Gilberto Natalini SP

SE TOCA, GENTE! O LIXO É NOSSO!

Nós consumimos cada vez mais para viver. A quantidade e a variedade dos produtos oferecidos para o deleite humano são cada vez maiores, e hoje atinge números alarmantes. São alimentos, bebidas, vestimentas, medicamentos, eletrodomésticos, veículos, moradias, aparelhos eletrônicos, embalagens, produtos de limpeza, de embelezamentos. São máquinas, drogas e todos os tipos de bens duráveis, ou não, necessários e supérfluos. A produção é gigantesca, e o consumo também. É claro que diante disso, os 8 bilhões de humanos, de forma desigual e injusta, consomem a produção de tudo que é retirado dos recursos naturais da Mãe Terra, ao ponto de a estar exaurindo a passos largos. Ao final disso sobram os resíduos desse consumo, que é popularmente conhecido como lixo. E aí começa outro capítulo. A maioria das pessoas no mundo, e principalmente no Brasil, pensa que o produto que sobra do seu consumo não é um problema seu. Produz o seu lixo, e ao colocá-lo em sua porta se desobriga de seu destino. E mais: muitas vezes descarta seus resíduos na via pública, em áreas desocupadas, em cursos d’água, ou no mar. Muito desse lixo é tóxico, metais pesados, produtos químicos, plásticos, restos orgânicos ou venenos mesmo. O destino correto para as sobras do consumo humano é um imenso desafio para a sociedade, nesses tempos de degradação ambiental e mudanças climáticas. Mas, sabemos, que boa parte do nosso lixo de cada dia, vai parar no seio da natureza, contaminando o solo a água e o ar, voltando como um bumerangue contra a saúde e a vida das pessoas e demais seres vivos. No Brasil, cerca da metade dos municípios ainda convivem com lixões a céu aberto. Boa parte dos resíduos se infiltram na terra, contaminam os rios e lagos, se evaporam como gases tóxicos, ou vão produzir ilhas artificiais de lixo no mar. Temos aqui, a lei 12305 de 2010, que não é cumprida até hoje. A cidade de São Paulo, que produz 18 mil toneladas de lixo por dia e mais 8 mil toneladas de resíduos da construção civil, recicla menos de 5% disso e já não há mais espaço no município para ampliar seus aterros. O Rio de Janeiro quase não faz reciclagem. Imaginem o resto do Brasil. É catastrófico. Diante dessa realidade assustadora temos que começar do começo. Cada um de nós tem que aprender que o nosso lixo individual é de nossa responsabilidade até o destino final. Reduzir a produção de lixo, reciclar, reaproveitar, é uma tarefa que começa dentro da nossa casa e se estende para a rua, o bairro, a cidade, a sociedade e os governos. O que não pode mesmo é continuar a transformar o planeta num lixão. Isso não!!! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

CIDADE DE BELÉM: MAIS UM SINAL DO CLIMA

Há alguns dias, a cidade de Belém do Pará foi vítima de chuva de 150ml, em 24 horas, a metade do previsto para o mês de abril inteiro. Ruas alagadas, pessoas desalojadas, doenças transmissíveis, prejuízos econômicos e ambientais, foram o resultado. Mas, na retrospectiva, tivemos as catástrofes de Petrópolis (2000 mortos), de Angra dos Reis, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Sebastião, do Rio de janeiro, de Salvador e tantos outros lugares do país. Somam-se a isso as queimadas descontroladas no Cerrado, no Pantanal e na Amazônia, destruindo milhares de hectares de vegetação, quando a fumaça poluída e tóxica vinda de lá transformou em São Paulo o dia em noite, pela fuligem. As estiagens prolongadas que têm acontecido no Brasil, cada vez mais frequentes, provocaram as secas do Rio Negro e Amazonas, do Pantanal, entre outras. As Mudanças Climáticas avançam em todo o planeta, e aqui no Brasil, seus fenômenos extremos se repetem em todos os cantos. Embora tenha havido inúmeras iniciativas globais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, essas emissões ainda estão em crescimento. A humanidade está perdendo a batalha pelo clima. A velocidade das mudanças climáticas tem sido muito maior que a capacidade dos humanos de prevenir o fenômeno. A situação é grave e preocupante, e agora temos o acontecimento das guerras que pioram a transição energética no mundo. A humanidade tem que cair na real. Senão… Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

BRASIL: PAÍS DO FUTURO?

O Brasil é uma das maiores economias do mundo. Já foi a oitava e hoje é a 11ª. Esse é um número poderoso. Porém, aqui no rés-do-chão a situação é outra. Estamos entre os países mais desiguais do planeta. Aqui cerca de 8 pessoas possui a riqueza somada de 100 milhões de compatriotas. O sistema financeiro drena 43% do orçamento anual do país com o pagamento de juros e serviços da dívida pública. Não é o pagamento da dívida, só dos juros e serviços da mesma. Isso é uma hemorragia de nossa produção econômica. Pelo menos uma auditoria independente deveria ser feita para averiguar essa situação. Esse ano a dívida pública bateu em 10 trilhões de reais, quase 80% do PIB. O Governo Lula, que não mexe na lógica da política financeira, mantém os juros em 15% ao ano, emite títulos públicos para financiar os gastos do governo, cada vez maiores e mal gerenciados, numa escalada de gastança perdulária, incompetência no trato dos recursos públicos e ralos de corrupção incontroláveis. No Brasil temos 70 milhões de pessoas endividadas, 40 milhões de trabalhadores informais, 90 milhões de pessoas que vivem do Bolsa Família, com porta de entrada e sem porta de saída. A quantidade de subsídios públicos às atividades econômicas privadas bate recordes, drenando grandes quantias de recurso, muitas vezes sem retorno compensatório. Infelizmente, entra governo e sai governo, de “direita” e de “esquerda”, e essa situação só piora, podendo se dizer que nossa situação hoje é pré-falimentar. A polarização tóxica que invadiu o Brasil com xingamentos cruzados, chulos e medíocres, em nenhum momento toca na real situação de dependência e servidão a um sistema econômico e financeiro que coloca o país de joelhos, e penitencia a população à pobreza e exclusão. Enquanto não se enfrentar isso o futuro do Brasil estará sempre no futuro. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

BRASIL: RESTAURE-SE A MORALIDADE!

No Brasil, a democracia conquistada a duras penas em 1985 e reafirmada pela Constituinte de 1988 dá sinais explícitos de adoecimento. A República brasileira expõe, cada dia mais, o apodrecimento de suas estruturas, carcomidas por graves desvios políticos, econômicos, sociais e morais. A cada momento surgem fatos e notícias do processo de degeneração de nossas instituições e lideranças. Assim, todos os poderes da República, Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, e muitas entidades empresariais, organizações da sociedade civil, igrejas, sindicatos, partidos políticos e pessoas individuais, caíram na teia imensa e perigosa da polarização política tóxica, do fisiologismo, do populismo, do corporativismo e da incompetência, levando o Brasil para um perigoso lugar que coloca em risco a Democracia. Os poderes públicos brigam entre si, não pelas boas causas, mas defendendo privilégios e seus desvios morais e éticos. Ministros e Juízes, acumulam fortunas obtidas de condutas que envergonham suas togas. Parlamentares, atuam no seu interesse pessoal, produzindo um circo de horror, com escândalos que se repetem há décadas. O Poder Executivo desde o Federal, até os municípios perderam o pudor e desviam o suado dinheiro do imposto pago pelo povo, que se manifestam em mega escândalos, como o Mensalão, o Petrolão, o Emendão, o Descontão e agora o Masterzão. Os acordos políticos são usados para blindar as bandalheiras das “dignas” autoridades da República brasileira. Muitas empresas, instituições e organizações sociais entram nessa ciranda macabra de corrupção e de patrimonialismo participando como atores principais nesse teatro do absurdo que se instalou no Brasil. Parcela importante de nossa população naturalizou essa situação trágica em que nosso país se afundou. Não é raro ouvirmos das pessoas do povo a frase: “se eu estivesse lá, eu também roubava”. É preciso aqui registrar um agravante a toda essa situação, que é o crescimento e a infiltração em todas as regiões e instituições do Brasil do crime organizado. As quadrilhas do tráfico de drogas, de armas e de pessoas, hoje fazem parte da vida brasileira, tendo representantes eleitos e indicados nos poderes públicos, inclusive nos órgãos de segurança pública, diversificando suas ações e tornando-se uma “holding dos negócios do crime”. Funcionam como empresas. Já é a 8ª máfia do mundo, movimentando bilhões de reais. Uma praga que cresceu na sociedade brasileira. Mas, um país jamais será uma nação, se não tiver o interesse público republicano em primeiro lugar. Não tem sido nossa realidade. Portanto, coloca-se diante de nós uma tarefa gigantesca de agregar as forças e as pessoas que tem o compromisso de aprofundar e sanear nossa Democracia, no caminho da liberdade política, do desenvolvimento sustentável, da equidade social e da moralidade pública. A vida dos verdadeiros democratas e patriotas brasileiros nunca foi fácil. E a tarefa que nos é colocada é hercúlea. Mas o Brasil merece o esforço e a dedicação de todos nós. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

É HORA DE EDUARDO LEITE- Manifesto do movimento Livres da Polarização

O Brasil precisa sair do impasse político que aprisiona o país há anos. A polarização entre populismos – não importa que se digam de esquerda ou de direita – empobrece o debate público, tribaliza e sectariza a sociedade e impede que o país enfrente seus verdadeiros desafios. Essa lógica do “nós contra eles”, alimentada pelos populismos, substitui ideias por identidades políticas rígidas, transforma adversários em inimigos e bloqueia soluções modernas para problemas reais: desenvolvimento econômico sustentável, redução das desigualdades, qualidade da educação, segurança pública e fortalecimento das instituições democráticas. O movimento Livres da Polarização nasce da convicção de que o Brasil é maior do que essa disputa estéril. Queremos construir uma alternativa democrática, reformista e responsável — comprometidacom a liberdade, a justiça social, a economia moderna e o respeito às instituições. Uma alternativa que tenha coragem de enfrentar os erros dos populismos, sejam ditos de esquerda e de direita. Para isso, o país precisa de uma liderança nova, que não esteja vinculada politicamente a nenhuma dessas duas forças que dominam e atrasam o debate nacional, mas que seja capaz de dialogar com diferentes correntes democráticas e reunir brasileiros cansados da guerra ideológica permanente. Nesse contexto, ganha força o nome de Eduardo Leite. Político liberal de formação democrática, ele representa uma síntese moderna entre responsabilidade fiscal, compromisso social e respeito às liberdades democráticas. Sua trajetória demonstra capacidade de diálogo, construção de consensos e liderança reformista. Sua candidatura tem potencial para reunir setores de várias orientações políticas, que não pensam da mesma maneira, mas que podem se aglutinar em torno de um mesmo propósito, formando uma maioria política que represente o Brasil real: trabalhadores, empreendedores, jovens, profissionais e cidadãos que desejam caminhar para frente e não para os lados em eterno confronto. Eduardo Leite expressa a possibilidade de superar a polarização e construir um novo ciclo político no país, baseado em reformas, responsabilidade democrática e reconciliação nacional. Desperdiçaressa oportunidade de ouro neste momento frustrará as melhores expectativas da sociedade brasileira.O Brasil precisa virar essa página. E milhões de brasileiros que rejeitam a política tóxica da polarização começam a se reconhecer nessa alternativa. Livres da Polarização, 24 de março de 2026.

Educação ambiental: uma política transformadora

Confira o artigo intitulado ‘Educação ambiental: uma política transformadora’, publicado originalmente no site da AFPESP, de Gilberto Natalini, coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista, e de Ana Maria Villela Alvarez Martinez, coordenadora de Educação e Cultura e ocupante da cadeira nº 1 de Artes da Academia de Letras, Ciências e Artes (ALCA) da AFPESP. Confira o artigo clicando aqui.

Mulheres: o protagonismo é agora

Confira o artigo intitulado ‘Mulheres: o protagonismo é agora’, publicado originalmente no site da AFPESP, de Gilberto Natalini, coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista. Confira o artigo clicando aqui.

“AS MAGIAS DA SUSTENTABILIDADE”

Lançamos há pouco o livro “As Magias da Sustentabilidade”, com 23 coautores, onde escrevi o capítulo 2. É uma publicação singela, que relata as nossas diversas vivencias sobre o assunto. Hoje, a palavra sustentabilidade está na moda, porém, mais que uma palavra, ela deve se generalizar como prática e estilo de vida. O fato grave e real é que a relação dos humanos com a natureza está cada vez pior. A nossa capacidade de explorar e destruir os recursos naturais aumentou exponencialmente com as descobertas científicas e tecnológicas, chegando a um limite perigoso. A Mãe Terra não consegue mais recompor o que a humanidade retira do solo, da água e do ar, não só de minerais como também de biodiversidade. A exaustão do planeta é tamanha que no mês de agosto já extraímos tudo o que a Terra poderia nos dar no ano. Daí até o final de 12 meses é só devastação. A situação é muito grave e preocupante, e para piorar, grande parte dos resíduos do enorme consumo humano, são devolvidos para o meio ambiente de forma irregular, contaminando o solo, as águas e o ar. É isso que se chama de insustentabilidade. É claro, que muitas iniciativas vêm sendo tomadas ao redor do mundo no sentido de evitar a contaminação ambiental, de racionalizar o uso da água e de limpar o ar. No caso específico da emissão dos gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento do planeta e as mudanças climáticas, também há muitas iniciativas para buscar energias limpas e evitar o petróleo. Porém, todas essas medidas de preservação, de mitigação e adaptação às mudanças climáticas ainda são muito aquém das necessidades. Por isso, precisamos sim da magia, na transformação dos modos de produção, de consumo, de manejo dos resíduos, para transformar a consciência e a ação humana em suas relações com “a nossa casa comum”. Aí está a magia da sustentabilidade. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista