Árvores: verde que te quero verde

O temporal de 20/10, concentrado na região oeste da cidade, fez desabar sobre a Lapa, 64,6 mm de chuva (a pluviosidade esperada para outubro em São Paulo era de 110 mm). A média na cidade como um todo foi de 13 mm. Infelizmente assistimos a trágica perda de duas pessoas arrastadas pela passagem subterrânea, em frente ao Terminal da Lapa e prejuízos materiais diversos, como dois carros atingidos por queda de duas das 154 árvores que foram derrubadas pelo vendaval. Muito mais difícil é contabilizar alimentos que estavam em câmaras refrigeradas de estabelecimentos comerciais e se perderam ou tiveram a vida útil reduzida.

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Aproxima-se o verão com chuvas torrenciais e a preocupação redobra com este acontecimento, que mostra a força tremenda da Natureza.
Tivemos recordes de quedas de árvores em verões recentes. Foram 2253 em 2014 e 1861 em 2013. Os semáforos apagam, redes elétricas e telefonia se interrompem, ocorrem acidentes e o tráfego pára. Mas não precisa ser assim todo ano. Cabe cuidar melhor das 650 mil árvores nas ruas. Isso passa por censo que levante localização, características e estado fitossanitário. É essencial também escolher bem as espécies e as mudas, realizar podas bem feitas, que não fragilizem as árvores no seu equilíbrio e não as exponham a doenças. Fundamental executar o despraguejamento para que não se fragilizem mais, quando já enfrentam vandalismo, poluição e pouca água, pela crescente impermeabilização do território.
Infelizmente assiste-se a solução cômoda de corte sistemático da atual gestão que felizmente se encerra em breve. Foram 18005 supressões em apenas 7 meses de 2015 contra apenas 10693 em 2010. O Instituto Biológico da USP desenvolveu novas técnicas de diagnóstico: furação do tronco, boroscópio para ver o cerne e agentes pouco tóxicos (óleos de citronela e estageriana). Normas da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente só permitem agrotóxicas. Fiz gestões via ofício e espero bom senso para que se libere algo tão promissor e menos impactante. O ponto central, porém, é que espécimes, que alcançaram porte não devem ser cortadas sem esgotar todas as possibilidades de tratamento ou remoção. Há maquinário moderno com lâminas que cravam o solo e permitem se retirar árvores de até 20 cm de tronco, com todo torrão da raiz. Países avançados utilizam tomógrafo para examinar de forma não destrutiva as árvores e somente indicar remoção das efetivamente sem chances de tratamento. Os resultados também orientam onde aplicar os venenos que destruirão a colônia de insetos (cupim, broca) que causam a infestação. Eu vou apresentar emenda parlamentar para que a cidade conte com pelo menos uma unidade destes equipamentos.
Precisamos de mais cuidado e tecnologia moderna com as árvores, vizinhas que nos provêm tantos serviços. Elas não são as vilãs nem as culpadas dos prejuízos nos temporais.
Ao contrário, prestam serviços ambientais essenciais reduzindo as “ilhas de calor”, que potencializam precipitações extremas, em vários pontos da cidade, como também atenuando a intensa impermeabilização do solo que faz com que toda chuva siga para as galerias ao invés de se infiltrar no solo.
Gilberto Natalini- Ambientalista, Médico e Vereador (PV/SP)

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