A PANDEMIA DE CRIMES!

O Brasil é campeão mundial de feminicídios. É vice-campeão de mortes por assassinatos. É campeão mundial de carros blindados. E disputa o campeonato global de desigualdade social. Mas não vou falar sobre o Brasil. Vou falar sobre São Paulo, a Cidade. Tenho conversado com muitas pessoas sobre a vida por aqui. Com todos que eu falo, sempre tem uma notícia, um episódio, um caso de vítima da violência urbana. Ou é a própria pessoa, um parente, um amigo, um conhecido. O fato é que ninguém vive mais tranquilo por aqui. Um celular roubado aqui, um dinheiro tomado ali, um roubo de carro acolá, uma invasão de casa mais pra lá, um crime sexual, um feminicídio, um assalto a mão armada, um golpe virtual mais pra frente. É assim que o paulistano está vivendo. Uma pandemia de crimes de grande, médio e pequeno porte. A pandemia do medo e da insegurança caminha junto. Não temos paz durante o dia, e a noite o medo é gigante. São quadrilhas de todos os tipos e tamanhos, e também ladrões e espertalhões avulsos que aterrorizam a vida dessa Cidade, nas ruas, no transporte, nas casas, nos espaços públicos e privados, nas redes sociais. Todas as medidas tomadas pelos poderes públicos parecem ser insuficientes. As pessoas vivem com medo cotidiano, e tomando cuidados individuais severos, para sua própria segurança. Sabemos que as causas dessa explosão criminosa são várias e complexas. Sabemos também que os exemplos dados pelas autoridades, nos escândalos de roubalheira e corrupção, servem de estímulo para as práticas ilícitas. Sabemos que parte dos órgãos de segurança tem envolvimento com práticas condenáveis. O fato é que enquanto o crime organizado cresce e aparece, o cidadão comum vive apavorado no seu dia a dia, e não há horizonte de melhora a curto e médio prazo. Como dizia João Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
MEDICINA: FACULDADES A GRANEL!

Quando eu me formei há 51 anos, havia no Brasil 73 escolas de medicina. A maioria pública, como a Faculdade de Medicina da USP (estadual) e a Escola Paulista de Medicina (federal), ou filantrópicas, como a Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e a PUC de Sorocaba. Passado 5 décadas o Brasil hoje tem 500 Faculdades de Medicina. O que mudou? A maioria das escolas médicas hoje são particulares, pertencem a grandes grupos privados, que exploram o ensino como uma mercadoria. As mensalidades chegam de 10 a 15 mil reais, e a qualidade dos cursos estão abaixo da crítica. Boa parte dessas “Faculdades” possuem carência de professores, não têm Hospitais-Escola, e não oferecem estágios ou residência médica. O resultado desse comércio educacional, além de explorar seus alunos, é a formação de muitos profissionais com preparo deficiente para o exercício da profissão. Não sabem atender o paciente e caem no mercado de trabalho com seu CRM, praticando muitas vezes um atendimento que prejudica os pacientes. O Brasil forma hoje 40 mil médicos por ano, com conhecimento insuficiente da profissão, e em grande parte, sem possibilidade de aprimorar seus estudos. Na verdade, o ensino médico tornou-se um grande negócio, que não se preocupa com o bem-estar dos pacientes. Esse processo de precarização da profissão começou há tempo, mas vem piorando nos últimos anos. Hoje temos mais de 200 pedidos de abertura de novas Escolas de Medicina aguardando aprovação do MEC. O governo do Brasil, na busca de solução para o atendimento médico da população procurou sempre o caminho mais fácil. Criou em 2013 o “Mais Médicos”, importando médicos de países vizinhos, sem exigir revalidação do diploma, e muitas vezes com profissionais que eram apenas Técnicos em Medicina. Agora está criando o “Mais Especialistas” que flexibiliza a formação das especialidades, formando especialistas sem qualificação suficiente para atender a população. O Brasil tem hoje cerca de 600 mil médicos, número suficiente para atender a demanda, nos padrões da OMS. Mas a distribuição desses profissionais é extremamente desigual. Somada a profusão de Escolas Médicas de pouca qualidade, a falta de vagas na residência médica, e a queda na formação de especialistas, podemos afirmar que essa realidade está atingindo em cheio a prática da medicina, colocando a população em risco, com um atendimento cada vez menos qualificado. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
QUE FRIO É ESSE?

Muitas pessoas falam: que aquecimento global é esse com um frio congelante? Realmente a temperatura baixou demais por aqui. Todos estão tirando seus casacos do armário. Aqueles que os tem!!! Mas o aquecimento global que provoca as mudanças climáticas é assim mesmo. Além de chuvas violentas, das estiagens prolongadas, das ventanias assustadoras, do calor extremo, também temos os frios congelantes e as nevascas. Como o próprio nome diz, são mudanças bruscas e imprevisíveis no comportamento do clima ao redor do Planeta. Sem uma lógica ou uma previsibilidade. O que é certo, comprovado e verdadeiro, é que a média temperatura da Terra vem subindo gradativamente numa intensidade mais rápida do que foi previsto. Portanto, sentir o frio intenso, assim como o calor abrasador está dentro do escopo do aquecimento global. O fato preocupante é que as inúmeras iniciativas tomadas pela humanidade para prevenir e combater a desregulação do clima não tem a velocidade e a intensidade necessária para conter o fenômeno. O uso do combustível fóssil (petróleo) para produção de energia continua a toda. As emissões de gases de efeito estufa (GEE) aumentam ano a ano. Os desmatamentos não foram controlados nos países que tem florestas. A transição energética tropeça em obstáculos técnicos, mas principalmente em entraves econômicos, pela pressão dos produtores de petróleo. Aqui um frio arrepiante, na Europa um calor implacável matando milhares de pessoas e queimando vários países. A inercia dos governos, das empresas, das instituições e das pessoas, acomodados em sua rotina, ou “zona de conforto” é maior do que a ação decisiva para frear o aquecimento global. Enquanto isso, o clima, nervoso, incontrolável e ameaçador, vai destruindo e matando pelo mundo a fora. A grande maioria das pessoas já sabe da ameaça climática, mas poucos se dispõem a agir. Trata-se, então, de equiparar a intenção e o gesto. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O DATACENTER CEREBRAL

O cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios interconectados numa rede perfeita que emite entre si e para todo o corpo impulsos elétricos e também recebem de todo o corpo estímulos elétricos e hormonais por meio de longos fios condutores ou do sangue. É uma poderosa máquina biológica que produz movimentos, consciência, emoções e instintos. Poderíamos dizer que é o datacenter do organismo humano, e levou milhares de centenas de anos para chegar até aqui. A ciência, criada por esse mesmo cérebro, tem tido uma enorme velocidade de conhecimentos e realizações, difícil de acompanhar na atualidade. Todos os dias surgem um número imenso de novas descobertas científicas, que a tecnologia transforma em máquinas e equipamentos para o uso da humanidade. Umas das áreas que mais tem avançado é a tecnologia da informação. Desde os telefones celulares, passando por computadores, os avanços são enormes. Agora estamos na era dos Datacenters e da Inteligência Artificial. São incontáveis as novidades que aparecem todos os dias. Isso tem gerado uma conexão infinita das pessoas entre si, e com todo o planeta. O volume de conhecimento, de informações, de notícias, de debates, de pesquisas, de fakenews, é avassalador. E tudo isso chega a cada um de nós a cada segundo durante todos os dias, sem cessar, pela internet e redes sociais. É claro que tal avalanche de informações, boas ou ruins, verídicas ou mentirosas, estão causando uma revolução no comportamento das pessoas. Já há pesquisas que apontam que o cérebro não tem capacidade para absorver e processar tudo isso. Isso parece provável. Não sabemos ainda qual a modificação que isso já vem causando no comportamento e no estado físico das pessoas. Mas já podemos ver a “solidão conectada”, a “depressão do conhecimento” e a “agressividade da angústia”. Além é claro dos impactos físicos da fadiga e das mialgias do sedentarismo. O desconhecido mundo do conhecimento. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
NÃO DÁ PRA SER FELIZ!

Não é possível mais viver por aqui com o mínimo de tranquilidade. O número de ladrões, armados e desarmados, de falsários, de quadrilheiros, de corruptos, de abusadores, de assassinos, de delinquentes, de golpistas, está transbordando as estatísticas. Ninguém mais tem segurança de viver nesse lugar e nesse país. Rouba-se de tudo, de dia e de noite, nas ruas e nas casas, nos bairros ricos e pobres, na presença física e virtual. Rouba-se desde celulares até contas bancárias, passando por carros, joias e equipamentos. Roubam-se os sonhos, a esperança e o sossego. Roubam-se vidas. O Brasil, em cada canto, transformou-se num grande caldeirão de safadeza, corrupção, violência e criminalidade. Roubam a paz, minimamente necessária para se viver. Há muitas narrativas para essa explosão de criminalidade. A abissal desigualdade social do país, certamente é uma das causas principais. Mas a lassidão das leis, a morosidade do judiciário, a impunidade, a corrupção dos poderes públicos e privados, os exemplos deploráveis dos governantes são “multicausas” dessa situação. Também existe o histórico de formação do Brasil como Nação, desde seu descobrimento, colonização, império e república, com seus episódios repetidos de falcatruas e exploração. Somos um país grande, populoso, diverso, criativo, operoso, produtivo. Somos um povo afetivo e solidário em muitas ocasiões. Mas a violência e a morte têm explodido em cada esquina. Viver no Brasil de hoje se tornou perigoso, pelo volume de ameaças à segurança e à vida, principalmente nos grandes centros urbanos. A frouxidão dos governos ao tratar do assunto e a cumplicidade de muitos agentes públicos com as quadrilhas do crime organizado, refletem-se diretamente na ausência de políticas eficientes para garantir tranquilidade ao povo brasileiro. Infelizmente essa incompetência e inoperância está contida em todas as correntes ideológicas e políticas do país. Vai ser difícil sairmos dessa situação. Será preciso um choque de coragem, de moralidade, de participação popular para consertar o Brasil, dentro dos limites da Democracia. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O FRIO DAQUI E O CALOR DE LÁ

Está fazendo um frio mais intenso por aqui, que começou mesmo antes do inverno, principalmente no sul sudeste do Brasil, com temperaturas às vezes abaixo dos 10°C. E a previsão é de chegada de nova frente fria, que vai derrubar ainda mais a temperatura. Fazia tempo que não víamos isso. Por outro lado, nos EUA e na Europa, uma onda de calor intenso está adoecendo e matando gente. Na França, temos notícia da morte de 1.300 pessoas diretamente relacionada ao calor extremo. O Norte da Europa também se aqueceu bastante. A Ciência afirma, e nós sabemos, que essas variações atípicas do tempo se devem as mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global. As previsões futuras não são animadoras. Os fenômenos climáticos extremos caracterizados pelo calor, ondas de frio intenso, chuvas violentas e destruidores, secas prolongadas que devastam os cursos d’água, a agricultura, a segurança hídrica, e também ventos de alta velocidade, entre outros eventos. Esse é o “novo normal” do clima. O mais desesperador, é que, apesar do alerta, dos modelos de mitigação e adaptação que o mundo vem tomando, as emissões de gases de efeito estufa, principalmente pelo CO2, aumentam a cada ano. A transição energética, tão almejada e necessária, não tem conseguido diminuir a queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) pelo mundo afora. A velocidade das medidas praticadas pela humanidade para a precaução e prevenção das mudanças climáticas têm sido mais lenta do que o avanço da temperatura média do Planeta. Esse é o fato! Diante da ameaça concreta de degradação ambiental e colapso climático, cabe a cada um de nós tomarmos nossas medidas individuais, e fazermos a devida pressão na sociedade e nos governos para avançarmos na transição energética, na proteção e recuperação do meio ambiente, em nosso território e em todo mundo Portanto, passar da a consciência para a ação concreta é uma tarefa de cada um, em nome da preservação da vida. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
Democracia, soberania e vida com dignidade para os venezuelanos !!!

O povo da Venezuela tem sofrido muito com ditaduras, com intervenções estrangeiras, e agora com esse terremoto terrível. Merece todo o nosso apoio e solidariedade. Democracia, soberania e vida com dignidade para os venezuelanos !!!
O PAPA ME SURPREENDEU!

É inegável a tradição, o tamanho e a influência da Igreja Católica de Roma sobre a humanidade. Mesmo os que não estão entre os 1,2 bilhão de católicos, têm a influência direta ou indireta dessa potência histórica fundada por Pedro. Já mandou mais, muito mais! Mas mantém um poder político e religioso imenso. Eu admirava o Papa Francisco pelo seu jeito de pensar e agir. Revelava sensibilidade humana e não tinha medo de enfrentar os descaminhos da “vida moderna”, do poder e do dinheiro. Quando ele morreu, eu, mesmo não sendo católico, senti muito. E pensei: foi-se um papa progressista e antenado com seu tempo. Como é de praxe, a cúpula da igreja se reuniu e escolheu o novo papa, Leão IV. Eu não o conhecia. Nunca tinha ouvido falar dele. Era americano e pouco expressivo pelo menos na minha opinião. Assumiu o trono, e começou manso, tímido, falando baixo, quase inaudível. Pensei: vai ser um papa inexpressivo. Confesso que me enganei. Aos poucos, Leão IV, (que nome!!!) foi levantando a voz, e na sua pouca estatura foi ficando de pé, alcançando um tamanho enorme no mundo católico e fora dele. Sua voz vai sendo ouvida nos quatro cantos do Planeta, suave e firme, em favor das boas causas. Primeiro enfrentou Trump, o aloprado do mal, seu compatriota, que dirige de forma estabanada e agressiva os EUA. Trump reagiu com baixaria, como sempre, e Prevost retrucou com classe e galhardia. O Papa fala firme contra as guerras, os preconceitos sociais e a pobreza. Fala do meio ambiente e do clima com precisão. Diz do desespero dos imigrantes e dos excluídos. O Papa aponta o dedo para os autocratas, condena os ditadores, os senhores das guerras e os rentistas parasitas. Gosto de ouvi-lo falar e cobrar uma consciência humana dos humanos. E eu, que não tenho fé religiosa, estou gostando da postura desse líder religioso. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
TRUMP PERDEU A GUERRA!

Esse Donald Trump acredita ser o xerife do mundo. Montado no império econômico e militar americano ele tem tumultuado a ordem mundial com atitudes e ações dignas de um maluco empoderado, num vai e vem aloprado, com ameaças, blefes, bazófias e intervenções políticas e militares em outros países. Dentro dessa tática, Trump declarou a guerra ao Irã argumentando uma ameaça nuclear, mas principalmente pela disputa do petróleo local. A ditadura teocrática dos aiatolás estava sendo balançada pelos protestos do povo iraniano, que clama por liberdade. A ação bélica de Trump foi um fracasso. Além de não vencer no campo de batalha, o americano conseguiu ter o mundo contra ele, e pior, deu um folego ao regime dos poderosos do Irã com sua ditadura sanguinária. Um fiasco da geopolítica. Agora, Donald Trump vem “pianinho”, trazendo com falsa arrogância um “tratado de paz”, que é desrespeitado a todo instante pelo facínora Netanyahu e pelos atos terroristas do Hezbollah. O mundo passa por grave crise política, econômica e ambiental. O momento é de muito bom senso e soluções dialogadas, que respeitem o multilateralismo a sustentabilidade e a convivência pacífica. Esse é o caminho a ser construído para a governança global. E o atual presidente dos EUA vai na contramão da história. Sua derrota no Irã, apesar da destruição e da trapalhada já feitas, é um alerta contra novas aventuras. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
A DUPLA FACE DA VIDA

Somos um bicho muito esdrúxulo. Ao mesmo tempo carinhosos e violentos, criativos e destrutivos, pacíficos e belicosos, sinceros e mentirosos. Nós, os bichos humanos. Podemos dizer que somos um com a luz acesa e outro com a luz apagada, sendo os mesmos. Ao mesmo tempo que vivemos e convivemos em grupos sociais, podemos ser radicalmente individualistas. Já vimos gente que em instantes passa da mais pacata pessoa para uma agressividade fatal. Essa dualidade de ser está entre nós, rompendo os dias, os séculos e os milênios, e por mais que se evolua no tempo a dupla face humana permanece igual. O bem e o mal, o bom e o mau estão na mesma pessoa. As fantasias e os sonhos de vida enfeitam, convivem, entrelaçam o comportamento de cada um, mas não modificam a essência dualista que nos abriga. Nunca conseguiram explicar o porquê dessa contradição. Apenas é constatada e legitimada. Que assim seja!! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista