Gilberto Natalini SP

Educação ambiental: uma política transformadora

Confira o artigo intitulado ‘Educação ambiental: uma política transformadora’, publicado originalmente no site da AFPESP, de Gilberto Natalini, coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista, e de Ana Maria Villela Alvarez Martinez, coordenadora de Educação e Cultura e ocupante da cadeira nº 1 de Artes da Academia de Letras, Ciências e Artes (ALCA) da AFPESP. Confira o artigo clicando aqui.

Mulheres: o protagonismo é agora

Confira o artigo intitulado ‘Mulheres: o protagonismo é agora’, publicado originalmente no site da AFPESP, de Gilberto Natalini, coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista. Confira o artigo clicando aqui.

“AS MAGIAS DA SUSTENTABILIDADE”

Lançamos há pouco o livro “As Magias da Sustentabilidade”, com 23 coautores, onde escrevi o capítulo 2. É uma publicação singela, que relata as nossas diversas vivencias sobre o assunto. Hoje, a palavra sustentabilidade está na moda, porém, mais que uma palavra, ela deve se generalizar como prática e estilo de vida. O fato grave e real é que a relação dos humanos com a natureza está cada vez pior. A nossa capacidade de explorar e destruir os recursos naturais aumentou exponencialmente com as descobertas científicas e tecnológicas, chegando a um limite perigoso. A Mãe Terra não consegue mais recompor o que a humanidade retira do solo, da água e do ar, não só de minerais como também de biodiversidade. A exaustão do planeta é tamanha que no mês de agosto já extraímos tudo o que a Terra poderia nos dar no ano. Daí até o final de 12 meses é só devastação. A situação é muito grave e preocupante, e para piorar, grande parte dos resíduos do enorme consumo humano, são devolvidos para o meio ambiente de forma irregular, contaminando o solo, as águas e o ar. É isso que se chama de insustentabilidade. É claro, que muitas iniciativas vêm sendo tomadas ao redor do mundo no sentido de evitar a contaminação ambiental, de racionalizar o uso da água e de limpar o ar. No caso específico da emissão dos gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento do planeta e as mudanças climáticas, também há muitas iniciativas para buscar energias limpas e evitar o petróleo. Porém, todas essas medidas de preservação, de mitigação e adaptação às mudanças climáticas ainda são muito aquém das necessidades. Por isso, precisamos sim da magia, na transformação dos modos de produção, de consumo, de manejo dos resíduos, para transformar a consciência e a ação humana em suas relações com “a nossa casa comum”. Aí está a magia da sustentabilidade. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

SÃO PAULO E O ORÇAMENTO CLIMÁTICO

A Cidade de São Paulo sempre inovando. Agora, foi criado o chamado Orçamento Climático, e esse ano está consolidado em 28 bilhões de reais. Esse orçamento é distribuído em diversas Secretarias Municipais e diz respeito aos gastos com ações de mitigação e adaptação nos fenômenos das mudanças climáticas. Assim, estão previstos para 2026 como alguns exemplos: drenagem pluvial e áreas de riscos geológicos – 10 bilhões de reais; manutenção e implantação de parques, arborização urbana – 5 bilhões; eletrificação da frota de ônibus, corredores de transporte público e modernização semafórica – 39 bilhões; regularização e urbanização de favelas, programa mananciais – 16 bilhões de reais. O orçamento total da Cidade é de 130 bilhões de reais. A destinação de 25% disso para ações climáticas é uma inovação positiva no caminho de uma São Paulo mais resiliente e mais sustentável. É claro que ainda não é suficiente diante de todo o enorme desafio que vulnerabilidade climática exige. E também é preciso seguir com detalhes a execução desses recursos carimbados para as políticas ambientais. Mas, sem dúvida, a metrópole paulistana sai na frente mais uma vez. A Lei Municipal das Mudanças Climáticas de 2009, foi pioneira no Brasil, assim como a Lei de Reuso da Água e a eletrificação da frota urbana de ônibus, entre muitas outras legislações. Quase 80% da população do mundo vive nas cidades. Assim, esses aglomerados de pessoas, as vezes gigantescos, são os mais vulneráveis diante dos eventos climáticos extremos, como chuvas violentas, calor intenso, ciclones e tornados, e escassez hídrica. Em várias partes do globo, vivemos essas agressões da natureza. Aqui no Brasil temos os exemplos do Rio Grande do Sul, da Serra Fluminense, do Litoral Norte Paulista, e agora, várias cidades em Minas Gerais. Existem cerca de 10 milhões de brasileiros morando em áreas de risco, sujeitos a deslizamento e enchentes. No ano passado muitos milhares de pessoas morreram em consequência de ondas de calor, que desencadeiam doenças como AVC e infarto do miocárdio. No Paraná, uma cidade inteira foi destruída por um tornado. São Paulo tem muitas áreas de vulnerabilidade social, ambiental e climática. E tem sido realizadas várias iniciativas para diminuir esse risco. Mas é preciso dar mais velocidade nessas ações, pois o tempo não para. O Orçamento Climático é uma boa iniciativa para avançarmos. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

GUERRA, É GUERRA. PAZ, É VIDA!

Nesse quarto inicial do século 21, onde a esperança era a modernidade e a felicidade coletiva e individual, nos deparamos com uma realidade cruel. Nossa esperança não se concretizou, e tudo pelo qual trabalhamos durante décadas parece que empacou e regrediu. O cenário do mundo nos assusta! Mas vamos por partes. É claro que reconhecemos os imensos avanços tecnológicos e científicos, que nos trouxeram a informática, a biotecnologia, a cibernética, a astrofísica a inteligência artificial e todas as outras fontes de conhecimento. A velocidade das novidades é tamanha que nos encanta e as vezes nos agride. Não devemos dar detalhes aqui das conquistas da “vida moderna”, em todos os campos do conhecimento e da prática. Isso tudo não tem se refletido plenamente na qualidade do cotidiano das pessoas. Não mesmo! Na economia, a renda da produção de riquezas que é gigantesca, graças à modernização, tem se concentrado cada vez mais nas mãos de poucos, a ponto de que 26 pessoas no planeta detêm a riqueza de 4 bilhões de seres humanos. A pobreza e a fome expandem-se pelos continentes como uma pandemia de “peste social”. A África é a mais sofrida, seguida pela Ásia e pela América Latina. A relação entre países ainda se dá sob a forma de espoliação de recursos naturais, e boa parte das vezes pela força. A desigualdade social e a miséria batem recordes. Por outro lado, o desenvolvimento econômico, que é enorme, impulsionado por todas as conquistas tecnológicas e científicas, bate recorde no consumo de bens, na agricultura e nos serviços. Mas tem sido um desenvolvimento baseado na exploração desplanejada e predatória dos recursos naturais do planeta. Na metade do ano já extraímos todos os recursos que a Terra pode nos dar por um ano inteiro. E cada vez mais! Além disso grande parte dos resíduos produzidos pelo consumo humano é “jogada na natureza”, impactando destrutivamente o meio ambiente e a vida. Agora, vieram com força os fenômenos extremos das mudanças climáticas, com eventos agressivos do clima, produzidos pelas emissões de gases do efeito estufa oriundos da queima dos combustíveis fósseis. Todos esses fatores, somados, impactam na vida e na organização social da humanidade. A pobreza e as degradações ambientais provocam enormes ondas migratórias. A luta pela água e por comida espalha-se nos países mais pobres. As doenças consequentes dessa situação matam milhões de pessoas pelo mundo, por viroses, calor e frio, escassez hídrica e alimentar, chuvas violentas, secas prolongadas e desassistência médica. A reação dos poderes globais tem sido catastrófica. Os líderes autocráticos do mundo, ao invés de avançar na cooperação e entendimento internacional, fomentam a disputa entre os países, o questionamento da governança global, o enfraquecimento da ONU e suas agências como a OMS. As guerras e os genocídios são manifestações da crueldade, da barbárie e da imbecilidade humana desde os primórdios. São ações que dizimam vidas e destroem o meio ambiente e as cidades. Recrudescem agora, como espectro de conflito global. A guerra da Ucrânia, a guerra de Gaza, a invasão da Venezuela, a guerra do Irã, as ameaças à Cuba, a ameaça ao Canadá e à Groelândia são exemplos trágicos que estamos vivendo. Pela “direita”, Trump, “o xerife do mundo”, os sauditas, Netanyahu, Bukele, Milei, etc, e pela “esquerda”, Xi, Putin, Jong, aiatolás, o hezbollah, etc, provocam a polarização política extrema. São os agentes modernos da barbárie. As ameaças, as invasões territoriais, e as guerras abertas são a tônica das relações internacionais que vão se impondo na dominação e na apropriação dos recursos naturais alheios. Isso aprofunda a crise social, a desigualdade, a matança de pessoas, a grave crise ambiental e climática. Cultiva a desesperança, o individualismo e o ódio. Mais do que nunca precisamos de Paz, de solidariedade humana, de empatia, de compaixão, de proteção e recuperação da natureza. Mais do nunca os humanos precisam ser humanos, no mais alto significado da palavra. Esse é o desafio que nos impõe, esse malparado primeiro quarto do século 21. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

VORCARO: Mais um Capo na República

Vivemos hoje o inferno astral da ética e moralidade no Brasil. O caso Master coroou 25 anos de grandes escândalos públicos e privados, envolvendo o poder público, o mundo empresarial e muitas instituições da sociedade civil. Parece que a degeneração do caráter nacional é um poço que não tem fundo. No caso do Banco Master, o escândalo da vez, e de seu capo Vorcaro, estão envolvidas grandes figuras nacionais: governantes, juízes supremos, ”nobres parlamentares”, empresários e outros que surgirão. Um escândalo nacional! Vorcaro, pelo que parece, tem uma atitude de mafioso, articulado, ameaçador, perigoso. Um criminoso completo. Ele envolveu em suas tramoias mais de um ministro da suprema corte, governantes, vários parlamentares, gente do mundo das finanças, partidos políticos da “direita” e da “esquerda’. Um mago mafioso! Seria cômico, se não fosse trágico, a ginástica que vários próceres da república estão fazendo para abafar, sufocar e esconder os fatos do escândalo. Manipula-se a lei, a política, a justiça, a opinião pública para proteger Vorcaro e seus asseclas. O cheiro da podridão se espalha pelo país. É um susto após o outro, dia a dia, com cada nova notícia. A última, chocante, foi o “suicídio” do “Sicário” do Vorcaro, dentro de uma cela da Polícia Federal. É importante dizer que o trabalho da Polícia Federal tem sido estratégico, nesse, e outros casos escabrosos. Mas a “morte súbita” de um detento considerado uma enciclopédia do crime e que “se suicidou” numa cela de prisão, é no mínimo misteriosa. Precisa ser muito bem esclarecida, pois a população está com a impressão que houve “queima de arquivo”. Sicário era um homem bomba! Desde 2002, os escândalos no Brasil explodem, imensos, atingindo os governos Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e agora Lula de novo. Foi o Mensalão, o Petrolão, o Rachadão, o Emendão, o Descontão, o Masterzão e o Toffolão. O poder e as instituições brasileiras foram ocupados pela máfia do crime organizado. A corrupção e a roubalheira se tornaram supra ideológicas e inter partidárias. Brasileiros decentes: uni-vos! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

Carta Aberta Médicos pelo Clima- APM

A Associação Paulista de Medicina acaba de publicar a carta aberta Médicos pelo Clima. Conheça o teor no link- https://www.apm.org.br/wp-content/uploads/Carta-aberta-Medicos-pelo-Clima-1.pdf

GERAÇÃO AR CONDICIONADO

O aquecimento global é uma realidade cientifica, social, econômica e ambiental. Embora ainda haja os que negam, duvidam, e desdenhem, por desconhecimento, por descrença ou por má fé, os fatos mostram que o planeta vem se aquecendo e provocando as mudanças climáticas e seus fenômenos extremos. Um dos fenômenos mais sentidos por todos são as ondas de calor, cada vez mais intensas. Há épocas que as temperaturas ficam insuportáveis, chegando a níveis incompatíveis com a saúde e com a vida. Isso vem acontecendo em todas as partes do mundo de forma repetida. A reação dos governos e das pessoas tem sido insuficiente para mitigar e prevenir o evento. A saída para o grave incomodo tem sido “a mais fácil e paliativa”. A climatização dos ambientes internos passou a ser uma premissa. O ar condicionado transformou-se num fetiche humano. Mais um! Sabemos que a climatização dos espaços internos não é nova. Nos carros foi quase uma exigência de consumo, e isso já faz tempo. Nas residências e imóveis comerciais também foi ganhando escala. Mas nos tempos atuais, o ar condicionado tornou-se um refúgio imperativo para a proteção das pessoas contra o calor cada vez mais severo. Aqui no Brasil e em outras partes do mundo, temperaturas de 40/45 graus Celsius tem sido uma constante observada. No Rio de Janeiro, há pouco tempo, a sensação térmica chegou a 49ºC. Isso é causa certa de adoecimento e morte. Segundo dados citados pelo climatologista Carlos Nobre, o calor extremo é a maior causa de morte nas mudanças climáticas. Os cálculos são imprecisos, pois a medicina ainda não dominou o assunto, a ponto de diagnosticar todos os casos. Daí a subnotificação. A busca por energia limpa e a substituição dos combustíveis fósseis, causa principal emissão dos gases de efeito estufa, andam no ritmo muito aquém do necessário. Por isso o planeta continua no caminho do aquecimento. As instituições e as pessoas buscam a climatização dos ambientes como compensação para suportar as temperaturas. É comum vermos nas ruas, em dias de grande calor, as pessoas entrando em comércios, escritórios e repartições que têm ar condicionado, somente para proteger-se do calor extremo. A produção e a instalação dos condicionadores de ar têm aumentado vertiginosamente. O número de residências e outros imóveis que vem instalando esses aparelhos cresceu muito nos últimos tempos. Isso exige dinheiro para comprar, instalar e manter o sistema de refrigeração. Soma-se a isso o aumento significativo do gasto e do custo da energia elétrica necessária. No Brasil somente 20% da população tem acesso a aparelhos de ar condicionado. Parte dos “sem ar” viram-se com ventiladores mesmo, e parte significativa das pessoas nem isso possui. É preciso explicitar as contraindicações da climatização do ar: além dos custos da implantação e da sobrecarga no gasto de eletricidade, temos também os aspectos da saúde, pela pouca umidade desse ar, o choque térmico, e a contaminação por aparelhos malconservados. Assim, num resumo rápido, temos perdido a batalha contra as mudanças climáticas. O calor extremo tem sido o mais nocivo dos fenômenos climáticos: A saída para isso tem sido individual buscando a climatização de cada imóvel; as consequências são o gasto considerável com a instalação, a manutenção e a energia elétrica; só pequena parte da população do Brasil tem condições de adquirir o aparelho; temos ainda os agravos da saúde produzidos pelo ar condicionado. E por fim é mais uma solução paliativa para o problema mais grave do aquecimento global que continua relevado por grande parte da humanidade. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista