Vacinação e o dilema de doenças já extintas voltando

No Brasil, no início do século XX, uma em cada cinco crianças morria de alguma doença infecciosa antes dos 5 anos de idade. Anos se passaram, a tecnologia foi avançando e começaram a criar vacinas imunológicas para as crianças se protegerem de vírus e outras influências que possam aparecer. Mas, com toda essa proteção em questão, há muitos empecilhos no meio.

Ao longo do tempo, mesmo as vacinas já sendo bem utilizadas nos postos de saúde, ainda havia problemas, como falta de verba, pouca adesão de pessoas aos locais e uma falta de confiança/credibilidade perante aos antivírus e, assim, as doenças vão aparecendo cada vez mais.
Para o professor titular do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Manoel Otávio da Costa Rocha, o reaparecimento de uma doença extinta em um país, pode atingir todo um continente em poucas semanas. As áreas mais afetadas estão relacionadas diretamente a pobreza e miséria, sofridas mais por países subdesenvolvidos para baixo.
Como exemplo temos a dengue, que ficou por um tempo considerável sem causar problemas à população e, nos dias de hoje, o país está com índices altos de contaminação. Só na região sudeste, houve um crescimento de 43% neste ano, de acordo com o Ministério da Saúde.
No caso do sarampo, em 2016, a Organização Panamericana da Saúde (Opas) declarou aos países das Américas, como a primeira região do mundo livre de doenças infecciosas. Porém, pouco depois, a Venezuela começou a enfrentar um surto e, junto disso, veio a crise política, fazendo com que muitos venezuelanos ultrapassassem as fronteiras e chegassem ao Brasil. Com isso, a proliferação já atinge alguns estados do país. Amazonas e Roraima se encontram em estado de alerta e, no Rio Grande do Sul, alguns casos também foram detectados.
A poliomielite, que causa paralisia infantil, está erradicada no país desde 1990. Em 2016, no entanto, o país registrou a pior taxa de imunização dos últimos 12 anos: 84% no total contra a meta de 95%, recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados de 2016 são parciais até outubro mas, emitidos após a campanha nacional de multivacinação, finalizada em setembro, segundo informações do Programa Nacional de Imunização/Datasus.
Desde 2013, a cobertura de vacinação para caxumba, rubéola e o próprio sarampo, vem caindo ano a ano em todo o território brasileiro, ameaçando criar bolsões de pessoas suscetíveis a infecções antigas, mas fatais.
O desabastecimento de vacinas essenciais e municípios com poucos recursos para gerir programas de imunização são alguns dos fatores que podem estar envolvidos drasticamente na queda das taxas de vacinação.
Outra questão preocupante dessa situação, é o Movimento Antivacina, que se iniciou nos EUA e foi se multiplicando pelo mundo. A história aconteceu em 1998 e o problematizador foi o médico britânico Andrew Wakefield. Seu estudo, embora tenha sido publicado em um periódico respeitado no meio científico, contava com apenas 12 pacientes e não havia credibilidade. Forjando dados, Wakefield afirmava com firmeza que a vacina era a causa do autismo de seus pacientes mas, suas fraudes foram descobertas tempos depois.
Em São Paulo, duas famílias sofreram casos de coqueluche em crianças. Ambas não foram vacinadas por receio e escolha dos pais, pois temiam que a vacina causasse autismo ou tumores.
Como médico afirmo ser importante o conhecimento sobre as doenças e vacinas que as imunizam e nunca deixar de acreditar nas ações presentes da saúde pública. As vacinas são importantes, já foi comprovada a sua eficiência e é necessário sim se prevenir. Como exemplo, sou autor do PL 0099/2016 que estabelece um programa de ações emergenciais na saúde pública para o combate ao vírus aedes aegypti, chamado: “Guerra ao Mosquito”, no município de São Paulo.
Saúde de qualidade é direito de todos e nós devemos fiscalizar e fazer acontecer mais ações para a qualidade de vida da população.

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