O meu, o seu, o nosso lixo

As pessoas, no geral, após comprar e consumir um produto embalam o que sobrou dele e colocam na porta de casa como lixo, para ser recolhido e descartado. 

Essa é a rotina em boa parte das cidades, inclusive em São Paulo. 

É claro que há aqueles que fazem o descarte irregular, jogando seus resíduos nas portas dos outros, em áreas públicas e privadas. 

O fato concreto é que no imaginário popular, o lixo descartado não é mais um problema seu. Ledo e tenebroso engano. 

Os danos à saúde pública (saúde de cada um de nós), ao meio ambiente, à zeladoria urbana, ao convívio social na cidade, que o destino errado do lixo causa é astronômico. 

No Brasil cerca de 30% das cidades jogam seus resíduos a céu aberto, nos chamados lixões. As cidades do Rio de Janeiro e Brasília até pouco tempo viviam essa realidade. 

São Paulo, já há tempos destina seu lixo para aterros sanitários, com devido tratamento dos resíduos e seu chorume. 

Assim, temos aqui o aterro Bandeirante, já encerrado, e o aterro São João, em fase de esgotamento…

Hoje, São Paulo, que produz 20 mil toneladas de lixo por dia, sendo aproximadamente 12 toneladas de lixo domiciliar e o restante entre resíduos provenientes de feiras livres, entulho, varrição, resíduos de saúde e outros, tem que alugar o aterro de Caieiras, pois não tem mais área útil permitida para aterro. 

O custo anual do orçamento municipal para a destinação do lixo doméstico comercial e de variação, é de 2 bilhões de reais por ano. 

Portanto, passou da hora dos paulistanos, governo, instituições, empresas e cidadãos, tomarem “vergonha na cara” e começar a dar um tratamento moderno e necessário ao nosso “lixo de cada dia”. 

Oficialmente a cidade recicla 2% do seu lixo. Mas fizemos um apanhado do que é feito também pelo privado e podemos chegar a 15%. O lixo úmido (chamado orgânico) é 51% do total do lixo domiciliar.  De resto, 35% é reciclável e o restante é o chamado rejeito. 

O primeiro desafio é produzir menos lixo. Consumir de forma consciente, repensar, reutilizar, reciclar e reduzir. Isso é educação ambiental. 

Em seguida aumentar, mas aumentar muito nossa reciclagem. Seja doméstica, seja comercial, seja pública. Separar o lixo em casa e dar o destino de reaproveitamento.

Isso é possível fazer, com o conhecimento das pessoas e compromisso efetivo do poder público.

Aqui também estamos emperrados, em que se pese o esforço de pessoas, de empresas, de condomínios. 

O lixo orgânico deve ser compostado.  Essa logística não é simples, mas é cabível.

Hoje as tecnologias avançaram, seja pelo avanço na compostagem por máquinas, seja pela solução de transformar o lixo em energia.

Em minha residência resolvemos há tempos fazer nossa lição de casa: separamos o lixo seco e como temos o caminhão de reciclagem duas vezes por semana, destinamos para isso.

O lixo orgânico que produzimos é destinado a compostagem em nossa casa. O rejeito que sobra é mínimo. Esse sim vai para o aterro.

A política de resíduos de São Paulo tem um atraso de décadas. É muito caro, e embora tenha uma logística complexa, está defasada diante das necessidades de inovação do manuseio e destino do lixo.

Forças econômicas e forças do hábito puxam o processo para trás.

Cabe a cada um de nós destravar esse nó.

Gilberto Natalini- Médico, Ambientalista e Vereador (PV/SP)