18ª Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas – 23 de agosto

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Grande Encontro de Psoríase e Vitíligo 2019 – 25 de maio

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Curso de Boas Práticas para Atenção a Pessoa Idosa
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Carta Aberta Médicos pelo Clima- APM

A Associação Paulista de Medicina acaba de publicar a carta aberta Médicos pelo Clima. Conheça o teor no link- https://www.apm.org.br/wp-content/uploads/Carta-aberta-Medicos-pelo-Clima-1.pdf
GERAÇÃO AR CONDICIONADO

O aquecimento global é uma realidade cientifica, social, econômica e ambiental. Embora ainda haja os que negam, duvidam, e desdenhem, por desconhecimento, por descrença ou por má fé, os fatos mostram que o planeta vem se aquecendo e provocando as mudanças climáticas e seus fenômenos extremos. Um dos fenômenos mais sentidos por todos são as ondas de calor, cada vez mais intensas. Há épocas que as temperaturas ficam insuportáveis, chegando a níveis incompatíveis com a saúde e com a vida. Isso vem acontecendo em todas as partes do mundo de forma repetida. A reação dos governos e das pessoas tem sido insuficiente para mitigar e prevenir o evento. A saída para o grave incomodo tem sido “a mais fácil e paliativa”. A climatização dos ambientes internos passou a ser uma premissa. O ar condicionado transformou-se num fetiche humano. Mais um! Sabemos que a climatização dos espaços internos não é nova. Nos carros foi quase uma exigência de consumo, e isso já faz tempo. Nas residências e imóveis comerciais também foi ganhando escala. Mas nos tempos atuais, o ar condicionado tornou-se um refúgio imperativo para a proteção das pessoas contra o calor cada vez mais severo. Aqui no Brasil e em outras partes do mundo, temperaturas de 40/45 graus Celsius tem sido uma constante observada. No Rio de Janeiro, há pouco tempo, a sensação térmica chegou a 49ºC. Isso é causa certa de adoecimento e morte. Segundo dados citados pelo climatologista Carlos Nobre, o calor extremo é a maior causa de morte nas mudanças climáticas. Os cálculos são imprecisos, pois a medicina ainda não dominou o assunto, a ponto de diagnosticar todos os casos. Daí a subnotificação. A busca por energia limpa e a substituição dos combustíveis fósseis, causa principal emissão dos gases de efeito estufa, andam no ritmo muito aquém do necessário. Por isso o planeta continua no caminho do aquecimento. As instituições e as pessoas buscam a climatização dos ambientes como compensação para suportar as temperaturas. É comum vermos nas ruas, em dias de grande calor, as pessoas entrando em comércios, escritórios e repartições que têm ar condicionado, somente para proteger-se do calor extremo. A produção e a instalação dos condicionadores de ar têm aumentado vertiginosamente. O número de residências e outros imóveis que vem instalando esses aparelhos cresceu muito nos últimos tempos. Isso exige dinheiro para comprar, instalar e manter o sistema de refrigeração. Soma-se a isso o aumento significativo do gasto e do custo da energia elétrica necessária. No Brasil somente 20% da população tem acesso a aparelhos de ar condicionado. Parte dos “sem ar” viram-se com ventiladores mesmo, e parte significativa das pessoas nem isso possui. É preciso explicitar as contraindicações da climatização do ar: além dos custos da implantação e da sobrecarga no gasto de eletricidade, temos também os aspectos da saúde, pela pouca umidade desse ar, o choque térmico, e a contaminação por aparelhos malconservados. Assim, num resumo rápido, temos perdido a batalha contra as mudanças climáticas. O calor extremo tem sido o mais nocivo dos fenômenos climáticos: A saída para isso tem sido individual buscando a climatização de cada imóvel; as consequências são o gasto considerável com a instalação, a manutenção e a energia elétrica; só pequena parte da população do Brasil tem condições de adquirir o aparelho; temos ainda os agravos da saúde produzidos pelo ar condicionado. E por fim é mais uma solução paliativa para o problema mais grave do aquecimento global que continua relevado por grande parte da humanidade. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
PAÍS DO FUTURO… DISTANTE

O Brasil nunca foi um país fácil para se viver e se compreender. Desde seu descobrimento cometeu muitos “pecados” e muitas “redenções”. Os descobridores vieram aqui para delapidar nossas riquezas naturais: madeira, minérios, pedras preciosas, biodiversidade e outras tantas. E assim o fizeram. Para isso submeteram e quase exterminaram os povos originários de nossa terra. Quando chegaram a população do lugar era de 5 milhões de pessoas, hoje são cerca de 1,5 milhão. Depois de um tempo foram à África buscar a mão de obra escrava. A escravidão durou 300 anos e fomos o último país do mundo a aboli-la. A terra nativa foi dividida em capitanias e doada a exploradores vindos da matriz, que extraíram tudo que podiam, a chicotadas e assassinatos. Chegamos à independência 300 anos depois. Veio o Império, mudou o poder, mas permaneceu o modus operandi de dependência e submissão. Menos de 100 anos depois chegou a república como um golpe de Estado, uma quartelada chefiada pelo Marechal Deodoro. Nessa altura já nos instalamos como um país agrícola, de grandes latifúndios, enorme desigualdade social e as marcas visíveis da escravidão e do desenvolvimento predatório. Podemos afirmar sem errar, que essas marcas persistem até hoje. O exercício do poder se deu, desde o início, sob a forma de forte dominação das elites, em meio a muitos levantes populares, desmandos, abusos, e uma rede de corrupção que passou de geração a geração. É claro que a força da vida promoveu uma miscigenação sem igual, entre os brancos europeus, os negros africanos, os indígenas da terra e os asiáticos que por aqui chegaram. Assim surgiu o brasileiro de hoje, que não tem iguais pelo mundo afora. Isso, segundo Gylberto Freire, nos deu uma força especial, uma forma peculiar de viver, de resistir, de suportar, de criar, de reinventar. O povo brasileiro é sobretudo um forte, criativo, sagaz, trabalhador e sobrevivente de todo esse processo torto de construção de um país. Porém, nossas elites, nativas e estrangeiras, foram e são implacáveis na fome de impor seu modo de comandar. A desigualdade social atingiu níveis insuportáveis. O acumulo de riquezas, e estamos entre a 8ª e a 10ª economia do mundo, se concentra cada vez mais na mão de poucos. A distribuição de renda é feita por meio de bolsas esmolas, que como disse Luís Gonzaga, “vicia o cidadão”. Hoje já são 90 milhões de brasileiros que dependem delas. A exploração de nossas riquezas naturais ainda segue a lógica dos descobridores. O Brasil caminha no seu desenvolvimento depredando suas terras e matas, suas águas, rios, lagos e mares, e sua atmosfera também. Apesar de legislações mil, o modelo de destruição continua no campo e nas cidades. Há algum tempo o Brasil busca um ritmo mais sustentável de desenvolvimento. Mas ainda não conseguiu impô-lo. Desde a Proclamação de República nossa democracia evolui por espasmos, entre períodos de liberdade e regimes autoritários, ou governos populistas de “direita” e “esquerda”. Tivemos os primeiros governos republicanos, logo em seguida à Ditadura de Vargas de tendência nazifascista. Depois um período de democracia liberal, interrompida pelo Golpe Militar de 1964 que durou 21 anos. A redemocratização veio em 1985, e nosso país tem alternado diversos governos populistas ditos de “direita” e “esquerda”. O populismo faz mal à nação porque vive de demagogia, de fisiologismo, de mentiras e factoides. Por fim e não menos importante temos o quesito moralidade. O Brasil é conhecido como um pais corrupto desde o seu descobrimento. Não é à toa que se fala do tal “jeitinho do brasileiro”. Muitos de nossos dirigentes, governantes, lideranças e gente do povo sempre viveram aplicando golpes, burlando as leis, furando as filas, se apropriando de dinheiro alheio. Isso é de domínio público. Após a redemocratização tivemos 2 presidentes impedidos (Collor e Dilma) e quatro presidentes presos (Lula, Temer, Collor e Bolsonaro). Um recorde de bandalheiras. Mas, nos últimos 25 anos a corrupção tomou proporção de pandemia transformando o Brasil numa sequência de esquemas e escândalos avassaladores que nos jogou no 107º lugar no ranking da moralidade pública. Está feio demais de se ver! No último quarto de século tivemos o Mensalão, o Petrolão, o Rachadão, o Emendão, o Descontão, o Masterzão, o Toffolão, e sabe Deus o que mais vem por aí. A corrupção transpassou 4 presidentes e seis governos, todos eles no “olho do furacão”. Ela abrange gente de todos os matizes ideológicas e partidárias, e tomou de assalto os poderes executivo, legislativo, judiciário e líderes empresariais, religiosos, esportivos, comunitários e tantos outros. Ficou insuportável! E agora? O Carnaval passou, e a vida volta à realidade. A doença tomou conta da nação e seus órgãos foram apodrecendo diante da roubalheira. O remédio para isso será amargo e a solução é drástica e dolorosa. Mas terá que acontecer dentro dos limites da Democracia. Reunir os brasileiros do bem, que são muitos, e agir. A ética e a moralidade precisam imperar! Tarefa de gigante! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
MEIO AMBIENTE, CLIMA E SAÚDE

Aprendi desde a década de 70, nos bancos da Escola Paulista de Medicina (EPM-UNIFESP), que a saúde das pessoas está diretamente relacionada ao lugar que elas vivem e aos hábitos de vida, individuais e sociais. Dessa forma, desenvolvi todo o meu conhecimento e prática médica olhando os pacientes, não só como indivíduo isolado, mas levando em conta seu histórico de vida, o meio ambiente que o cerca e seus hábitos pessoais e coletivos. Essa visão da medicina comprovou-se cada vez mais correta. O médico, além de um conhecedor da fisiopatologia humana, deve ser um ativo agente sócio ambiental, se quiser praticar a profissão de forma mais correta. E assim tenho agido nos últimos 55 anos. Já na Faculdade comecei a atuar no movimento estudantil, lutando por melhores condições de ensino para nós, melhores condições de vida para a população e pela Democracia no Brasil. No decorrer das décadas seguintes, nunca arriei a bandeira, apenas fui acrescentando pontos a ela. Assim fundamos e organizamos o movimento dos residentes no Brasil. Estivemos na Diretoria do Sindicato dos Médicos/SP por três gestões e atuamos na Associação Paulista de Medicina desde o final da década de 70. Também fomos para a periferia da Cidade de São Paulo, criando o Voluntariado Médico do Cangaiba e fundando a Associação Popular de Saúde, onde atuamos até hoje. Em todas essas frentes de atuação, propusemos e executamos um trabalho de humanização do atendimento médico, atuando socialmente para melhorar as condições de vida das comunidades e proteger o meio ambiente. Participamos ativamente da proposição e criação do SUS, desde o início, passando pela Assembleia Nacional Constituinte e as Leis Complementares. Desde 1980 já vínhamos atuando como chefe do Departamento de Medicina do Trabalho do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo, onde criamos uma extensa ação de melhoria das condições dos ônibus da Cidade. Mantenho consultório há 40 anos, atendendo clínica médica e cirúrgica. Em 1989 fui concursado como médico na Prefeitura de São Paulo. Em seguida assumi o cargo de Coordenador de Saúde do Trabalhador do Distrito e do Hospital do Campo Limpo. Ali desenvolvemos um extenso trabalho de Saúde do Trabalhador, com atendimento a pacientes e ação preventiva, educativa e fiscalizatória nos ambientes de trabalho da região. Todas essas ações nos diversos locais descritos seguiram a premissa inicial de meio ambiente e saúde. Em 1997, assumi a Secretaria de Saúde de Diadema. Logo em seguida fui eleito Presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (COSEMS), onde fiquei por 2 gestões, e em seguida eleito para a Presidência do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde do Brasil. Foram 4 anos de implantação prática do SUS nos 5561 municípios do país. Um tempo riquíssimo de expandir a rede pública de saúde e sustentabilidade. O José Serra era Ministro da Saúde e a parceria foi intensa. Foi quando criamos a rede de Municípios Saudáveis. Para se ter uma ideia, em 1999 quando assumimos o CONASEMS, tinham 1800 equipes de PSF (Programa de Saúde da Família) no Brasil. Quando sai, em 2000, já existiam 18 mil equipes. Um trabalho de parceria entre os municípios e o Ministério da Saúde, coordenados por nós, e gestão do Ministro Serra. Um aumento de 10 vezes, em 2 anos. Considero esses tempos como uma atuação exitosa no conceito de atendimento e promoção de saúde, além do primeiro trabalho que fizemos em Diadema, reconhecido pelos setores sociais da cidade. Diminuímos a mortalidade infantil naquele município de 22.8 para 14.1, em quatro anos, e continuou em queda, entre muitos outros indicadores que atuamos. Em 2000 concorri e fui eleito vereador da cidade de São Paulo, tendo exercido 5 mandatos, por 20 anos, até não querer mais concorrer em 2020. Nesse período tive 97% de presença no Plenário e nas Comissões, fiz mais de 2000 discursos em Plenário e apresentei 419 Projetos de Lei, tendo aprovado 147 Leis. Minha atuação parlamentar foi nas áreas da Saúde, Meio Ambiente, Urbanismo e Zeladoria Urbana, com forte impacto na Cidade de São Paulo. Leis como dos ônibus elétricos, logística reversa municipal, aproveitamento de madeira de poda de árvores, água de reuso, programa de Psoríase, de Alzheimer, criação de vários Parques (Vilas Boas e Bexiga, entre outros), fiscalização de recursos públicos, e muitos outros surgiram de nosso Gabinete. Criamos a exitosa Conferência Municipal de Mudanças Climáticas que está em sua 23ª edição. Nesse período fui Secretário Municipal de Participação e Parcerias, do Verde e Meio Ambiente e de Mudanças Climáticas. Participei de inúmeros Conselhos e Movimentos Sociais, sempre com a visão de integrar meio ambiente, clima e saúde. Participei de várias COPs, representando a Cidade. E lutei, lutei muito, pelas Leis ambientais e climáticas da Cidade. Lutei demais e dei o exemplo pessoal pela moralidade pública. Sempre! Entre 2015 e 2020 me empenhei em defender as matas da Cidade, em particular nas margens das represas, que vinham sendo devastadas pela ação imobiliária do crime organizado (PCC). Produzi o dossiê “Devastação da Mata Atlântica de São Paulo”, e denunciei, combati, e conseguimos diminuir o crime ambiental praticado. Por isso tive 14 ameaças de vida, mas sobrevivi. Não me aposentei, mudei de trincheira, do parlamento para a sociedade civil. Hoje, a convite, coordeno a área de meio ambiente da AFPESP (Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo) e a Comissão de Meio Ambiente, Clima e Saúde da APM (Associação Paulista de Medicina). São trabalhos pró-bônus de grande importância. Para mim, a prática da medicina é um misto de ciência, técnica e compromisso sócio ambiental. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
O CASO DO CÃO ORELHA

O Brasil se mobilizou, sensibilizado e indignado, para protestar contra a morte cruel e covarde do cão Orelha, brutalmente espancado por adolescentes em Santa Catarina. Uma revolta compreensiva e oportuna. Mas se pensarmos bem, o ato covarde daqueles garotos é apenas a ponta visível de um enorme abcesso pútrido que lateja de dor na sociedade brasileira. Quantos animais domésticos são maltratados no Brasil, quantos animais silvestres são dizimados por aqui?? Um número incalculável, sem que as pessoas sequer tomem conhecimento. Nosso país tem mostrado sua cara violenta, cada vez mais. Uma violência que vem sendo aclimatada no cotidiano de nossas vidas. Manifesta-se com as mais de 100 mil pessoas morando nas ruas, em situação sub-humana degradante. Mostra a cara na guerra urbana do dia a dia com dezenas de milhares de pessoas assassinadas por armas de fogo nas ações do crime organizado ou vítimas das mortes por “motivos fúteis”. Vivemos uma epidemia de violência contra a mulher, resultando nos números indecentes de feminicídios, lesões físicas e psicológicas. Ou a violência sexual contra crianças, com números alarmantes. Nossa polícia despreparada, mal paga e muitas vezes corrompida mata e morre nas refregas diárias, pelas ruas da cidade. Sim! Somos um país violento. Muito violento. E cada vez mais. A tortura mortal do cão Orelha, nos mostra uma face horrenda de nossa juventude, que vez por outra tem o hobby de atear fogo em moradores de rua. Esses jovens são produto de seus lares, de suas escolas, de sua vida social. Os adultos não deixam por menos. A fama de brasileiro cordato e pacífico, está substituído pela imagem de uma parcela cada vez maior da população que pratica atos de ódio contra animais, e principalmente, contra seus semelhantes. É disso que se trata! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
A BANDA PODRE DA REPÚBLICA

O Brasil caminha com as pernas bambas no campo da Ética e da Moralidade. Este país, grande, diverso, rico, criativo, tem tudo para ser feliz. Mas não é! A obscena desigualdade social que só cresce, é a causa primeira de todas as nossas mazelas. É vergonhosa a concentração de renda no Brasil. Cada dia mais cruel, e o governo, seja de “direita” seja de “esquerda”, é parceiro do rentismo, que espolia a nação com juros escorchantes e manobras financeiras suspeitas. Dessa terrível iniquidade social derivam a pobreza, a marginalização, a criminalidade, a violência e a corrupção. Essa última tornou-se uma mania nacional! Sempre tivemos corrupção no Brasil desde quando o primeiro português pisou aqui, com o intuito de delapidar os recursos naturais desta terra. Mas, nos últimos tempos as ações de corrupção adentraram em todas as esquinas do país, desde os palácios governamentais e repartições públicas, aos sindicatos, templos, empresas, e é claro, os partidos políticos. A corrupção naturalizou-se em nossa terra. Ela abraça governantes, magistrados, congressistas, empresários, religiosos, líderes sociais, e chega até ao cidadão comum. É como uma pandemia que corrói as entranhas das instituições. É uma praga incivilizatória! Poderíamos citar exemplos mil, porém este artigo não suportaria. Mas num resumo, tivemos o Mensalão, depois o Petrolão, em seguida o Emendão e o Descontão e agora o Masterzão. Qual será o próximo? Em todos esses fenômenos corruptivos houve a participação tripartite dos poderes executivo, legislativo e judiciário, e é claro de setores empresariais. Uma festa de arromba! O povo assiste a tudo isso estonteado, e vez por outra se divide em torcidas, dizendo “o meu corrupto é melhor que o seu” ou “ele rouba sim, mas o seu rouba mais”. Enfim, a tolerância popular com a corrupção no Brasil é catastrófica. Vez por outro ouvimos da boca de gente do povo: “todo mundo rouba, e se eu pudesse roubava também”. Dessa forma a banda podre do Brasil cresce e mostra sua cara horrorosa. A promiscuidade entre os corruptos parece uma grande “famiglia”. O que fazer? Isso fica para um próximo artigo. Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
A ÁGUA NOSSA DE CADA MINUTO!

Os seres vivos, incluindo os humanos, têm grande quantidade de água nos seus organismos. Nós somos cerca de 80% de água quando crianças e 65% quando adultos. Ou seja: água e vida são sinônimos. O Planeta Terra é composto de 70% de superfície de água e 30% se terra. Água doce é 2,5% da água do mundo. A população do mundo beira a 8 bilhões de pessoas e o consumo de água per capita por dia é muito variável. Nos EUA é de 214 litros, no Brasil é 140 litros por pessoa. Daí, veja a imensidão de litros de água doce consumida só pelos humanos. Além disso, temos o uso na agricultura, na indústria, nos serviços e agora o enorme consumo com a Inteligência Artificial. Ainda temos o agravante do consumo irracional dos recursos hídricos. Poucos praticam o reuso da água, recolhem água da chuva em seus domicílios, têm a prática de economizar nos banhos e outros usos. Enfim, nós humanos, usamos e abusamos do uso da água, num consumo enorme, desplanejado e perdulário. Só como um exemplo, cerca de 30% da água encanada fornecida no Brasil, se perde no caminho da torneira. Agora, além do imenso valor do consumo, do desperdício e do descaso, temos novos fatores que agravam a situação. Nos tempos atuais, com o fenômeno do aquecimento global e as consequentes mudanças do clima, mudou também o regime das chuvas Dessa maneira, ao mesmo tempo que temos precipitações pluviais, violentas em alguns locais, temos também estiagens prolongadas em outros. Veja os exemplos de tempestades violentas no sul do Brasil, América Latina, na Europa, Ásia, EUA, no Oriente Médio, e outros cantos. Da mesma forma vivemos estiagens cruéis, como é o caso do Nordeste da África, onde já faz vários anos que não chove, no Sudeste do Brasil e no Irã, onde se cogita mudar a Cidade de Teerã de local, pela falta crônica de água. Só quem está sofrendo o problema sabe o que é viver sem água. É impossível! Alguns países estão usando tecnologia para produzir água, como as chuvas e a dessalinização da água do mar, que tem seus senões, como por exemplo, onde jogar o sal, sem causar desequilíbrio ambiental. Na verdade, antes de tudo, deveríamos avançar nas medidas globais de combate e prevenção do Aquecimento Global para frear o avanço das Mudanças Climáticas. E fazer um grande pacto mundial para o uso racional da água, seja no consumo individual, como no coletivo. No caminho que estamos seguindo, do comportamento humano, esse pacto é bastante difícil. Mas não temos outra escolha. Além de usar todos os meios científicos e tecnológicos para produzir e proteger a água, teremos que mudar o comportamento dos humanos, que acham que a Mãe Natureza é infinita para nos oferecer a vida. Não é! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
ABAIXO A DITADURA DO IRÃ!!!

O povo do Irã saiu nas ruas para combater e derrubar a ditadura teocrática dos Aiatolás, que massacra os iranianos há quase 50 anos. Durante esse tempo foi instaurado um regime político atrasado e cruel, baseado em conceitos religiosas fanatizados, levando o país a um retrocesso que perseguiu as mulheres, os jovens e os democratas, prendendo e executando opositores do governo e ativistas pela liberdade. O Irã é um país milenar que vem do poderoso Império Persa, e viveu uma revolução popular no final da década de 1970, comandada pela cúpula religiosa do país, que derrubou a monarquia autoritária do Xá Reza Pahlavi. Desde então a mão de ferro da teocracia reprime qualquer tentativa de romper com os costumes, entre eles a proibição das mulheres terem uma vida livre e moderna. A atual e grave crise econômica somada com a crise ambiental de poluição, falta de água e de eletricidade detonou as massivas manifestações populares atuais. A repressão da Ditadura dos Aiatolás contra os manifestantes, aproxima-se da barbárie. Hoje fala-se em 20 mil assassinatos com tiros nos olhos e na nuca, perpetrados pela “Guarda Revolucionária”, a mando do líder Ali Khamenei. São milhares de presos e perseguidos, censura à internet, aos telefones e à imprensa. O mundo se movimenta sobre isso, com as democracias europeias repudiando o massacre, Trump ameaçando invadir o país, Rússia e China num apoio silencioso à ditadura iraniana. O Brasil subiu no muro! Lula, sempre muito falador, até agora não disse uma palavra sobre o assunto. O Itamarati, a mando do governo, soltou uma nota insossa, e em meio à matança covarde, pediu moderação, mas não ousou apontar o dedo para denunciar a ditadura facínora do Irã. A omissão do Brasil é vergonhosa! A dita “esquerda” brasileira (entre aspas mesmo) está muda, calada, escondida embaixo do manto ensanguentado dos mortos iranianos. Mais uma vassalagem ideológica que joga na vala da vergonha histórica essa gente que perdeu o direito de falar em justiça e humanismo. De minha parte, me solidarizo com o corajoso povo do Irã, em particular as mulheres e os jovens, que arriscando vida lutam pela liberdade e democracia. Que tenham força para chegar na derrubada daquela ditadura! Todo apoio ao povo iraniano! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
2026: Mundo, Mundo, vasto Mundo…..

Para os mais longevos, como eu, a chegada do século XXI representava uma utopia, social e científica, que traria um grande avanço na existência da humanidade. Esse era o sonho de gerações inteiras! O sonho se desfez em brumas, nem sempre agradáveis de serem vividas. Agora, no segundo quarto do século, consolida-se mais o quadro real de nossas vivências. É claro que temos avanços na qualidade de vida, nas conquistas técnicas e científicas, que encurtam distâncias, conectam as pessoas, aumentam o tempo de existência, fazem milagres na medicina, na informática, na produtividade agrícola e industrial, na criação de riquezas. Sim, isso é real! Mas a que custo??? Vemos a olho nu, os recursos naturais do Planeta, na terra, na água e no ar, sendo delapidados, numa exploração desplanejada e gananciosa, retirando muito mais do planeta do que sua capacidade de regeneração. A depredação ambiental é uma das marcas principais desses tempos. Por outro lado, também vivemos a imensa produção de riquezas proporcionada pela revolução tecnológica. Porém, a desigualdade e a exclusão social jogam na pobreza e na miséria bilhões de seres humanos entorno da terra, que não tem o que comer e o que beber. No quadro geopolítico desenha-se uma situação onde três superpotências numa combinação tácita, dividem o planeta em três partes e cada uma vai se apoderando, econômica e militarmente de seu pretenso pedaço. Os EUA, a Rússia e a China duelam por seus domínios numa nova “guerra fria”, onde direita e esquerda não contam mais, e as autocracias vão asfixiando cada vez mais as democracias liberais. A Europa envelheceu. Perdeu o glamour diante das hostes de imigrantes da fome e do clima. A África sofre de desnutrição crônica na falta de comida, mas também de falta de perspectivas. O Oriente Médio, adora soltar bombas uns sobre os outros. A América Latina respira por aparelhos, sem força para se erguer social e economicamente. As guerras hoje são por regiões e com drones, e as anexações são por petróleo, por terras raras ou outros recursos naturais. A paz mundial que sonhamos outrora tornou-se uma quimera, e cada um dos três impérios se expande pela força ou pela grana, invadindo, ameaçando, comprando e subornando nações inteiras, nos seus territórios planetários. Por cima disso tudo, temos o aquecimento global produzido pela mão humana, com seus fenômenos climáticos extremos, universalmente destruidores. Enquanto parcelas enormes da população mundial se distrai nas redes sociais, muitas delas fakeadas, e o mundo do trabalho se modifica pela tecnologia e mecanização, os (poucos) ricos ficam cada vez mais ricos, a biodiversidade fica cada vez mais pobre, o clima age como enlouquecido, as democracias fenecem todos os dias, e a Humanidade vive um stress existencial jamais vivido em sua história. Nossa utopia está combalida, mas não morreu. Quem topa reanimá-la? Vamos nessa!!! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista
ANO VAI, ANO VEM!

Vai findando 2025! Um ano difícil, num mundo onde a paz deu lugar ao espectro da guerra, a Mãe Terra teve sua natureza mais devastada e a luta das pessoas pela sobrevivência foi enorme. É claro que houve boas notícias. Sempre tem! Mas no balanço geral, no quesito felicidade humana, 2025 deixou muito a desejar. Se temos inteligência, agora até artificial já temos, se conseguimos entender e dominar os fenômenos naturais, se desvendamos mistérios todos os dias, por que a humanidade padece tanto??? Uma resposta complexa e fácil ao mesmo tempo. A alma do bicho homem vive em luta com ela mesma. Tem a enorme dúvida existencial sobre a vida e um gigantesco desejo de poder e riqueza. Com isso perde o juízo. Agride a si próprio e aos que estão ao seu redor. A pandemia de angústia ocupa 2025, acompanhada do avanço da degradação ambiental, dos eventos climáticos extremos e da desigualdade social crescente. Dá para afirmar que os humanos estão vivendo o stress da espécie, talvez o maior e mais profundo que já viveu. O que nós podemos esperar do Ano Novo? Pelo andar da carruagem, não devemos ter grandes ilusões com 2026. O stress da espécie humana não deve arrefecer, a destruição ambiental e climática vai continuar e a desigualdade social só aumenta nesse mundo. Portanto, desejar Bom Ano Novo me parece um pouco temerário. Mas por maior que sejam os percalços, nunca vamos desistir de buscar o mundo melhor! É a nossa teimosia histórica. É o nosso carma, nossa sina e destino. Assim, desejo muita saúde, força, determinação, aqueles que como eu, não se conformam diante da violência, da criminalidade, da corrupção, da guerra, da fome e da miséria, do desrespeito e do preconceito, para que possam trabalhar e lutar no caminho de um degrau a mais para a felicidade humana. Dizem que sem utopia a gente não vive. Então, adentro 2026 carregando essa utopia de toda a vida! Que venha o Ano Novo!! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista