Pular para o conteúdo principal

Gilberto Natalini SP

As manchetes da última semana foram tomadas pela notícia de que oficinas contratadas por uma famosa grife espanhola, parte do maior grupo têxtil do mundo, utilizavam mão-de-obra estrangeira em condições análogas à escravidão. Os trabalhadores vinham de países vizinhos ao Brasil em busca do “sonho brasileiro” e se viam obrigados a trabalhar por meses, sob condições degradantes, apenas para quitar a dívida que contraíram durante a mudança. Não bastassem as jornadas de trabalho superiores de até 16 horas, as oficinas descumpriam normas referentes à saúde e segurança no trabalho. Já os brasileiros empregados nas oficinas tinham carteira assinada e todos os benefícios garantidos.

 

O fato chama atenção para três fatores cruciais. O primeiro é a consolidação do Brasil como líder político e econômico da América do Sul, atraindo imigrantes em busca de oportunidades que não encontram em sua terra natal. Em segundo lugar, serve de alerta para toda a população sobre a realidade do trabalho escravo, que pode estar mais próximo do que imaginamos. Finalmente, o caso expõe o preconceito a que estão submetidos alguns estrangeiros no Brasil.    

 

É triste notar como alguns grupos étnicos vindos de países de fronteira, como Peru e Bolívia, são mal tratados em São Paulo, uma cidade cosmopolita, que vem acolhendo milhões de estrangeiros nos últimos dois séculos. O próprio empresariado fortalece o preconceito, ao empregá-los sob condições diferentes dos trabalhadores brasileiros. Os imigrantes são desrespeitados e marginalizados, o que dificulta ainda mais sua adaptação a um país diferente.        

 

São Paulo precisa estar preparada para acolher os imigrantes, especialmente de países vizinhos, conforme a projeção do país aumenta. Sinalização em vários idiomas e profissionais treinados para lidar com estrangeiros são apenas algumas das iniciativas que devem ser tomadas. O mais importante é combater o preconceito e disseminar a idéia de que todos têm o direito a condições humanas de trabalho e moradia em uma cidade democrática e moderna como São Paulo.       

 

 

Os países da América do Sul devem permanecer unidos no século 21, para garantir um crescimento sustentável que envolva todos os povos do continente. O Brasil deve acolher os imigrantes dos países vizinhos, verdadeiros povos irmãos, e tratá-los com o respeito e a dignidade que todo ser humano merece.

 

Gilberto Natalini é médico e vereador (PV)