanto o crime organizado cresce e aparece, o cidadão comum vive apavorado no seu dia a dia, e não há horizonte de melhora a curto e médio prazo. Como dizia João Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
MEDICINA: FACULDADES A GRANEL!

Quando eu me formei há 51 anos, havia no Brasil 73 escolas de medicina. A maioria pública, como a Faculdade de Medicina da USP (estadual) e a Escola Paulista de Medicina (federal), ou filantrópicas, como a Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e a PUC de Sorocaba. Passado 5 décadas o Brasil hoje tem 500 Faculdades de Medicina. O que mudou? A maioria das escolas médicas hoje são particulares, pertencem a grandes grupos privados, que exploram o ensino como uma mercadoria. As mensalidades chegam de 10 a 15 mil reais, e a qualidade dos cursos estão abaixo da crítica. Boa parte dessas “Faculdades” possuem carência de professores, não têm Hospitais-Escola, e não oferecem estágios ou residência médica. O resultado desse comércio educacional, além de explorar seus alunos, é a formação de muitos profissionais com preparo deficiente para o exercício da profissão. Não sabem atender o paciente e caem no mercado de trabalho com seu CRM, praticando muitas vezes um atendimento que prejudica os pacientes. O Brasil forma hoje 40 mil médicos por ano, com conhecimento insuficiente da profissão, e em grande parte, sem possibilidade de aprimorar seus estudos. Na verdade, o ensino médico tornou-se um grande negócio, que não se preocupa com o bem-estar dos pacientes. Esse processo de precarização da profissão começou há tempo, mas vem piorando nos últimos anos. Hoje temos mais de 200 pedidos de abertura de novas Escolas de Medicina aguardando aprovação do MEC. O governo do Brasil, na busca de solução para o atendimento médico da população procurou sempre o caminho mais fácil. Criou em 2013 o “Mais Médicos”, importando médicos de países vizinhos, sem exigir revalidação do diploma, e muitas vezes com profissionais que eram apenas Técnicos em Medicina. Agora está criando o “Mais Especialistas” que flexibiliza a formação das especialidades, formando especialistas sem qualificação suficiente para atender a população. O Brasil tem hoje cerca de 600 mil médicos, número suficiente para atender a demanda, nos padrões da OMS. Mas a distribuição desses profissionais é extremamente desigual. Somada a profusão de Escolas Médicas de pouca qualidade, a falta de vagas na residência médica, e a queda na formação de especialistas, podemos afirmar que essa realidade está atingindo em cheio a prática da medicina, colocando a população em risco, com um atendimento cada vez menos qualificado. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
QUE FRIO É ESSE?

Muitas pessoas falam: que aquecimento global é esse com um frio congelante? Realmente a temperatura baixou demais por aqui. Todos estão tirando seus casacos do armário. Aqueles que os tem!!! Mas o aquecimento global que provoca as mudanças climáticas é assim mesmo. Além de chuvas violentas, das estiagens prolongadas, das ventanias assustadoras, do calor extremo, também temos os frios congelantes e as nevascas. Como o próprio nome diz, são mudanças bruscas e imprevisíveis no comportamento do clima ao redor do Planeta. Sem uma lógica ou uma previsibilidade. O que é certo, comprovado e verdadeiro, é que a média temperatura da Terra vem subindo gradativamente numa intensidade mais rápida do que foi previsto. Portanto, sentir o frio intenso, assim como o calor abrasador está dentro do escopo do aquecimento global. O fato preocupante é que as inúmeras iniciativas tomadas pela humanidade para prevenir e combater a desregulação do clima não tem a velocidade e a intensidade necessária para conter o fenômeno. O uso do combustível fóssil (petróleo) para produção de energia continua a toda. As emissões de gases de efeito estufa (GEE) aumentam ano a ano. Os desmatamentos não foram controlados nos países que tem florestas. A transição energética tropeça em obstáculos técnicos, mas principalmente em entraves econômicos, pela pressão dos produtores de petróleo. Aqui um frio arrepiante, na Europa um calor implacável matando milhares de pessoas e queimando vários países. A inercia dos governos, das empresas, das instituições e das pessoas, acomodados em sua rotina, ou “zona de conforto” é maior do que a ação decisiva para frear o aquecimento global. Enquanto isso, o clima, nervoso, incontrolável e ameaçador, vai destruindo e matando pelo mundo a fora. A grande maioria das pessoas já sabe da ameaça climática, mas poucos se dispõem a agir. Trata-se, então, de equiparar a intenção e o gesto. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O DATACENTER CEREBRAL

O cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios interconectados numa rede perfeita que emite entre si e para todo o corpo impulsos elétricos e também recebem de todo o corpo estímulos elétricos e hormonais por meio de longos fios condutores ou do sangue. É uma poderosa máquina biológica que produz movimentos, consciência, emoções e instintos. Poderíamos dizer que é o datacenter do organismo humano, e levou milhares de centenas de anos para chegar até aqui. A ciência, criada por esse mesmo cérebro, tem tido uma enorme velocidade de conhecimentos e realizações, difícil de acompanhar na atualidade. Todos os dias surgem um número imenso de novas descobertas científicas, que a tecnologia transforma em máquinas e equipamentos para o uso da humanidade. Umas das áreas que mais tem avançado é a tecnologia da informação. Desde os telefones celulares, passando por computadores, os avanços são enormes. Agora estamos na era dos Datacenters e da Inteligência Artificial. São incontáveis as novidades que aparecem todos os dias. Isso tem gerado uma conexão infinita das pessoas entre si, e com todo o planeta. O volume de conhecimento, de informações, de notícias, de debates, de pesquisas, de fakenews, é avassalador. E tudo isso chega a cada um de nós a cada segundo durante todos os dias, sem cessar, pela internet e redes sociais. É claro que tal avalanche de informações, boas ou ruins, verídicas ou mentirosas, estão causando uma revolução no comportamento das pessoas. Já há pesquisas que apontam que o cérebro não tem capacidade para absorver e processar tudo isso. Isso parece provável. Não sabemos ainda qual a modificação que isso já vem causando no comportamento e no estado físico das pessoas. Mas já podemos ver a “solidão conectada”, a “depressão do conhecimento” e a “agressividade da angústia”. Além é claro dos impactos físicos da fadiga e das mialgias do sedentarismo. O desconhecido mundo do conhecimento. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
NÃO DÁ PRA SER FELIZ!

Não é possível mais viver por aqui com o mínimo de tranquilidade. O número de ladrões, armados e desarmados, de falsários, de quadrilheiros, de corruptos, de abusadores, de assassinos, de delinquentes, de golpistas, está transbordando as estatísticas. Ninguém mais tem segurança de viver nesse lugar e nesse país. Rouba-se de tudo, de dia e de noite, nas ruas e nas casas, nos bairros ricos e pobres, na presença física e virtual. Rouba-se desde celulares até contas bancárias, passando por carros, joias e equipamentos. Roubam-se os sonhos, a esperança e o sossego. Roubam-se vidas. O Brasil, em cada canto, transformou-se num grande caldeirão de safadeza, corrupção, violência e criminalidade. Roubam a paz, minimamente necessária para se viver. Há muitas narrativas para essa explosão de criminalidade. A abissal desigualdade social do país, certamente é uma das causas principais. Mas a lassidão das leis, a morosidade do judiciário, a impunidade, a corrupção dos poderes públicos e privados, os exemplos deploráveis dos governantes são “multicausas” dessa situação. Também existe o histórico de formação do Brasil como Nação, desde seu descobrimento, colonização, império e república, com seus episódios repetidos de falcatruas e exploração. Somos um país grande, populoso, diverso, criativo, operoso, produtivo. Somos um povo afetivo e solidário em muitas ocasiões. Mas a violência e a morte têm explodido em cada esquina. Viver no Brasil de hoje se tornou perigoso, pelo volume de ameaças à segurança e à vida, principalmente nos grandes centros urbanos. A frouxidão dos governos ao tratar do assunto e a cumplicidade de muitos agentes públicos com as quadrilhas do crime organizado, refletem-se diretamente na ausência de políticas eficientes para garantir tranquilidade ao povo brasileiro. Infelizmente essa incompetência e inoperância está contida em todas as correntes ideológicas e políticas do país. Vai ser difícil sairmos dessa situação. Será preciso um choque de coragem, de moralidade, de participação popular para consertar o Brasil, dentro dos limites da Democracia. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O FRIO DAQUI E O CALOR DE LÁ

Está fazendo um frio mais intenso por aqui, que começou mesmo antes do inverno, principalmente no sul sudeste do Brasil, com temperaturas às vezes abaixo dos 10°C. E a previsão é de chegada de nova frente fria, que vai derrubar ainda mais a temperatura. Fazia tempo que não víamos isso. Por outro lado, nos EUA e na Europa, uma onda de calor intenso está adoecendo e matando gente. Na França, temos notícia da morte de 1.300 pessoas diretamente relacionada ao calor extremo. O Norte da Europa também se aqueceu bastante. A Ciência afirma, e nós sabemos, que essas variações atípicas do tempo se devem as mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global. As previsões futuras não são animadoras. Os fenômenos climáticos extremos caracterizados pelo calor, ondas de frio intenso, chuvas violentas e destruidores, secas prolongadas que devastam os cursos d’água, a agricultura, a segurança hídrica, e também ventos de alta velocidade, entre outros eventos. Esse é o “novo normal” do clima. O mais desesperador, é que, apesar do alerta, dos modelos de mitigação e adaptação que o mundo vem tomando, as emissões de gases de efeito estufa, principalmente pelo CO2, aumentam a cada ano. A transição energética, tão almejada e necessária, não tem conseguido diminuir a queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) pelo mundo afora. A velocidade das medidas praticadas pela humanidade para a precaução e prevenção das mudanças climáticas têm sido mais lenta do que o avanço da temperatura média do Planeta. Esse é o fato! Diante da ameaça concreta de degradação ambiental e colapso climático, cabe a cada um de nós tomarmos nossas medidas individuais, e fazermos a devida pressão na sociedade e nos governos para avançarmos na transição energética, na proteção e recuperação do meio ambiente, em nosso território e em todo mundo Portanto, passar da a consciência para a ação concreta é uma tarefa de cada um, em nome da preservação da vida. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
Democracia, soberania e vida com dignidade para os venezuelanos !!!

O povo da Venezuela tem sofrido muito com ditaduras, com intervenções estrangeiras, e agora com esse terremoto terrível. Merece todo o nosso apoio e solidariedade. Democracia, soberania e vida com dignidade para os venezuelanos !!!
O PAPA ME SURPREENDEU!

É inegável a tradição, o tamanho e a influência da Igreja Católica de Roma sobre a humanidade. Mesmo os que não estão entre os 1,2 bilhão de católicos, têm a influência direta ou indireta dessa potência histórica fundada por Pedro. Já mandou mais, muito mais! Mas mantém um poder político e religioso imenso. Eu admirava o Papa Francisco pelo seu jeito de pensar e agir. Revelava sensibilidade humana e não tinha medo de enfrentar os descaminhos da “vida moderna”, do poder e do dinheiro. Quando ele morreu, eu, mesmo não sendo católico, senti muito. E pensei: foi-se um papa progressista e antenado com seu tempo. Como é de praxe, a cúpula da igreja se reuniu e escolheu o novo papa, Leão IV. Eu não o conhecia. Nunca tinha ouvido falar dele. Era americano e pouco expressivo pelo menos na minha opinião. Assumiu o trono, e começou manso, tímido, falando baixo, quase inaudível. Pensei: vai ser um papa inexpressivo. Confesso que me enganei. Aos poucos, Leão IV, (que nome!!!) foi levantando a voz, e na sua pouca estatura foi ficando de pé, alcançando um tamanho enorme no mundo católico e fora dele. Sua voz vai sendo ouvida nos quatro cantos do Planeta, suave e firme, em favor das boas causas. Primeiro enfrentou Trump, o aloprado do mal, seu compatriota, que dirige de forma estabanada e agressiva os EUA. Trump reagiu com baixaria, como sempre, e Prevost retrucou com classe e galhardia. O Papa fala firme contra as guerras, os preconceitos sociais e a pobreza. Fala do meio ambiente e do clima com precisão. Diz do desespero dos imigrantes e dos excluídos. O Papa aponta o dedo para os autocratas, condena os ditadores, os senhores das guerras e os rentistas parasitas. Gosto de ouvi-lo falar e cobrar uma consciência humana dos humanos. E eu, que não tenho fé religiosa, estou gostando da postura desse líder religioso. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista