Dos Ônibus Urbanos – Críticas e Sugestões

Dizem que na guerra entre o mar e as pedras, quem sofre são os mariscos. Da mesma forma, na guerra do transporte entre veículos quem sofre são os usuários de coletivos.
Os cinco milhões de automóveis que diariamente circulam na Metrópole recebem das autoridades a classificação de indesejáveis, visando forçar o uso de transporte público. No entanto, as pessoas que se aventuram em atender à essa “convocação comunitária” tem enfrentado problemas maiores do que o famigerado congestionamento viário. Senão vejamos: A Metrópole cresceu tanto que não mais se identifica pelos pontos cardeais: norte-sul; leste-oeste. Já se introduziram no pedaço os pontos Sudeste, Sudoeste, Nordeste e Noroeste.
Isto posto, na Zona Sul, o transporte público dos coletivos urbanos iniciam o trajeto pelos terminais instalados na periferia e de lá (considerando os horários comerciais) saem completamente lotados. Não cabe mais nenhum passageiro, por assim dizer. Mas eles têm que obrigatoriamente trafegar ou pela Av. Santo Amaro ou pela Av. Vereador JoséDiniz/Ibirapuera em toda sua extensão, embora praticamente lotados, enfrentam nesse trajeto cerca de (estimo) 30 pontos de ônibus.
Em cada um desses pontos, passageiros descem em menor volume do que sobem. Em média, em cada ponto sobem cerca de 10 pessoas, o que permite calcular entrada de +- 200/300 passageiros durante a viagem. Da mesma forma em contrário senso do centro para o bairro, saem vazios e vão se avolumando (literalmente falando) exageradamente, com gente pendurada. No espaço da entrada de passageiros, onde cabem, digamos 5 pessoas, geralmente temos 15 ou mais.
O interessante, porém, é que tanto o trajeto da Av.Santo Amaro/9 de Julho quanto o da Av. Ibirapuera/23Maio, chegam completamente sobrecarregados até o início da Santo Amaro (esquina com JK) ou do Largo de Moema/Hospital do Servidor.
Daí em diante ambos os trajetos passam a ter coletivos com lugares vagos, dando a impressão ao chegar ao destino final que a linha é “folgada” .
Da mesma forma, no retorno do Centro para o Bairro, saem vazios e no trajeto de estimados 40 pontos, recebem 10 pessoas – em média – em cada um deles.
Descer no meio do caminho constitui numa verdadeira aventura para se conseguir chegar à porta de saída, mesmo estando perto dela, pois se enfrenta obstáculos não só de pessoas como de sacolas, mochilas, bolsas e smartphones e desaforos.
No capítulo das sugestões, este é um drama muito fácil de ser resolvido: coletivos saindo do fim das avenidas (ou melhor, de Santo Amaro), coletando e no sentido contrário, coletando também no início, repetindo o que existia antigamente. Hoje em dia, foram extintas as linhas n°s 102 e 103, Santo Amaro, tornando-o bairro de passagem e não de preferência.
Porque será que as “autoridades competentes” (sic) não veem o transporte público sob esse ângulo e procurem melhorar o sistema de fato?

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