Instituto Escolhas promoveu debate sobre desmatamento zero

Aconteceu nesta 2ª feira (30), no auditório do Insper, o seminário “Qual o Impacto do Desmatamento Zero no Brasil ? (aspectos sociais, ambientais e econômicos)”. O evento foi organizado pelo Instituto Escolhas, Insper e Folha de São Paulo (FSP), com apoio da Climate and Land Use Alliance.


Os três painéis giraram em torno do estudo de mesmo nome do título, conduzido por equipe de pesquisadores da ESALQ/USP, liderados pelo Prof. Dr. Joaquim Bento de Souza Ferreira Filho. A moderação ficou a cargo de Sergio Leitão, diretor executivo do Escolhas e do jornalista Marcelo Leite, colunista da FSP. A principal conclusão é que no modelo matemático considerando zerar o desmatamento até 2030 se tem um impacto de somente 0,62% do PIB, amplamente compensado pelos ganhos ambientais proporcionados e expectativa de que isso possa ser feito de forma concomitante com geração de renda pela economia verde. O estudo partiu de condições conservadoras e por isso seus resultados são robustos, já que por exemplo não se levaram em conta que ganhos de produtividade poderão extrapolar as tendências atuais. A pecuária responde por 5% do PIB do setor agropecuário e em geral adota tecnologias muito atrasadas como o manejo extensivo. Portanto há amplo espaço para se reduzir a pegada de carbono de uma atividade entre as campeãs da geração de gases de efeito estufa (metano liberado na digestão pelo gado bovino).
Houve um intenso debate sobre os custos de transição e os efeitos sociais, já que as famílias mais humildes seriam as mais penalizadas pela dificuldade de mudar de região. Também se criticou fortemente a bancada ruralista no Congresso pela prepotência com que vem atuando para promover o retrocesso na legislação ambiental.
O vereador Gilberto Natalini (PV/SP) não pôde estar presente, mas foi representado pelo seu assessor de meio ambiente Marcelo Morgado, que levantou com os organizadores do estudo dois aspectos: 1) se levou-se em conta que no desmatamento líquido pode haver potencial para se avançar em manejo sustentável com um novo mercado de madeira-de-lei certificada; 2) se teria se levado em consideração o “desmatamento formiguinha” que destrói o sub-bosque e é bastante comum nas invasões em São Paulo. Outra vertente a explorar é que mesmo se preservando a flora não se pode negligenciar o papel da caça e tráfico de animais silvestres para extinguir animais mais raros de nossa fauna.
O vereador Natalini é autor de diversos Projetos de Leis para proteger nossas matas como os que proíbem a venda de carvão de mata nativa e de palmito juçara. Ele também é autor da lei que favorece a merenda escolar orgânica, o que pode fixar famílias no campo (o novo Plano Diretor recriou uma zona rural em Parelheiros), evitando o êxodo rural e o aumento da favelização no centro urbano.

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