Relatório da Comissão da Verdade SP, presidida por Natalini, lembra os 40 anos da morte de Herzog

Solenidade de lançamento do Relatório da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, que aconteceu no plenário da Câmara de São Paulo, nesta segunda-feira (26), marcou os 40 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

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O vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da Comissão, abriu a cerimônia afirmando que “foi um trabalho bastante exaustivo, isento, profundo e democrático não livrando a responsabilidade de nenhum daqueles que cometeram atos abusivos no período”.
O Relatório com 450 páginas e fotos, elaborado durante o período 2013/2014, recolheu depoimentos de torturados e agentes da repressão além de resgatar inúmeros episódios que apontam para os crimes da ditadura militar.

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Para Natalini o Relatório entregue à sociedade paulistana e brasileira demonstra, indubitavelmente, que “tortura é um crime terrível, hediondo que uma pessoa comete contra outro ser humano”. O vereador salientou que “nunca mais vamos permitir em nosso país perseguições políticas”.
“O golpe de 64 foi perverso, maldoso e nasceu de um processo de corrupção”, destacou o vereador que, ao lado da viúva, Clarice Herzog, informou que o Relatório restituiu os mandatos de políticos cassados entre 1936 e 1969. “Quem foi cassado por questões políticas teve seu mandato restituído”. Foram 42 vereadores cassados injustamente por regimes arbitrários (1936/1969)
O vereador informou que, por meio do depoimento do coronel do Exército reformado, Erimá Pinheiro Moreira, já falecido,  ficou evidente a corrupção. “O coronel Erimá afirmou que, em 31 de março de 1964, o então comandante do 2º Exército, general Amaury Hruel foi subornado com a quantia de US$ 1,2 milhão pelo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo – Fiesp, Raphael de Souza Nochese, para trair o ex-presidente da República, João Goulart e apoiar o golpe militar”.
O Relatório da Comissão da Verdade de São Paulo foi de encontro ao Relatório Nacional no que diz respeito à morte do ex- presidente Juscelino Kubitschek. “Juscelino foi assassinado e não morto em acidente automobilístico como o regime militar tentou fazer passar”. O vereador Natalini é taxativo: “JK foi vítima de atentado político porque o regime militar não o queria como candidato à Presidência da República”. Baseado em 114 quesitos que sustentam a tese de assassinato, o relatório final pede o reconhecimento oficial de que JK foi vítima de um atentado.
O Relatório da Comissão da Verdade elucida muitos fatos daquela época e, durante a cerimônia, o vereador Natalini fez questão de destacar a importância de se “ampliar cada vez mais, os espaços democráticos e combater a injustiça social no Brasil”.
Natalini salientou que a Comissão conseguiu obter o depoimento do fotógrado Sivaldo Leung Vieira, autor da imagem de Vladimir Herzog, ex- diretor de Jornalismo da TV Cultura, morto na cela.
Justiça
O Relatório pede o prosseguimento da discussão sobre a responsabilidade criminal dos agentes que, ilegalmente, prenderam, torturaram e assassinaram durante a ditadura, além de sugerir a necessidade de uma sessão que aponte discursos de políticos que foram cúmplices no assassinato de Vladimir Herzog. Entre eles: José Maria Marin, Vadih Helou e João Lázaro de Almeida Prado.
O documento aponta também para a premência de se publicar os nomes de médicos e profissionais da Saúde que auxiliaram torturadores a arrancar informações dos presos e/ ou comercializar órgãos de indigentes. Neste sentido, o Relatório acata a proposta da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo.
Trocar nomes de avenidas, ruas e equipamentos públicos que homenageiam autoridades do período militar; solicitar à Prefeitura a elaboração de protocolo que identifique as pessoas sepultadas em São Paulo, com ou sem documentos, e que haja cremação apenas com mandado judicial e um estudo desvinculado do IML/ Instituto Médico Legal da Secretaria Estadual da Segurança Pública e sua transferência para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo são algumas das reivindicações dos parlamentares da Comissão da Verdade paulistana.
Homenagens
A viúva Clarice Herzog e o motorista Josias Nunes de Oliveira que conduzia o ônibus na rodovia Presidente Dutra na tarde de 22 de agosto de 1976 e que foi, injustamente, acusado de ter provocado o “acidente” que vitimou JK, foram homenageados. Além deles receberam homenagens: Ana Dias- viúva de Santo Dias, Serafim Jardim- Presidente do Instituto Vladimir Herzog, Coronel Erimá Pinheiro Moreira (in memorian), Lenira Machado, Vicente Sylvestre e Emílio Ivo.
O Relatório estará disponível no site do vereador www.natalini.com.br e impresso à disposição no gabinete Natalini.
Matéria G1- Apresentação Relatório Comissão da Verdade Vladimir Herzog
TV GAZETA- Assassinato de JK e Relatório Comissão da Verdade

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