Gilberto Natalini SP

BRASIL: PAÍS DO FUTURO?

O Brasil é uma das maiores economias do mundo. Já foi a oitava e hoje é a 11ª. Esse é um número poderoso. Porém, aqui no rés-do-chão a situação é outra. Estamos entre os países mais desiguais do planeta. Aqui cerca de 8 pessoas possui a riqueza somada de 100 milhões de compatriotas. O sistema financeiro drena 43% do orçamento anual do país com o pagamento de juros e serviços da dívida pública. Não é o pagamento da dívida, só dos juros e serviços da mesma. Isso é uma hemorragia de nossa produção econômica. Pelo menos uma auditoria independente deveria ser feita para averiguar essa situação. Esse ano a dívida pública bateu em 10 trilhões de reais, quase 80% do PIB. O Governo Lula, que não mexe na lógica da política financeira, mantém os juros em 15% ao ano, emite títulos públicos para financiar os gastos do governo, cada vez maiores e mal gerenciados, numa escalada de gastança perdulária, incompetência no trato dos recursos públicos e ralos de corrupção incontroláveis. No Brasil temos 70 milhões de pessoas endividadas, 40 milhões de trabalhadores informais, 90 milhões de pessoas que vivem do Bolsa Família, com porta de entrada e sem porta de saída. A quantidade de subsídios públicos às atividades econômicas privadas bate recordes, drenando grandes quantias de recurso, muitas vezes sem retorno compensatório. Infelizmente, entra governo e sai governo, de “direita” e de “esquerda”, e essa situação só piora, podendo se dizer que nossa situação hoje é pré-falimentar. A polarização tóxica que invadiu o Brasil com xingamentos cruzados, chulos e medíocres, em nenhum momento toca na real situação de dependência e servidão a um sistema econômico e financeiro que coloca o país de joelhos, e penitencia a população à pobreza e exclusão. Enquanto não se enfrentar isso o futuro do Brasil estará sempre no futuro. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

BRASIL: RESTAURE-SE A MORALIDADE!

No Brasil, a democracia conquistada a duras penas em 1985 e reafirmada pela Constituinte de 1988 dá sinais explícitos de adoecimento. A República brasileira expõe, cada dia mais, o apodrecimento de suas estruturas, carcomidas por graves desvios políticos, econômicos, sociais e morais. A cada momento surgem fatos e notícias do processo de degeneração de nossas instituições e lideranças. Assim, todos os poderes da República, Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, e muitas entidades empresariais, organizações da sociedade civil, igrejas, sindicatos, partidos políticos e pessoas individuais, caíram na teia imensa e perigosa da polarização política tóxica, do fisiologismo, do populismo, do corporativismo e da incompetência, levando o Brasil para um perigoso lugar que coloca em risco a Democracia. Os poderes públicos brigam entre si, não pelas boas causas, mas defendendo privilégios e seus desvios morais e éticos. Ministros e Juízes, acumulam fortunas obtidas de condutas que envergonham suas togas. Parlamentares, atuam no seu interesse pessoal, produzindo um circo de horror, com escândalos que se repetem há décadas. O Poder Executivo desde o Federal, até os municípios perderam o pudor e desviam o suado dinheiro do imposto pago pelo povo, que se manifestam em mega escândalos, como o Mensalão, o Petrolão, o Emendão, o Descontão e agora o Masterzão. Os acordos políticos são usados para blindar as bandalheiras das “dignas” autoridades da República brasileira. Muitas empresas, instituições e organizações sociais entram nessa ciranda macabra de corrupção e de patrimonialismo participando como atores principais nesse teatro do absurdo que se instalou no Brasil. Parcela importante de nossa população naturalizou essa situação trágica em que nosso país se afundou. Não é raro ouvirmos das pessoas do povo a frase: “se eu estivesse lá, eu também roubava”. É preciso aqui registrar um agravante a toda essa situação, que é o crescimento e a infiltração em todas as regiões e instituições do Brasil do crime organizado. As quadrilhas do tráfico de drogas, de armas e de pessoas, hoje fazem parte da vida brasileira, tendo representantes eleitos e indicados nos poderes públicos, inclusive nos órgãos de segurança pública, diversificando suas ações e tornando-se uma “holding dos negócios do crime”. Funcionam como empresas. Já é a 8ª máfia do mundo, movimentando bilhões de reais. Uma praga que cresceu na sociedade brasileira. Mas, um país jamais será uma nação, se não tiver o interesse público republicano em primeiro lugar. Não tem sido nossa realidade. Portanto, coloca-se diante de nós uma tarefa gigantesca de agregar as forças e as pessoas que tem o compromisso de aprofundar e sanear nossa Democracia, no caminho da liberdade política, do desenvolvimento sustentável, da equidade social e da moralidade pública. A vida dos verdadeiros democratas e patriotas brasileiros nunca foi fácil. E a tarefa que nos é colocada é hercúlea. Mas o Brasil merece o esforço e a dedicação de todos nós. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

É HORA DE EDUARDO LEITE- Manifesto do movimento Livres da Polarização

O Brasil precisa sair do impasse político que aprisiona o país há anos. A polarização entre populismos – não importa que se digam de esquerda ou de direita – empobrece o debate público, tribaliza e sectariza a sociedade e impede que o país enfrente seus verdadeiros desafios. Essa lógica do “nós contra eles”, alimentada pelos populismos, substitui ideias por identidades políticas rígidas, transforma adversários em inimigos e bloqueia soluções modernas para problemas reais: desenvolvimento econômico sustentável, redução das desigualdades, qualidade da educação, segurança pública e fortalecimento das instituições democráticas. O movimento Livres da Polarização nasce da convicção de que o Brasil é maior do que essa disputa estéril. Queremos construir uma alternativa democrática, reformista e responsável — comprometidacom a liberdade, a justiça social, a economia moderna e o respeito às instituições. Uma alternativa que tenha coragem de enfrentar os erros dos populismos, sejam ditos de esquerda e de direita. Para isso, o país precisa de uma liderança nova, que não esteja vinculada politicamente a nenhuma dessas duas forças que dominam e atrasam o debate nacional, mas que seja capaz de dialogar com diferentes correntes democráticas e reunir brasileiros cansados da guerra ideológica permanente. Nesse contexto, ganha força o nome de Eduardo Leite. Político liberal de formação democrática, ele representa uma síntese moderna entre responsabilidade fiscal, compromisso social e respeito às liberdades democráticas. Sua trajetória demonstra capacidade de diálogo, construção de consensos e liderança reformista. Sua candidatura tem potencial para reunir setores de várias orientações políticas, que não pensam da mesma maneira, mas que podem se aglutinar em torno de um mesmo propósito, formando uma maioria política que represente o Brasil real: trabalhadores, empreendedores, jovens, profissionais e cidadãos que desejam caminhar para frente e não para os lados em eterno confronto. Eduardo Leite expressa a possibilidade de superar a polarização e construir um novo ciclo político no país, baseado em reformas, responsabilidade democrática e reconciliação nacional. Desperdiçaressa oportunidade de ouro neste momento frustrará as melhores expectativas da sociedade brasileira.O Brasil precisa virar essa página. E milhões de brasileiros que rejeitam a política tóxica da polarização começam a se reconhecer nessa alternativa. Livres da Polarização, 24 de março de 2026.

Educação ambiental: uma política transformadora

Confira o artigo intitulado ‘Educação ambiental: uma política transformadora’, publicado originalmente no site da AFPESP, de Gilberto Natalini, coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista, e de Ana Maria Villela Alvarez Martinez, coordenadora de Educação e Cultura e ocupante da cadeira nº 1 de Artes da Academia de Letras, Ciências e Artes (ALCA) da AFPESP. Confira o artigo clicando aqui.

Mulheres: o protagonismo é agora

Confira o artigo intitulado ‘Mulheres: o protagonismo é agora’, publicado originalmente no site da AFPESP, de Gilberto Natalini, coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista. Confira o artigo clicando aqui.

“AS MAGIAS DA SUSTENTABILIDADE”

Lançamos há pouco o livro “As Magias da Sustentabilidade”, com 23 coautores, onde escrevi o capítulo 2. É uma publicação singela, que relata as nossas diversas vivencias sobre o assunto. Hoje, a palavra sustentabilidade está na moda, porém, mais que uma palavra, ela deve se generalizar como prática e estilo de vida. O fato grave e real é que a relação dos humanos com a natureza está cada vez pior. A nossa capacidade de explorar e destruir os recursos naturais aumentou exponencialmente com as descobertas científicas e tecnológicas, chegando a um limite perigoso. A Mãe Terra não consegue mais recompor o que a humanidade retira do solo, da água e do ar, não só de minerais como também de biodiversidade. A exaustão do planeta é tamanha que no mês de agosto já extraímos tudo o que a Terra poderia nos dar no ano. Daí até o final de 12 meses é só devastação. A situação é muito grave e preocupante, e para piorar, grande parte dos resíduos do enorme consumo humano, são devolvidos para o meio ambiente de forma irregular, contaminando o solo, as águas e o ar. É isso que se chama de insustentabilidade. É claro, que muitas iniciativas vêm sendo tomadas ao redor do mundo no sentido de evitar a contaminação ambiental, de racionalizar o uso da água e de limpar o ar. No caso específico da emissão dos gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento do planeta e as mudanças climáticas, também há muitas iniciativas para buscar energias limpas e evitar o petróleo. Porém, todas essas medidas de preservação, de mitigação e adaptação às mudanças climáticas ainda são muito aquém das necessidades. Por isso, precisamos sim da magia, na transformação dos modos de produção, de consumo, de manejo dos resíduos, para transformar a consciência e a ação humana em suas relações com “a nossa casa comum”. Aí está a magia da sustentabilidade. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

SÃO PAULO E O ORÇAMENTO CLIMÁTICO

A Cidade de São Paulo sempre inovando. Agora, foi criado o chamado Orçamento Climático, e esse ano está consolidado em 28 bilhões de reais. Esse orçamento é distribuído em diversas Secretarias Municipais e diz respeito aos gastos com ações de mitigação e adaptação nos fenômenos das mudanças climáticas. Assim, estão previstos para 2026 como alguns exemplos: drenagem pluvial e áreas de riscos geológicos – 10 bilhões de reais; manutenção e implantação de parques, arborização urbana – 5 bilhões; eletrificação da frota de ônibus, corredores de transporte público e modernização semafórica – 39 bilhões; regularização e urbanização de favelas, programa mananciais – 16 bilhões de reais. O orçamento total da Cidade é de 130 bilhões de reais. A destinação de 25% disso para ações climáticas é uma inovação positiva no caminho de uma São Paulo mais resiliente e mais sustentável. É claro que ainda não é suficiente diante de todo o enorme desafio que vulnerabilidade climática exige. E também é preciso seguir com detalhes a execução desses recursos carimbados para as políticas ambientais. Mas, sem dúvida, a metrópole paulistana sai na frente mais uma vez. A Lei Municipal das Mudanças Climáticas de 2009, foi pioneira no Brasil, assim como a Lei de Reuso da Água e a eletrificação da frota urbana de ônibus, entre muitas outras legislações. Quase 80% da população do mundo vive nas cidades. Assim, esses aglomerados de pessoas, as vezes gigantescos, são os mais vulneráveis diante dos eventos climáticos extremos, como chuvas violentas, calor intenso, ciclones e tornados, e escassez hídrica. Em várias partes do globo, vivemos essas agressões da natureza. Aqui no Brasil temos os exemplos do Rio Grande do Sul, da Serra Fluminense, do Litoral Norte Paulista, e agora, várias cidades em Minas Gerais. Existem cerca de 10 milhões de brasileiros morando em áreas de risco, sujeitos a deslizamento e enchentes. No ano passado muitos milhares de pessoas morreram em consequência de ondas de calor, que desencadeiam doenças como AVC e infarto do miocárdio. No Paraná, uma cidade inteira foi destruída por um tornado. São Paulo tem muitas áreas de vulnerabilidade social, ambiental e climática. E tem sido realizadas várias iniciativas para diminuir esse risco. Mas é preciso dar mais velocidade nessas ações, pois o tempo não para. O Orçamento Climático é uma boa iniciativa para avançarmos. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista

GUERRA, É GUERRA. PAZ, É VIDA!

Nesse quarto inicial do século 21, onde a esperança era a modernidade e a felicidade coletiva e individual, nos deparamos com uma realidade cruel. Nossa esperança não se concretizou, e tudo pelo qual trabalhamos durante décadas parece que empacou e regrediu. O cenário do mundo nos assusta! Mas vamos por partes. É claro que reconhecemos os imensos avanços tecnológicos e científicos, que nos trouxeram a informática, a biotecnologia, a cibernética, a astrofísica a inteligência artificial e todas as outras fontes de conhecimento. A velocidade das novidades é tamanha que nos encanta e as vezes nos agride. Não devemos dar detalhes aqui das conquistas da “vida moderna”, em todos os campos do conhecimento e da prática. Isso tudo não tem se refletido plenamente na qualidade do cotidiano das pessoas. Não mesmo! Na economia, a renda da produção de riquezas que é gigantesca, graças à modernização, tem se concentrado cada vez mais nas mãos de poucos, a ponto de que 26 pessoas no planeta detêm a riqueza de 4 bilhões de seres humanos. A pobreza e a fome expandem-se pelos continentes como uma pandemia de “peste social”. A África é a mais sofrida, seguida pela Ásia e pela América Latina. A relação entre países ainda se dá sob a forma de espoliação de recursos naturais, e boa parte das vezes pela força. A desigualdade social e a miséria batem recordes. Por outro lado, o desenvolvimento econômico, que é enorme, impulsionado por todas as conquistas tecnológicas e científicas, bate recorde no consumo de bens, na agricultura e nos serviços. Mas tem sido um desenvolvimento baseado na exploração desplanejada e predatória dos recursos naturais do planeta. Na metade do ano já extraímos todos os recursos que a Terra pode nos dar por um ano inteiro. E cada vez mais! Além disso grande parte dos resíduos produzidos pelo consumo humano é “jogada na natureza”, impactando destrutivamente o meio ambiente e a vida. Agora, vieram com força os fenômenos extremos das mudanças climáticas, com eventos agressivos do clima, produzidos pelas emissões de gases do efeito estufa oriundos da queima dos combustíveis fósseis. Todos esses fatores, somados, impactam na vida e na organização social da humanidade. A pobreza e as degradações ambientais provocam enormes ondas migratórias. A luta pela água e por comida espalha-se nos países mais pobres. As doenças consequentes dessa situação matam milhões de pessoas pelo mundo, por viroses, calor e frio, escassez hídrica e alimentar, chuvas violentas, secas prolongadas e desassistência médica. A reação dos poderes globais tem sido catastrófica. Os líderes autocráticos do mundo, ao invés de avançar na cooperação e entendimento internacional, fomentam a disputa entre os países, o questionamento da governança global, o enfraquecimento da ONU e suas agências como a OMS. As guerras e os genocídios são manifestações da crueldade, da barbárie e da imbecilidade humana desde os primórdios. São ações que dizimam vidas e destroem o meio ambiente e as cidades. Recrudescem agora, como espectro de conflito global. A guerra da Ucrânia, a guerra de Gaza, a invasão da Venezuela, a guerra do Irã, as ameaças à Cuba, a ameaça ao Canadá e à Groelândia são exemplos trágicos que estamos vivendo. Pela “direita”, Trump, “o xerife do mundo”, os sauditas, Netanyahu, Bukele, Milei, etc, e pela “esquerda”, Xi, Putin, Jong, aiatolás, o hezbollah, etc, provocam a polarização política extrema. São os agentes modernos da barbárie. As ameaças, as invasões territoriais, e as guerras abertas são a tônica das relações internacionais que vão se impondo na dominação e na apropriação dos recursos naturais alheios. Isso aprofunda a crise social, a desigualdade, a matança de pessoas, a grave crise ambiental e climática. Cultiva a desesperança, o individualismo e o ódio. Mais do que nunca precisamos de Paz, de solidariedade humana, de empatia, de compaixão, de proteção e recuperação da natureza. Mais do nunca os humanos precisam ser humanos, no mais alto significado da palavra. Esse é o desafio que nos impõe, esse malparado primeiro quarto do século 21. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista