CASO JK: A VITÓRIA DA VERDADE HISTÓRICA!

Em 22 de Agosto de 1976 morria, em um sinistro de trânsito, o ex-Presidente do Brasil Juscelino Kubitschek. O Opala em que JK viajava para o Rio, dirigido por seu motorista Geraldo Ribeiro, no km 165 da Via Dutra, atravessou o canteiro central da rodovia e chocou-se de frente com um caminhão Scania, que vinha em sentido contrário, causando morte imediata em JK e no Geraldo. Na época, o fato cercou-se de sigilos e segredos. O Brasil era governado pela Ditadura Militar e o presidente era o General Ernesto Geisel. De imediato, divulgou-se a versão oficial de “acidente de trânsito”, que atravessou esses 50 anos já passados. A investigação do “acidente” foi eivada de fraudes e distorções. Primeiro, tentaram culpar o motorista do ônibus da viação Cometa, que transitava no local, dirigido por Josias de Oliveira, como causador do acidente. Depois, ficou provado que o Opala de JK não bateu no ônibus. Em seguida, fraudaram e barbarizaram o laudo principal do “acidente”, tanto na perícia do local, do automóvel, quanto no exame dos corpos dos acidentados. Foram erros e manipulações grosseiros, realizados pelo Instituto Carlos Éboli do Rio de Janeiro. Também houve chantagem à própria família de JK, para que parassem de denunciar. O assunto ficou aquietado, mas as contradições gritantes da causa da morte de JK mantiveram-se com o passar do tempo. Em 1996, a pedido de Serafim de Melo Jardim, Secretário Particular de Juscelino, o caso foi reaberto, já no Governo FHC. Porém, no final, as conclusões corroboraram a tese da Ditadura de que se tratava de um “acidente”. Em 2002, uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados retomou o caso, mas baseou-se nos mesmos laudos e relatórios falseados e concluiu mais uma vez pela tese do “acidente”. Em 2013, assumi como Presidente da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de S. Paulo, composta por 7 vereadores, e tivemos como assessor o brilhante jornalista investigativo Ivo Patarra. Instado por ele, decidimos trazer o caso JK como um dos eixos de investigação de nossa Comissão. Trabalhamos exaustivamente levantando todos os dados, oficiais e extraoficiais, sobre a morte de JK. Ouvimos dezenas de pessoas, fizemos diligências, produzimos laudos, avaliamos a muitas mãos a conjuntura política daquela época, estivemos no local da morte, viajamos para ouvir pessoas e trouxemos vários testemunhos de muitos cantos do Brasil. Foi um trabalho amplo e profundo, realizado com cuidado técnico, e focado em um só ponto: a verdade. Após elaborar 114 quesitos muito bem fundamentados, declaramos que a nossa conclusão é de que JK foi vítima de um atentado na Via Dutra, que resultou no choque entre seu carro e o caminhão, matando ele e seu motorista. Essa afirmativa criou polêmica, e nós a encaminhamos à Comissão Nacional da Verdade. Para surpresa, a CNV discordou do nosso relatório e reafirmou, baseada nos mesmos laudos viciados do passado, que JK morreu de “acidente”. Nunca aceitamos isso! Em 2019, por solicitação da Promotoria Pública, o eminente perito de trânsito Sérgio Ejzenberg, produziu um robusto e preciso laudo, concluindo que, pela análise dos fatos, o carro de JK não foi vítima de um acidente, corroborando assim com nossa tese. Baseados nesse laudo, eu e Ivo Patarra encaminhamos uma petição à Comissão de Mortos e Desaparecidos do Brasil, solicitando que fosse revista a causa da morte de Juscelino Kubitschek. Nosso pedido foi aceito e o assunto foi reaberto. Passados alguns meses, tomamos ciência de que a relatora do caso, Maria Cecília Adão, num trabalho de 1000 páginas e 6000 anexos, concluiu também que não houve acidente, e que a morte de JK foi provocada por ação externa, intencional e criminosa. Agora, esse Relatório está para ser votado na Comissão de Mortos e Desaparecidos. Mais uma vez, encaminhamos uma segunda petição à Comissão, assinada por mim e Ivo Patarra e também com as assinaturas de Adriano Diogo, Serafim Jardim e Robson Sávio, solicitando que possa ser votado com rapidez o Relatório, aprovado pelos membros, e divulgado para o povo brasileiro o verdadeiro motivo da morte de Juscelino Kubitschek, que se tratou de um assassinato político, organizado por agentes do comando da Ditadura Militar da época. O Brasil não pode ter medo de sua história. JK era amado por grande parte do nosso povo, e seu assassinato deve ser conhecido pelo País, para que possamos nos reconciliar com a Verdade e a Justiça. Assim esperamos! Gilberto Natalini- Médico e Ambientalista Foi Presidente da Comissão da Verdade da cidade de São Paulo
“Achei que a gente ia morrer”, relata Natalini sobre os anos de chumbo
Todos os crimes que foram colocados debaixo do tapete durante os 21 anos do período da Ditadura Militar, aos poucos, estão sendo esclarecidos, pelo menos parcialmente. Os relatórios das diversas comissões criadas para trazer à tona e investigar essas violações de Direitos Humanos de um dos momentos mais sombrios da História brasileira estão surtindo efeitos positivos.
Vídeo traz retrospectiva dos trabalhos da Comissão Municipal da Verdade
Um documentário de 30 minutos realizado pela TV Câmara exibe um resumo das sessões e audiências da Comissão Municipal da Verdade, realizadas em 2013 e 2014. O Vereador Gilberto Natalini presidiu os trabalhos, que serviram para apontar crimes da ditadura militar e ressaltar a importância da liberdade, da democracia e do Estado de Direito.
Comissão Municipal da Verdade defende melhoria na identificação de corpos
A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog fez hoje (24) uma inspeção nas instalações do Cemitério Dom Bosco, em Perus, que é conhecido por ser usado para sepultamento de indigentes e de corpos de pessoas supostamente sem documentos.
Morte de JK: relatório da CNV endossa perícia da ditadura militar
A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog (CMVVH), de São Paulo, não aceita o “relatório preliminar de pesquisa” da Comissão Nacional da Verdade. O documento, divulgado ontem, em Brasília, afirma que o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram num acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, em 22 de agosto de 1976.
José Serra e Duarte Pacheco falam sobre UNE e o golpe de 1964 à Comissão da Verdade
José Serra era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e Duarte Pacheco Pereira o vice-presidente, quando o Golpe Militar de 1964 derrubou o governo de João Goulart eleito de forma democrática. Começava ali um período de perseguição política, restrição da liberdade, censura, mas também de muita luta pela liberdade.
Comissão Vladimir Herzog lembra 35 anos da morte de Santos Dias
A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, presidida pelo médico e vereador Gilberto Natalini, lembrou os 35 anos da morte do operário e líder popular Santos Dias da Silva em audiência pública realizada em conjunto com a Comissão da Verdade M’Boi Mirim, no sábado dia 29 de março.
Carta Capital – O sonho não morreu
Depois de muita luta, a democracia chegou, mas ainda é incapaz de produzir justiça social, afirma o vereador Gilberto Natalini. Eu tinha 12 anos quando o golpe derrubou o presidente João Goulart. Era estudante, cursava o ginásio, interessado em filosofia, ciências e política. A ditadura foi um susto grande para mim, minha família e amigos. Clique aqui para ler a matéria na íntegra
Delegado acusado de tortura na ditadura “foge” e Comissão da Verdade ouve denúncias de vítimas
A Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo, presidida pelo vereador e médico Gilberto Natalini (PV-SP) ouviu neste dia 25 de março, pela manhã o depoimento de duas mulheres ex-presas políticas e vítimas de torturas durante o regime militar Lenira Machado e Rita Sipahi que denunciam o delegado Dirceu Gravina por torturá-las nas dependências do Doi-Codi.
Comissão da Verdade pede a Dilma reconhecimento do assassinato de JK
A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, em funcionamento na Câmara Municipal de São Paulo, enviou o ofício nº 5540/2014 à presidente da República, Dilma Rousseff, solicitando, em nome da História do Brasil, da Verdade, da Memória e da Justiça, o reconhecimento oficial de que o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek e seu motorista, Geraldo Ribeiro, foram assassinados em 22 de agosto de 1976, num atentado ocorrido na Rodovia Presidente Dutra, em Resende (RJ).